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terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Grande Mestre (Ip Man – China, 2008)


Sou suspeito de comentar sobre filmes de artes marciais, não tenho como negar que crio muita expectativa em torno dos atores presentes nos filmes e o desenrolar das histórias, dando sempre margem a uma boa e velha pancadaria com estilo.

Com este o Grande Mestre não me decepcionei nem um pouco, talvez muito por conta do seu protagonista Ip Man, interessante figura que realmente existiu e um foi dos maiores mestres das artes marciais de Wing Chun (estilo de luta vertente do kung fu). Ip Man ficou mais conhecido internacionalmente por ter sido um dos mestres de nada mais do que Bruce Lee.

Situando-se em uma China no final dos anos 30, mais precisamente em Fushan, começa então a invasão Japonesa que joga o país em uma grande miséria que afeta a todos os seus habitantes, a partir daí Ip Man se viu obrigado a ‘desistir’ do seu kung fu para tentar sobreviver junto de sua família trabalhando para tirar seu sustento. Talvez esse seja o grande ponto forte do filme, história tensa de como o povo conseguiu sobreviver a tirania japonesa (retratada de maneira bastante cruel por sinal) no período pré Segunda Guerra Mundial, tornando ainda mais crível as investida do homem outrora invencível em um ser humano como qualquer outro.

Um filme de artes marciais não se sustenta sem um grande protagonista, neste caso Donnie Yen, mesmo sendo um ator sem muita expressão, se sai muito bem ao conseguir passar o ar sério, mas ao mesmo tempo bondoso de um homem de família. Interessante a mudança que ele passa do começo do filme para a segunda metade: de um homem orgulhoso dentro dos seus princípios - como comenta um dos personagens ao oferecer ajuda: ‘Ele não gosta de dever favores’- para a uma pessoa que passa a lutar pela honra do seu país nem que para isso ele tenha que arriscar a própria vida.

Tive a oportunidade de assistir a alguns filmes de Donnie Yen e já havia percebido que o cara é bom demais, tão bom quanto um Jet Li ou Jackie Chan. Falando no primeiro, ele é um dos protagonistas junto de Jet Li no filme Herói (2002) de Zhang Yimou e demonstra que realmente é um dos maiores atores de ação da atualidade (mesmo se limitando ao mercado asiático).

Se o lutador é bom, então as lutas são boas? SIM! As lutas são um show a parte, pois podemos perceber tanto nas coreografias quanto na intensidade dos combates ao mostrar o quão poderoso é o tal do Wing Chun. Destaco a cena em que Ip Man desafia dez lutadores japoneses dentro de um dojo. Simplesmente uma das melhores lutas que já vi.




Duas coisas chamaram a minha atenção também foram as lutas usarem poucos recursos de cabos, o famoso wire-fu (Matrix?), o que acaba dando uma maior credibilidade nos movimentos e deixando a artificialidade de lado. Outro foi a maquiagem, pois ao receber qualquer dano que seja, ela é retratada logo com um rosto inchado ou um beiço sangrando, vermelhidão, etc.

Outro grande ponto a favor são os efeitos sonoros bem posicionados e contando ainda com uma trilha sonora típica dos filmes orientais que muito acrescenta à experiência, ou seja, sutil  e impecável.

Para você que é fã de filmes de artes marciais ou até mesmo está em busca de uma história suficientemente boa sobre superação e honra, O Grande Mestre realmente é uma entretimento garantido.

Agora com licença que vou bem ali treinar o meu Wing Chu...

Nota – 9,0 – Ainda tem o 2 e uma pré-sequencia, acho que vou acabar me decepcionando.



Assita também:

Herói
SPL – Sha Po Lang (Killzone)
O Mestre das Armas
Dragão – A História de Bruce Lee

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Super 8


O que podíamos esperar quando a mente brilhante de Spielberg se junta com uma das mentes mais criativas da atualidade? Bem, eu achava que iria ser um encontro épico, pois teríamos a invencionice e criatividade do pai de Lost, J. J. Abrams, com os toques de genialidade do pai do E.T., mas o que eu acabei vendo foi uma grande homenagem aos filmes que cresci assistindo durante a minha infância e nada mais.

O filme tem todos os elementos que fizeram os filmes famílias dos anos 80 um sucesso, como E.T. e os Goonies, sendo que ainda sobrou um pouco para Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Falando em Os Goonies, não tem como não lembrar por conta do tom do início do filme que é praticamente o mesmo deste ‘clássico’ (da Sessão da Tarde).

Porém o filme fica somente nisso mesmo, homenagens e mais homenagens, esquecendo de ser um pouco mais original, inclusive ao ‘monstro’ que era uma mistura de Cloverfield com o General Grievous de Star Wars. Destaco como positivo o efeito especial do acidente de trem e o elenco principal, personagens de Joel Courtney (Joe) e Ellen Fanning (Alice).

 Talvez tenha faltado um requinte maior no roteiro por conta de alguns buracos e de dar um pouco mais de personalidade aos personagens secundários, limitados a meros estereótipos.

Confesso que me diverti mais quando os amigos estavam filmando um filme sobre zumbis em uma clara homenagem ao filme Madrugada dos Mortos do George Romero.

Por ironia um dos personagens fala em ‘valor de produção’, algo que realmente ficou faltando por aqui.

Nota - 6,0 - J.J. Abrams concentre-se em Star Trek e Spielberg no Tintim


Veja Também:

Conta Comigo
Os Goonies
Madrugada dos Mortos (1968)
E.T.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

2011 em Cinema

Depois de um tempinho sem postar nada, eis que volto a escrever. Para isso, preparei uma lista dos filmes que são destaque para o próximo ano.

O ano de 2010 foi um ano bem interessante para o cinema, pois tivemos muitos filmes que cumpriram o seu papel, outros nem tanto e algumas gratas surpresas. Mas o que esperar do próximo ano?

O ano de 2011 terá muitos filmes que prometem arrastar muita gente ao cinema. Muitos lançamentos que prometem fazer sucesso de público (só esperamos que a qualidade também venha junta).

Separei alguns filmes que chegarão ao cinema (os estrangeiros são baseados na data de estréia no circuito americano) por cada mês. Esse ano pelo menos vamos ter que guardar um dinheirinho para poder assistir à pelo menos metade deles. J

Confira agora os filmes:


Janeiro

Besouro Verde (Green Hornet) – Seth Rogen em um remake da série que lançou Bruce Lee no ocidente. 

