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terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Grande Mestre (Ip Man – China, 2008)


Sou suspeito de comentar sobre filmes de artes marciais, não tenho como negar que crio muita expectativa em torno dos atores presentes nos filmes e o desenrolar das histórias, dando sempre margem a uma boa e velha pancadaria com estilo.

Com este o Grande Mestre não me decepcionei nem um pouco, talvez muito por conta do seu protagonista Ip Man, interessante figura que realmente existiu e um foi dos maiores mestres das artes marciais de Wing Chun (estilo de luta vertente do kung fu). Ip Man ficou mais conhecido internacionalmente por ter sido um dos mestres de nada mais do que Bruce Lee.

Situando-se em uma China no final dos anos 30, mais precisamente em Fushan, começa então a invasão Japonesa que joga o país em uma grande miséria que afeta a todos os seus habitantes, a partir daí Ip Man se viu obrigado a ‘desistir’ do seu kung fu para tentar sobreviver junto de sua família trabalhando para tirar seu sustento. Talvez esse seja o grande ponto forte do filme, história tensa de como o povo conseguiu sobreviver a tirania japonesa (retratada de maneira bastante cruel por sinal) no período pré Segunda Guerra Mundial, tornando ainda mais crível as investida do homem outrora invencível em um ser humano como qualquer outro.

Um filme de artes marciais não se sustenta sem um grande protagonista, neste caso Donnie Yen, mesmo sendo um ator sem muita expressão, se sai muito bem ao conseguir passar o ar sério, mas ao mesmo tempo bondoso de um homem de família. Interessante a mudança que ele passa do começo do filme para a segunda metade: de um homem orgulhoso dentro dos seus princípios - como comenta um dos personagens ao oferecer ajuda: ‘Ele não gosta de dever favores’- para a uma pessoa que passa a lutar pela honra do seu país nem que para isso ele tenha que arriscar a própria vida.

Tive a oportunidade de assistir a alguns filmes de Donnie Yen e já havia percebido que o cara é bom demais, tão bom quanto um Jet Li ou Jackie Chan. Falando no primeiro, ele é um dos protagonistas junto de Jet Li no filme Herói (2002) de Zhang Yimou e demonstra que realmente é um dos maiores atores de ação da atualidade (mesmo se limitando ao mercado asiático).

Se o lutador é bom, então as lutas são boas? SIM! As lutas são um show a parte, pois podemos perceber tanto nas coreografias quanto na intensidade dos combates ao mostrar o quão poderoso é o tal do Wing Chun. Destaco a cena em que Ip Man desafia dez lutadores japoneses dentro de um dojo. Simplesmente uma das melhores lutas que já vi.




Duas coisas chamaram a minha atenção também foram as lutas usarem poucos recursos de cabos, o famoso wire-fu (Matrix?), o que acaba dando uma maior credibilidade nos movimentos e deixando a artificialidade de lado. Outro foi a maquiagem, pois ao receber qualquer dano que seja, ela é retratada logo com um rosto inchado ou um beiço sangrando, vermelhidão, etc.

Outro grande ponto a favor são os efeitos sonoros bem posicionados e contando ainda com uma trilha sonora típica dos filmes orientais que muito acrescenta à experiência, ou seja, sutil  e impecável.

Para você que é fã de filmes de artes marciais ou até mesmo está em busca de uma história suficientemente boa sobre superação e honra, O Grande Mestre realmente é uma entretimento garantido.

Agora com licença que vou bem ali treinar o meu Wing Chu...

Nota – 9,0 – Ainda tem o 2 e uma pré-sequencia, acho que vou acabar me decepcionando.



Assita também:

Herói
SPL – Sha Po Lang (Killzone)
O Mestre das Armas
Dragão – A História de Bruce Lee

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os Invencíveis (The Good, the bad and the weird - 2008)


A primeira vez que li sobre este filme coreano, ele estava em fase de pós-produção e grandes perspectivas de pintar por aqui pelo ocidente. Mas o que esse filme tinha de especial? Simplesmente o fato dele ser um remake de um dos filmes que eu considero uma obra prima do cinema e, por consequência, um dos integrantes da minha lista de melhores filmes que já vi.