O que esperar? Não muito, pelo trailer tem cara que assistirei em DVD. Porém o diretor é Michael Gondry, o mesmo de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.




Brasil Animado 3D - Primeira tentativa do cinema brasileiro no mundo 3D e ainda no ramo da animação. Stress e Relax partem em uma viagem em busca do “Grande Jequitibá Rosa”.


O que esperar? Pela qualidade da animação, não muito, mas vale a pena pela tentativa e apoio aos animadores brasileiros tentando fazer alguma coisa diferente.




Fevereiro

Nada muito interessante...


Março


Appolo 18 – Um mockumentary (falso documentário) sobre a missão de mesmo nome que tinha como objetivo chegar à lua, assim como seu primo Appolo 13. Só que o negócio aqui é chocar o público com nada mais do que Aliens no nosso astro noturno.



O que esperar? É uma idéia bem legal se formos analisar com calma, além do mais é produzido por Timur Bekmambetov (O Procurado). O ruim é que já está se tornando um saco esse negócio de falsos documentários que encheram a tela nesses dois últimos anos (Rec, Atividade Paranormal, Cloverfield e o Último Exorcismo).




Battle: Los Angeles – Aaron Eckhart (Harvey Dent do filme do Batman – Cavaleiro das Trevas) vestindo seu uniforme do exército lutando contra ETs. Uma mistura de filmes de guerra com Independence Day.

O que esperar? Filme de ETs e guerra? Estou lá.




Sucker Punch – Dirigido por Zack Snyder (300 e Watchmen), é a nova tentativa do diretor contratado para fazer o filme do Superhomem. Garotas com roupas apertadas lutando contra dragões, monstros vestidos de samurais e de Nazistas disparando rajadas de tiros com metralhadoras. É preciso falar mais algumas coisa?

O que esperar? Só resta saber se todos esses elementos vão ter algum tipo de profundidade e não apenas lutas estonteantes, efeitos especiais e muita, mas muita câmera lenta. Gosto do senso estético do Snyder, algo suficientemente interessante para me fazer gastar meu dinheiro.




Bróder - Conta a história de três amigos da periferia de São Paulo que tomaram rumos diferentes, mas que a vida dá um jeito de colocá-los juntos novamente.

O que esperar? Bastante elogiado e premiado pelos festivais por onde passou (ganhou o festival de Gramado como melhor filme). Suficiente para chamar a atenção.






Continua...

domingo, 22 de agosto de 2010

A Origem (Inception, 2010)

O novo filme de Christopher Nolan (Batman Begins, Cavaleiro das Trevas) pode ser definido como cinema na sua essência: criar um mundo imaginário onde podemos tudo. Essa definição ficou ecoando na minha cabeça ao terminar de assistir a mais um grande filme deste diretor que vem acertando a mão em seus filmes e tem tudo para ser (se já não é) um dos grandes nomes da sétima arte.

Ver o retrospecto de suas obras é basicamente passear por filmes que tem como base a mente humana, o psicológico. Ao total são sete filmes: Following, Amnésia, Insônia, Batman Begins, O Grande Truque, Cavaleiro das Trevas e o mais recente A Origem. Desses todos citados, Amnésia ainda é a sua obra de arte, filme indispensável para a coleção de qualquer cinéfilo. Porém, o que mais chama a atenção não é a temática, mas sim a qualidade dos seus trabalhos e a firmeza com a qual a trama é regida, pois não há um filme sequer desta lista que podemos definir como apenas mediano.

A sinopse deste filme foi escondida por Nolan a sete chaves desde a sua concepção até o início da divulgação e campanhas de marketing. Nesta trama seguimos os passos de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, excelente como sempre), um experiente ladrão de informações que age de maneira peculiar ao  extrair valiosos segredos do subconsciente das pessoas durante o sono, dentro dos seus sonhos. Com isso, por ser um espião, seus métodos peculiares passaram a ser conhecido no submundo do crime e do mundo corporativo, o que faz com que ele se transforme em um fugitivo internacional, resultando no abandono das pessoas que mais amava: seus filhos. Agora Cobb possui um último trabalho que pode fazer com fique isento de todos os seus crimes e possa voltar para casa: realizar a missão impossível de implantar uma idéia, não extrai-la.

A partir disso temos um filme clássico de roubo com cara de Onze Homens e um Segredo: a montagem da equipe e o plano perfeito. No elenco temos também Marion Cotillard (Piaf), Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela), Ellen Page (Juno) e Michael Caine (sem comentários).

A Origem é um filme praticamente impecável, mas o seu ponto negativo não é necessariamente o filme, mas o seu conteúdo que é bastante rico, ou seja, muitas informações são jogadas na tela fazendo com que os espectadores menos atentos se percam. Aliás, informações essas que poderiam ser exploradas de outras formas, como uma HQ ou livro, dando mais liberdade para trabalhar as idéias, enriquecendo um mundo que por si só já é bastante complexo.

O filme todo é um emaranhado de informações que se conectam à medida que a trama se desenrola. Este talvez seja o grande barato dessa produção, juntar as peças para que se encaixem como um grande quebra-cabeça, até mesmo as cenas de ação contam com um toque de arte mais refinado, destacando-se a cena de luta em gravidade zero.

Não vou entrar em detalhes, pois comentar além do que falei aqui pode gerar muitos spoilers que possam estragar a experiência que é assistir a este filme. No mais, ele é passível de interpretações por conta do final que fica em aberto, ou seja, nada de uma verdade absoluta. Saberemos quando Chis Nolar disser em público, algo que acho bem difícil.

De uma coisa eu tenho certeza é de que este filme estará concorrendo na corrida pelo Oscar de melhor roteiro original, pois como mencionei antes, este é um belo exemplo daqueles filmes que te fazem pensar por dias e até mesmo por semanas. Em tempos em que a criatividade de Hollywood está lá embaixo, só temos mesmo que agradecer por mais uma grande experiência de assistir a um filme bom sem medo de estar sonhando.

Nota: 9,0 – Que venha o Batman 3!

Assista também:
Amnésia
Onze Homens e um Segredo
O Plano Perfeito
A Cela
O Grande Truque

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Toy Story 3 (2010)

Olá, meus amigos. Que bom vê-los novamente!

Este post tem um duplo sentido: primeiro que marca a minha volta aos posts neste blog que há tempos não atualizo e segundo porque, ao assistir a Toy Story 3, fiquei com este sentimento ao longo das quase 2 horas de filme.

Ao ver aqueles “rostos” de novo, fiquei com o mesmo sentimento de quando revemos grandes amigos que há muito tempo não víamos. É justamente aí que reside a grande força deste novo projeto da Pixar: as escolhas do diretor Lee Ulkrich e do produtor John Lasseter se mostram extremamente adequadas desde o início, mostrando cada personagem por vez em uma grande aventura (uma brincadeira de criança), apresentando-os como grandes protagonistas e não simplesmente jogando-os na tela para que lembremos instantaneamente. E, mesmo ao longo da produção, não temos a menor idéia do que esperar do destino daqueles brinquedos, não se rendendo a nenhum momento aos típicos clichês.

Eu particularmente não esperava muito deste filme, uma vez que considero o segundo uma das minhas animações favoritas. Seria um desafio muito grande por parte da Pixar trazer algo de qualidade novamente e dar um desfecho a esta estória tão maravilhosa (e inesperada). Trauma esse que fiquei acostumado com trilogias, pois os terceiros filmes geralmente seguem a tendência de ser o mais fraco (Alien, Exterminador do Futuro, Homem Aranha, De Volta para o Futuro, etc.).

É interessante salientar também que, se formos analisar o tempo do primeiro filme até este terceiro, temos exatamente 15 anos, quase que tempo real ao crescimento de Andy, o dono dos brinquedos, e o tempo de produção dos filmes. O primeiro focou no momento em que a criança tem a mente mais fértil e os brinquedos são parte importante da vida; o segundo Andy já havia crescido um pouco e os brinquedos já não faziam tanto parte da vida dele; já no terceiro Andy já está indo para a faculdade, ou seja, os brinquedos ou vão ser jogados no lixo ou irão ser doados para a caridade (ou para a creche, que é o caso do filme).

E é aí que reside a coragem dos roteiristas Michael Arnd (o mesmo de Pequena Miss Sunshine) em dar um final a história (coisa que a Disney não queria, por ser a detentora dos direitos da franquia), não deixando amarras para um quarto filme. Se há uma coisa que os três filmes não seguem é a famosa “fórmula do sucesso” que animações como Shrek e Era do Gelo repetem ao longo de suas seqüências. É nesse quesito que podemos aplaudir de pé a trama que se cria a partir de um argumento simples, desde o primeiro filme. O que quero dizer é que se formos imaginar este terceiro filme com personagens em carne e osso, mesmo assim funcionaria muito bem, com direito a intrigas muito bem elaboradas e reviravoltas na trama. Vou até fazer uma comparação irresponsável com o filme Um Sonho de Liberdade.

Quanto à qualidade técnica do filme é algo indiscutível, pois é perceptível o cuidado com os mínimos detalhes: repare como os brinquedos sofreram algum tipo de desgaste ao longo desses anos, os brinquedos “novos” e principalmente à creche. Esta, por sinal é merece um destaque maior pela recriação fantástica e pela riqueza de detalhes, principalmente de como a luz que adentra no ambiente, assumindo um papel fundamental para que o lugar se pareça extremamente acolhedor e feliz. Quanto ao O 3D, este desempenha um papel de coadjuvante, pois ele apenas serve para embelezar o que já é belo por natureza, surgindo como um elemento a mais, agindo de maneira orgânica e que não fica se utilizando de técnicas muito comuns nos filmes convertidos em 3D que é de ficar jogando coisas na tela para que o espectador tome sustos alheios.

Para finalizar, gostaria de ressaltar que a Pixar tem sido para essa nova geração algo que a Disney deixou de lado nos últimos anos: a magia dos desenhos. Claro que a tecnologia é diferente do que aqueles feitos à mão, mas o poder de trazer à tona vários sentimentos em único longa é algo que devemos aplaudir de pé esse povo comandado por John Lesseter e companhia.

São quinze anos de Toy Story, mas que, assim como os brinquedos de Andy jamais deixarão de fazer parte da sua vida e memória, estes filmes também farão parte das nossas na vida real.

Nota: Assista no cinema e compre o DVD - 10,0

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O que esperar do ano de 2010?


O ano de 2009 foi um ano razoável para o cinema (com relação à qualidade), mas para as bilheterias foi um ano ótimo. Foi um ano para os estúdio ficarem ricos, pois muitos blockbusters, alguns inesperados, renderam muito dinheiro e quebra de recordes – Avatar já está chegando no seleto grupo dos bilhões de dólares.



Mas o que esperar deste ano que já começou? Bom, temos uma lista bem legal de filmes que irão estrear ao longo do ano e que irão fazer com que você gaste alguns trocados para conferir. Confira:




1 - O Ladrão de Raios (Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief ): Assim como Harry Potter, mas trocando bruxinhos por mitologia grega, a nova tentativa de franquia comandada por Chris Columbus, responsável pelos dois primeiros filmes do bruxinho mais famoso do cinema, chega querendo fazer frente com cachorro grande e iniciar o ano fazendo bonito nas bilheterias. Ah, o filme é baseado em uma série de livros de mesmo nome.




2 – Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland): Baseado no conto de mesmo nome, o novo filme do Tim Burton, para quem já viu os trailers, fala por si próprio. Contando com a presença constante nos filmes de Burton, Jonny Depp assume o papel do Chapeleiro Maluco, colocando toda a sua excentricidade em mais um papel com a sua cara. Esta nova roupagem de Alice promete ser um dos grandes ladrões de bilheteria deste ano. Assista em 3-D.




3 – Fúrias de Titãs (Clash of the Titans): Refilmagem de um clássico dos anos 80, o novo filme do queridinho de Hollywood dos filmes de ação, Sam Worthingtom (Avatar e Exterminador do Futuro) promete fazer bonito neste filme que acompanha o estilo que 300 empregou para filmes épicos / gregos.




4 – Príncipe da Pérsia (Prince of Persia): Com inspiração no jogo homônimo, esta nova franquia da Disney promete quebrar o paradigma que filme baseado em jogo não presta (com exceção de Silent Hill). Tem tudo para dar certo, pelas fotos e trailer parece estar ficando bacana.




5 – Homem de Ferro 2 (Iron Man 2): Seqüência do filme estrelado por Robert Downey Jr., já é considerado o grande “arrasa quarterão” do ano. Se mantiver o padrão do primeiro e seguir os moldes de Hollywood (vide Homem Aranha e Batman) em que o segundo filme é sempre superior, tem tudo para valer o ingresso e a pipoca.




6 – A Origem (Inception): O novo filme do diretor Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas), apesar do mistério em volta até da sua sinopse, irá render uma boa grana por conta do sucesso que foi Batman e confirmar mais ainda que Chris é um baita de um diretor.




7 – Toy Story 3: A esperada seqüência da ótima franquia Toy Story chegará aos cinemas, mas terá o grande desafio de superar o 2 que, para muitos, ainda é uma das melhores animações da Casa das Idéias.




8 – Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte 1: O penúltimo filme chega em novembro para iniciar o término da saga. Garantia de um baita filme que talvez supere todos os outros pelo conteúdo e pelo livro, que é o melhor. A parte 2 só em 2011.




9 – Os Mercenários (The Expendables): Filme de ação com / do Stallone e uma galera do mal dos filmes de ação (Jet Li, Jason Statham, Dolph Lundgren, etc.). Explosões, tiros e porrada. Já virou cult.




10 – O Último Mestre do Ar (The Last Airbender): Baseado no desenho animado da Nickelodean, este filme tem tudo para ser a redenção de M. Night Shyamalan. Tem conteúdo e uma boa história.




11 – Robin Hood: A parceria do filme Gladiador, Russell Crowe + Ridley Scott, tem tudo para arrancar umas lascas do nosso bolso. Será que vai ser melhor que o filme do Kevin Costner?




12 – Ilha do Medo (Shutter Island): Novo filme de Scorsese. Não preciso falar mais nada.






Ainda tem mais filmes legais, mas de cara, esses daí prometem fazer bastante barulho neste ano de 2010 cercado de grandes expectativas.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sempre ao Seu Lado (Hachiko: A Dog's Story, 2009)


História com animais sempre me comovem, mas não aqueles filmes em que os bichos (cachorros e macacos falantes em sua maioria) aprontam muitas confusões. Seguindo a “fórmula” de amor entre o homem e seu cachorro de Marley e Eu , eis que chega aos cinemas neste natal o filme Sempre ao Seu Lado, baseado em uma lenda japonesa e um remake de 1987.



Acompanhamos a história de um professor universitário, Parker Wilson (Richard Gere), que encontra um cachorrinho, da raça Akhita, abandonado e o leva pra casa, iniciando assim uma forte relação de amor e lealdade. A diferença desta relação entre dono e cão é que todos os dias Hachiko (nome dado devido à uma letra japonesa na coleira do cachorro que significa 8), acompanha seu dono até à estação de trem e o espera até sua volta do trabalho.




Dirigido com certa obviedade por Lasse Hallström (mais conhecido por filmes como Dia de Cão, Chocolate e Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador), Sempre ao Seu Lado é um filme genérico, com diálogos genéricos e atuações no ponto morto na ladeira dos seus protagonistas, pois o que realmente importa aqui é o fim que levará a trágica história do cachorrinho. História essa que é muito conhecida no seu país de origem e quem conhece já sabe que vai chorar (e muito) ao longo de uma hora e meia de projeção.




A grande mensagem deste filme reside na mensagem em si: a lealdade. Acho que é o tipo de sentimento muito comum entre cão e dono, mas muito difícil de se conseguir entre pessoas, pois o mundo em que vivemos hoje, passar por cima dos outros é mais fácil do que se sacrificar por outro ser humano. Vivemos em uma sociedade que esqueceu o verdadeiro sentido da amizade. Este filme veio com essa finalidade, mostrar que o amor rompe a barreira do tempo, pois algo mais forte nos une nesse mundo. Não posso contar mais nada além disso, porque senão estraga o sentido do filme, porém vou logo avisando: leve um lenço pra não fazer feio na frente de tanta gente.




Nota: 7,0 – Genérico, mas que faz qualquer marmanjão chorar feito criancinha.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Entrando no clima de Avatar...


Avatar. Você ainda não ouviu falar? Bom, esse é o mais novo filme de James Cameron que promete revolucionar (será?) o cinema com uma nova técnica de animação 3d.


Mas afinal, quem é James Cameron?


Assistindo a um clássico de 1983, chamado de Exterminado do Futuro, fiquei com vontade de relembrar da carreira desse que é considerado um dos melhores diretores em atividade.


O seu sucesso começou realmente com o barulho que fez com Exterminado do Futuro, o qual rodou com apenas 6,5 milhões de dólares e faturou quase 80 milhões. Mas este era apenas o começo de uma grande carreira deste canadense.


Logo depois veio com um dos meus filmes favoritos, Aliens – O Resgate de 1986. Não contente com a grandiosidade deste título, quebrou o paradigma dos filmes de ação colocando uma mulher (Sigourney Weaver) no papel principal.


Três anos depois foi a vez de outro filme que gosto muito, O Segredo do Abismo com Ed Harris. Com efeitos especiais inovadores na época com a suas criatura aquáticas, revolucionou ao ponto de utilizar com maestria no seu outro grande sucesso em 1991, O Exterminado do Futuro 2, trazendo uma realidade incrível na composição do T-1000 e seu metal líquido.


Já em 1994, veio mais um sucesso com a companhia de Arnold Schwarzenegger no primeiro filme que quebrou a barreira do orçamento de 100 milhões de dólares em True Lies. Este eu considero até hoje o melhor filme do hoje governador da Califórnia, talvez Cameron seja o único diretor que tenha conseguido fazer com que Schwazza tenha realmente atuado.


Pegando o embalo de grandes sucessos, veio a grande tacada com Titanic em 1997, que até hoje é a maior bilheteria do cinema, tanto em expectadores quanto em arrecadação. Esse talvez seja o trabalho com que alcançou todos os públicos e mostrou a sua versatilidade em lidar com temas como amor e a sensibilidade das cenas românticas.


Depois de tantos sucessos, depois de tantas quebras de recordes, eis que quase 12 anos de espera veremos esse grande diretor em ação novamente com Avatar, que de acordo com a mídia e com a minha expectativa, talvez seja o grande filme do ano.



Obs.: Cameron já ganhou o Oscar de melhor diretor por Titanic, mas também já levou o Framboeza de Ouro por Rambo II, sendo que esse último só não manchou sua carreira porque Sylvester Stallone quem modificou o roteiro e bagunçou tudo.

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007)

O medo é um sentimento meio que masoquista, assistir a um filme de terror é pedir para sentir aquele arrepio na espinha e pular da poltrona. Para aqueles que adoram roer as unhas de tensão, chega o filme Atividade Paranormal.


Rodado com câmeras caseiras, este que a muito se assemelha à Bruxa de Blair pela sua estrutura narrativa, Atividade Paranormal assume este tom de mockumentary (falso documentário) para contar a história de um casal, Katie e Micah, que começam a presenciar atividades estranhas na sua nova casa e resolvem comprar uma câmera para registrar tais eventos.


O que mais chama a atenção nesta produção é o fato da mesma ter sido rodado com apenas $ 15.000,00 e faturado mais de $100.000.000,00. O diretor Oren Peli, a partir de uma idéia básica que ele afirma ter vivido, praticamente já garantiu seu fundo de garantia para a aposentadoria, mas parece que não vai parar por aí.


Ao longo da projeção vamos aos poucos sendo apresentados ao tal fenômeno, que por sua vez um especialista chamado por Katie afirma não se tratar de um fantasma, mas sim de um demônio que a persegue desde que ela era pequena, o que a impede de se mudar.


O grande barato desde filme reside de nunca vermos o tal demônio que assombra a casa, pois em produções japonesas e americanas somos logo abordados por fantasmas de criancinhas cabeludas e pálidas. E à medida que o filme vai se desenrolando os fenômenos vão aumentando de freqüência e de intensidade, ocorrendo até durante o dia.


Talvez seja aí que o reside o pecado do filme e que quase o compromete: a tensão vai aumentando ao decorrer dos dias e quando estamos naquele clima de total desespero pelos personagens, o filme simplesmente acaba e se entrega a um final que certamente foi modificado pela produtora do filme, ou seja, se tivesse terminado 5 segundos antes teria sido melhor.


Quem assistiu a Bruxa de Blair sabe que esse filme não tem nada de diferente ou revolucionário, é apenas mais um filme feito com uma boa idéia e muita criatividade. Este sim é uma ótima recomendação para os masoquistas de plantão que eu citei. Ah, quanto ao que o cartaz do filme diz que não é para assistir sozinho, leve a sério.


Obs.: Este filme já está pronto desde 2007 e fez tanto barulho que a Paramount e Steven Spielberg apadrinharam para lançá-lo mundialmente. Desta forma tornou-se o filme “independente” mais lucrativo da história do cinema, superando Mudança de Hábito (sim aquele das freiras cantoras que já cansou de passar na Sessão da Tarde).


Nota: 8,0 – nunca mais vou dormir de porta aberta na minha vida.




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

10 Razões para não assistir a “Saga Crepúsculo”:

Eu, sinceramente, não tenho a menor vontade de assistir a nenhum dos filmes, nem o já lançado (Crepúsculo, 2008), nem a essa nova fita (Lua Nova, 2009). Mas não porque não gosto de filmes de vampiros, mas por conta da qualidade questionável e da super estimação de uma produção mequetrefe. Só pelo trailer já pude conferir a “qualidade” dos atores e do roteiro em sim.

A questão toda é que filme para adolescentes hoje em dia é algo bem questionável, principalmente porque a mídia tende a subestimar a mentalidade destes, não edificam em nada. É só comparar o que os adolescente assistiam, com a mesma temática, em 1987, com o bom filme Garotos Perdidos. Quem assistiu a este sabe que a história é praticamente idêntica, mas como o filme se desenvolve que as semelhanças ficam mesmo por conta da premissa.


Fuçando pela internet, achei essa lista muito legal do site http://www.popmatters.com/ de 10 razões para você não assistir a essa nova franquia de sucesso que está batendo recordes de bilheteria (infelizmente, pois isso é significado de mais filmes por aí e tendências).



Confira a lista abaixo das 10 razões para não assistir:


1. Se você não é uma garotinha de 14 anos que adora gritar de euforia. Claro, que isso quer dizer que você tem coragem de acampar por cinco dias na fila do cinema só para ter uma visão privilegiada para ver Robert Pattinson, Kristen Stewart and Taylor Lautner. Você ao menos sabe quem são eles?


2. O livro não está na sua “must read” lista. Você não apenas leu os livros dos quais o filmes são baseados, como também nem se importa de ver o filme primeiro.

3. Aversão a vampiros. Você não dá a mínima para vampiros, e mesmo que você o fizesse, você também não daria a mínima para lobisomens.

4. Você é um purista. Se tem uma coisa que eu não gosto sobre filmes de terror da atualidade é que eles mudam as regras como bem entendem. Os zumbis correm mais rápido, mas todo mundo sabe que zumbis se mexem devagar. Os vampiros se forçam a serem vegetarianos, quando todos sabem que isso é impossível. E os lobisomens nem precisam de uma lua cheia para se transformar na tal criatura. Qual é a dos produtores, hein?


5. O nome da protagonista: Bella. Se alguém diz o nome “Bella” para você, a primeira coisa que viria a cabeça na hora de soletrar seria “Bela”, como no nome do eterno interprete do Conde Drácula de 1931 – Bela Lugosi.


6. Ela não é Anne Rice. Nós não estamos fazendo um julgamento do talento como escritora da autora, Stephenie Meyer, dos livros “Crepúsculo”. É que nós fomos apresentados ao mundo dos vampiros por Anne Rice, com o seu ótimo Entrevista com Vampiro – que também virou filme com o Tom Cruise e Brad Pit. Edward Cullen, o vampiro mocinho do filme, é uma imitação barata do Lestat.


7. Vilões. Hans Gruber foi o grande vilão em Duro de Matar, Auric Goldfinger foi o grande vilão do filme do James Bond, Darth Vader foi um grande vilão nos filmes de Star Wars. Esses vilões tinham ambições. Eles queriam conquistar o mundo (ou o universo no caso de Vader). Não estavam motivados pela sede de sangue. Se alguém morresse, era apenas mais um no caminho do grande plano do vilão. Não era porque estava na hora do jantar.


8. Você é um líder, não um seguidor. A Saga Crepúsculo: Lua Nova vai arrastar milhões de dólares pelo mundo, sem mencionar o mercado caseiro de DVD's. Somente um adolescente ou um lobisomem, sentem prazer de fazer parte do bando. Eles gostam de se gabar de fazerem parte de milhões que marcharam em direção ao cinema para assistir aos filmes. Você é diferente, você prefere fazer parte de um grupo menor que sabe como gastar seu dinheiro suado.


9. “Avatar” está chegando, com a previsão de lançamento em Dezembro. Dinheiro não tá fácil nesse momento, e você quer economizar o dinheiro gasto com ingresso em um negócio mais adulto e com qualidade.


10. As filas estão muito longas, tá um saco comprar ingresso nessa época do ano.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Watchmen (2009)

Baseado nas graphic novel de mesmo nome escrita por Alan Moore, eis que sai o novo filme do nada visionário diretor Zack Snyder (título de “visionário” que foi colocado nos cartazes do filme por conta de 300) e de cara digo logo: quem leu esta série de histórias em quadrinhos, que é considerada por muitos uma obra de arte, vai curtir muito mais o filme do que aqueles que nem sabem pra onde vai.

Situado em uma versão alternativa do nosso mundo em 1985, em que a Guerra Fria está preste a deixar de ser apenas uma série de ameaças entre EUA e a União Soviética, somos apresentados logo de cara a um grupos de heróis, conhecidos como os “máscaras”, que são comuns no dia a dia das pessoas. O tempo passa e as gerações de heróis mudam, daí presenciamos o assassinato de um dos integrantes do último time de heróis após uma lei que impusera que heróis mascarados não poderiam mais atuar.


Mas qual é a diferença de Watchmen para os filmes / HQ's de super-heróis habituais? Bom, com a exceção do Dr. Manhattan, nenhum dos heróis possui realmente um grande poder, ou seja, eles estão mais próximos da nossa realidade com conflitos pessoais, fraquezas e incertezas do que apenas salvar o dia e pronto com minha super-força, raio laser, ou minha armadura super cósmica.


A graphic novel lançada nos anos 80 mudou quase que completamente a idéia que se tinha sobre o tema “herói”, pois uma narrativa mais madura foi imposta, juntando-se com outras obras como A Queda de Murdock (Demolidor) e Cavaleiro das Trevas (Batman), ambos de Frank Miller e Maus (de Art Spiegelman) respectivamente, mostrando que histórias em quadrinhos eram coisas de adulto também e não apenas de adolescentes.


Passamos a acompanhar a história dos heróis Rorschac (Jackie Earle Haley), Coruja (Patrick Wilson), Ozymandia (Mathew Goode), Malin Akerman (Espectral II), Comediante (Edward Blake) e Dr. Manhattan (Billy Cudrup) que precisam se reunir novamente para investigar a morte de um companheiro, pois Rorschac acredita que uma grande conspiração está por trás disso tudo para tirar todos os heróis do caminho. O problema de se ter um elenco tão numeroso é que nem sempre é possível trabalhar da forma correta as personalidades e histórias de cada um, por conta disso vários flashbacks são inseridos ao longo da narrativa para que possamos entender o que leva a ação de cada herói que estamos vendo naquele instante.


Infelizmente eu não li as revista, mas analisando esse material como um filme, fica claro que alguns personagens não despertaram o meu interesse e suas historinhas com cara de novela mexicana que passa no SBT. Com exceção dos monólogos do Dr. Manhattan e de Horschac (meu personagem mais intrigante e interessante), os outros parecem meros figurantes em prol de uma trama maior.


Quanto à direção de Zack Snyder, continuo afirmando que o cara não tem nada de visionário, pois algumas cenas de ação soam extremamente artificiais e não causam o mesmo impacto que algumas vistas no seu trabalho anterior (300) e até mesmo na cena de luta inicial. Ele precisa tomar cuidado para não ter os mesmos vícios que certos diretores (Michael Bay, alguém?) e ter como marca registrada certas manias (vide alguns excessos de câmera lenta). No mais, ainda gosto muito mais do Madrugada dos Mortos dirigido por ele.


Muito longo e cansativo, sempre uma adaptação não vai agradar a todos, mas certamente aqueles que querem algo mais cerebral além apenas de pancadaria gratuita e pouco papo, vão gostar. Já aqueles que não tem paciência, é melhor esperar por alguma outra coisa que não seja Watchmen.


Nota 7,0 – Vou comprar as graphic novel para ver se mudo de idéia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Besouro (2009)


Antes de mais nada, sou contra qualquer pessoa que fale mal das produções brasileiras. O cinema globalizado (entenda cinema americano) nos imprimiu certo “padrão” de qualidade que afastou a grande massa das películas da nossa terra. No entanto, ao longo dos últimos anos, principalmente após o sucesso de Cidade de Deus, as pessoas tem olhado com mais carinho para nossos produtos nacionais. Mas é uma pena que ultimamente o que tem dominado são filmes com certas temáticas, algo meio que padrão.

Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.


Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.


Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.




Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?


sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mundo não seria o mesmo sem... O Silêncio dos Inocentes (Silence of the Lambs - 1991)


Sabe quando um ator nasce para fazer um papel? Quando isto acontece geralmente a história do cinema muda e o seu nome entra para a eternidade. Foi o que aconteceu em O Silêncio dos Inocentes e o personagem Hannibal Lecter, interpretado pelo ator inglês Anthony Hopkins. Este personagem já havia sido interpretado por Brian Cox no filme Dragão Vermelho de Michael Mann, mais foi na interpretação magistral de Hopkins que esse personagem foi imortalizado. Lecter era um assassino impiedoso, conhecido como O Canibal, mas que tinha um intelecto acima da média.


Em o Silêncio dos Inocentes, filme do diretor Jonathan Demme, e baseado no livro do escritor Thomas Harris, ele é convocado por uma jovem agente do FBI, Clarice Sterling, interpretada pela também excelente Jodie Foster, para traçar o perfil do serial killer Buffalo Bill que havia seqüestrado a filha de uma Senadora dos EUA. E é nesse ponto que O Silencio dos Inocentes se torna uma obra-prima: em troca de fornecer informações sobre Buffalo, Lecter envolve Clarice em um jogo psicológico no qual a todo o momento ela deve ter cuidado para não ser manipulada. E incrível como o Diretor consegue trabalhar esta questão psicológica sem cair nos maneirismos do gênero, é um filme sobre serial killer, mas há tanta coisa envolvida que o telespectador não consegue desgrudar os olhos, mesmo não tendo uma cena de ação explícita no filme.


Este é um dos filmes mais assustadores do cinema, pelo que não mostra e pelo que deixa na mente do expectador. O filme ganhou os 5 principais Oscar da categoria: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado, todos merecidos, principalmente o trabalho de atores. Jodie Foster nos dá a sua melhor interpretação até hoje, sua personagem ao mesmo tempo em que nos passa certa fragilidade é tão durona a ponto de encarar Lecter de frente. Este que é magistralmente interpretado por um ator que dispensa comentários, Hannibal Lecter é o maior psicopata do cinema e só podemos dizer isso porque Anthony Hopkins ultrapassou a barreira das interpretações usuais, seus gestos, olhares e falas, funcionam em uma sincronia perfeita, a ponto de conduzir a história e em alguns momentos nos fazer torcer por ele. Esqueça as continuações Hannibal e Dragão Vermelho, o melhor de Lecter está aqui em o Silencio dos Inocentes, uma obra inimitável e perfeita.
Autor: Marcelo Moraes

Matrix + Superman = ?


Depois do fracasso que foi o filme de 2006, Superman Returns, os empresários da Warner estão totalmente desacreditados com a franquia do homem com cueca por cima das calças. Eu gosto do filme do Bryan Singer, não acho que esteja à altura dos dois primeiros filmes do eterno Chris Reeves e Richard Donner (que dirigiu apenas a metade do segundo), mas mesmo assim é um bom filme por nos dar a oportunidade de ver como seria o Superman com o poder dos efeitos especiais de hoje em dia. O filme talvez tenha pecado por não ter mais ação e um vilão à altura do nosso herói (como o imperador Zod).

Eu espero todos os dias por novidades de um novo filme, porque sou fã do Super e acredito no potencial que este poderia ter, com uma boa história e um bom vilão. Hoje eu me deparei com a notícia que os irmãos Wachowski estão cotados para serem os responsáveis pelo recomeço da franquia, pois em 2011 acaba o prazo para a produção de um filme já que as famílias dos criadores do Superman irão adquirir todos os direitos em cima do personagem, ficando bem difícil negociar para que outro filme seja produzido.

Os criadores de Matrix seriam apenas os produtores e o diretor seria James McTeigue (V de Vingança e do ainda inédito Ninja Assassin, todos produzidos pelos irmãos). Agora, podemos esperar boa coisa com essa galera no comando? Podemos. Principalmente porque os irmãos Wachowski gostam de trabalhar com materiais onde uma pessoa é dotada de um super poder, um escolhido. Por outro lado, também pode ser que o filme não seja bom por conta da influência do estúdio em cima do material produzido (lembre-se da diferença da qualidade do primeiro Matrix para as suas seqüências, as quais os diretores afirmaram que só fizeram para ganhar dinheiro e por influência do estúdio).

Mais uma vez uma novela em cima do maior herói de todos os tempos está se desenrolando. Está difícil acreditar novamente que um homem pode voar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

As Duas Faces da Lei (Righteous Kill - 2008)


A grande pergunta a se fazer no final deste As Duas Faces da Lei é uma só: POR QUÊ ? Não dá pra entender como duas lendas como DeNiro e Pacino aceitaram fazer esta bomba (talvez dívidas de jogo, muito ácido na cabeça ou esclerose). Simplesmente fica difícil pensar em algo racional, se é que é possível pensar em algo racional em um filme tão irracional como este.

Na trama, após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original, a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer. O mais incrível é que para rodar este filme foram gastos 80 Milhões de dólares, um alto padrão para um filme que não faz jus ao orçamento.

Mas pra entender como o cinema perdeu uma boa oportunidade de ver duas lendas do cinema juntos, vamos voltar a 1995, quando Michael Mann filmou o excelente Fogo Contra Fogo. O filme era estrelado por DeNiro e Pacino, mas para a tristeza geral os dois tinham poucas cenas juntos. Após estes filmes a qualidade dos filmes dos dois piorou, mas um futuro encontro, com mais tempo em cena, era aguardado pelos fãs. Para a infelicidade de todos coube a infeliz Millenium Filmes (ex-produtora de filmes B) reunir os dois. Poderia até dado certo se não fosse o fato de terem aprovado um roteiro tão ruim de Russell Gerwitz (do bom Um Plano Perfeito) e um diretor de quinta categoria, o apático Jon Avnet. Resultado: é um filme B que podia ser muito bem a reunião de Stallone e Seagal, um roteiro capenga com reviravoltas que até minha filha de 1 ano é capaz de sacar. Os dois mestres estão no auge da canastrice. O filme em nenhum momento se desenvolve e a cada minuto da película se atropela em clichês horríveis. Outra coisa que não dá para entender no filme é o excesso de palavrões, desnecessário e muitas vezes patético. Parece que o filme foi feito nas coxas e que o simples fato de ter os dois ícones no cartaz já seria capaz de atrair o publico. Vale lembrar que o filme foi um fracasso nas bilheterias.

No final fica um certa melancolia, uma sensação de desperdício e uma vontade louca de correr para locadora e alugar Touro Indomável e o Poderoso Chefão, nessa época sim valia a pena unir esses dois, hoje é uma grande piada de mau gosto. Oscar para DeNiro e Pacino, definitivamente não, uma camisa de força seria mais apropriada.
Autor: Marcelo Moraes

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Era do Gelo 3


Fazer sucesso financeiro é garantia de seqüência / franquia, o que nos garante o pré-requisito de ter que assistir um filme com a mesma formula do primeiro para garantir o sucesso de novos filmes. É sobre esse lema que Hollywood vive hoje, por mais que o filme progenitor seja ruim, afinal sucesso é tudo. Temos vários exemplos de franquias ruins que fizeram sucesso e garantiram inúmeras seqüências: American Pie, Aliens VS Predator (os filmes individuais são infinitamente melhores), Resident Evil (pena que a adaptação só está no nome) e etc.

Porém, para toda regra existe uma exceção, neste caso estamos falando da franquia A Era do Gelo, que começou com apenas um filme mediano, melhorando no segundo e conseguindo seu ápice neste terceiro exemplar (lançado inclusive com a técnica 3d).

A Era do Gelo foi o primeiro filme em animação da 20th Century Fox, lançando em 2002 e dirigido por duas mãos por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha, esse que veio a assumir o segundo e agora este terceiro exemplar.

Tirando leite de pedra para enriquecer os produtores de Hollywood e garantir mais um sucesso para o diretor Carlos Saldanha, que está produzindo um novo filme de animação chamado de Rio, acompanhamos mais uma vez a turma da era glacial: Sid, Manny, Diego, Ellie e seus dois irmãos (gambás) e o novo personagem Buck, uma doninha pra lá de marrenta e louca.

A história dessa vez tem um tom mais Disney de ser, ou seja, tentando e conseguindo com êxito colocar os valores familiares e da amizade acima de tudo no desenrolar dos atos. Desta vez Manny e Ellie estão à espera do seu bebê, Diego sente que está ficando molenga e decide seguir seu próprio caminho sem seus amigos por se sentir na necessidade de novas aventuras, enquanto Sid vai à busca de sua própria família encontrando ovos de dinossauro e tentando criá-los como filhos. É nessa tentativa de construir essa família um tanto quanto estranha que Sid acaba se metendo em uma enrascada quando a mãe verdadeira dos ovos acaba levando a preguiça desastrada para um mundo subterrâneo e, como diria o narrador de filmes da Sessão da Tarde da TV Globo: “arrumando grandes confusões” para seus amigos que vão tentar resgatá-lo. Ah, ainda tem o esquilo Scrat que ainda está atrás de sua noz, só que dessa vez ele conseguiu uma concorrente / aliada, uma “Scratita”, por quem acaba se apaixonando.

Por falar no Scrat, talvez nele resida a melhor sacada do filme: o seu encontro com a esquilinha sexy. A cena do tango é simplesmente genial. Ah, fato curioso: quando estava assistindo ao filme em uma sessão lotadíssima, com gente de tudo quanto é tipo e crianças que ficavam gritando ao longo do filme, que ouvi uma pérola de um “folião” na cena que citei: “ahahaha, eles estão dançando valsa”. É pra se matar e pedir que o enterre de barriga pra baixo para não ter risco de voltar.

Superior aos dois primeiros filmes, este novo A Era do Gelo vai deixar qualquer um satisfeito ao sair do cinema. Não é nenhuma obra prima, mas exerce bem o seu papel. Um filme feito pra família, que pode divertir tanto a criançada quanto aos adultos. Mas por favor, já chega de sequências desnecessárias.

Nota: 8,0 – Vale o ingresso!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O mundo não seria o mesmo sem... O Poderoso Chefão


A trilogia O Poderoso Chefão é um marco do cinema, revolucionou os filmes de gangsteres e foi o primeiro filme a ganhar dois Oscars no primeiro e no segundo longa. O primeiro filme lançado em 1971 era o inicio da saga da família Corleone no cinema, escrito e dirigido pelo então novato (apesar de já premiado com um Oscar pelo roteiro de Patton) Francis Ford Coppola, o filme era baseado no livro de Mario Puzo, The Godfather. O primeiro filme é arrebatador, Marlon Brando que interpreta o chefão Vito Corleone dá um show de interpretação, apoiado por um elenco que ainda incluía James Caan, Robert Duvall, Tália Shire, John Cazale e Diane Keaton. Nesta primeira parte da trilogia vemos como o até então deslocado filho de Vito, Michael (Al Pacino), entra no submundo da máfia para vingar o seu pai que havia sofrido um atentado. A Cena de James Caan sendo cravado de balas é uma imagem para ficar na história do cinema, bem como as cenas finais no qual Michael Corleone se torna o novo Chefão através de uma série de mortes, que tem como pano de fundo a trilha sonora inesquecível de Nino Rota. Este primeiro filme fala sobre conspirações, vingança e em nenhum momento as cenas são gratuitas, tudo faz parte uma grande história que estava apenas começando.




No segundo filme Copolla decide inovar, faz um prequel e ao mesmo tempo narra a ascensão de Michael no mundo do crime. Início do século XX, após a máfia local matar sua família, o jovem Vito (Robert De Niro) foge da sua cidade na Sicília e vai para a América. Já adulto, em Little Italy, Vito luta para ganhar a vida (legal ou ilegalmente) para manter sua esposa e filhos e com isso vai crescendo no mundo da máfia. Um legado de família que vai até os enormes negócios que nos anos 50' são controlados pelo caçula, Michael Corleone (Al Pacino). Agora baseado em Lago Tahoe, Michael planeja fazer por qualquer meio necessário incursões em Las Vegas e Havana, porém, também descobre que sua ambição acabou com seu casamento com Kay (Diane Keaton) e até mesmo seu irmão Fredo (John Cazale) o traiu. Escapando de uma acusação federal, Michael concentra sua atenção para lidar com os seus inimigos. Esta segunda parte consegue ser melhor que o primeiro filme, sendo a cena em que Michael manda matar seu irmão é de arrepiar, até hoje não sei como Al Pacino não ganhou um Oscar por esse filme, o seu personagem é sombrio e nada lembra o personagem do inicio do primeiro filme. É perceptível como o poder mudou a sua personalidade, interpretação de Pacino é superior a de Brando, infelizmente só DeNiro foi premiado.



O Terceiro filme é o mais fraco de todos, mas ainda é superior a muitos filmes do gênero, mais uma vez a academia ignorou Al Pacino que neste filme nos entrega outra grande interpretação, prova disso é a cena em que ele se confessa com um padre por ter matado seu irmão. O terceiro filme é desfecho da saga da família Corleone e mostra Michael dando sua última cartada para tentar transformar em legais os negócios da família. Andy Garcia faz um filho bastardo de Sonny Corleone (James Caan) e que pode ser o sucessor de Michael. Porém estes filmes têm algumas coisas que incomodam: o primeiro é o fato de que o papel da filha de Michael, primeiramente foi oferecido a Wynona Ryder que iria interpretar Mary Corleone, porém, com a desistência de Ryder, Sofia Coppola (filha do diretor) assumiu o papel, sua interpretação é sofrível e deixa a trama um pouco arrastada. Outro ponto negativo são as repetições de algumas situações já abordadas no 1º e 2º filme como as mortes em seqüências, morte na família Corleone e as conspirações no mundo da máfia. Mesmo assim o filme é fantástico e encerra de forma digna esta trilogia.A trilogia O Poderoso Chefão são filmes que dão gosto de ver, que marcam a sua vida e é uma aula de cinema, uma obra-prima que deve ser guardada como uma relíquia sagrada, sem exageros, porque nunca Hollywood vai conseguir repetir essa façanha que o jovem Francis Ford Copila conseguiu. É um trabalho magistral, um épico moderno que cinema e público consagraram, o mundo do cinema não seria o mesmo sem o Poderoso Chefão, uma trilogia perfeita que mostra como o poder é capaz de transformar as vidas das pessoas, seja em uma família de mafiosos ou na nossa humilde família, os laços que unem pais, irmãos por mais fortes que sejam. Talvez não resistam ao poder no qual o homem pode ter nas mãos. Se você não tem este filme em DVD, corra para uma loja e compre, aproveite que está sendo lançada uma nova versão chamada O Poderoso Chefão-Restoration, item obrigatório para qualquer fã da sétima arte.
Autor: Marcelo Moraes