Porém, ao assisti-lo, vi que não se tratava de simplesmente um remake, mas sim de uma releitura com elementos orientais, adaptando algumas situações do original Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) e dando um certo frescor ao gênero de filmes de faroeste.

Já podemos notar certas diferenças e semelhanças do original a partir da própria sinopse, onde temos aqui como plano de fundo a Coréia do Sul no final dos anos 30 dominada pelos Japoneses ao invés da luta pela independência Americana entre os Confederados com os Sulista. Vemos o desenrolar da história de três fora-da-lei em busca de um mapa que leva a um tesouro perdido. Esse mapa é roubado por Tae-goo (o ‘bizarro’ do título) sem querer, o que acaba por atrair Chang-yi (o ‘mal’) que tinha como intuito recuperar este mapa que estava destinado aos japoneses, devolvendo-o aos coreanos. Por Chang-yi ser um fora-da-lei procurado e com sua cabeça à prêmio, o caçador de recompensas Do-won (o ‘bom’) vai atrás dele para conseguir o tal dinheiro prometido, acarretando no envolvimento dos três com determinações diferentes.


O que impressiona com este filme é o seu valor de produção, pois é um dos filmes mais caros da história do cinema coreano com míseros R$17 milhões, valor pífio para uma produção americana. É praticamente um Leonardo DiCaprio pelo filme.

Podemos ver que todo o dinheiro foi muito bem gasto justamente na melhor cena do filme: a perseguição no deserto é simplesmente genial e dura quase 20 minutos ao som de ‘Don’t Let me Misunderstood’ do Santa Esmeralda. Impressionante como essa música combina com filmes do gênero, afinal até o Tarantino a usou no Kill Bill.


O filme se sustenta de maneira consistente no seu trio principal, cada um com suas características marcantes, com perfis psicológicos e motivações bem claras. Os personagens secundários também não deixam o nível cair, cada um claro dentro das suas limitações de tempo e importância dentro da trama principal.

Porém este filme peca justamente nos quesitos que são primorosos no original: a direção segura de Sergio Leoni e a trilha sonora épica Ennio Morricone. O diretor Jee-woon Kim sofre do mesmo mal dos diretores da atualidade em tremer demais a câmera nos momentos de ação, fazendo com que não entendamos alguns movimento dos personagens que estão ali em cena. Já a trilha, tirando a música já citada, não tem grande impacto ao longo da projeção.



Outra coisa que me incomodou um pouco foi o fato de terem feito um código (cheat) de vídeo game para que a munição das armas nunca acabassem, soando meio artificial como nos filmes de ação dos anos 80 e 90 (Charles Bronson, alguém?). Talvez tenha sido de certa forma proposital, pois o filme acaba se intitulando também como uma ‘paródia’ dos westerns.

Mas estes fatores não são suficiente para tirar o brilho deste filme impressionante por ser uma grata surpresa e não fazer feio ao legado criado pelos westerns spaghettis que tanto admiro.

Contando com um final impressionante, Os Invencíveis (que nome mais genérico dos distribuidores brasileiros) é uma diversão do mais alto nível feito por alguém que realmente gosta de filmes do gênero, dando assim uma alma própria apesar de se basear em um grande clássico do cinema.

Nota – 9,0 – Que saudade dos filmes do Clint...

Assista também:

Três Homens em Conflito
Western Sukiyaki Django
Kill Bill
O Dólar Furado
Os Indomáveis

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Super 8


O que podíamos esperar quando a mente brilhante de Spielberg se junta com uma das mentes mais criativas da atualidade? Bem, eu achava que iria ser um encontro épico, pois teríamos a invencionice e criatividade do pai de Lost, J. J. Abrams, com os toques de genialidade do pai do E.T., mas o que eu acabei vendo foi uma grande homenagem aos filmes que cresci assistindo durante a minha infância e nada mais.

O filme tem todos os elementos que fizeram os filmes famílias dos anos 80 um sucesso, como E.T. e os Goonies, sendo que ainda sobrou um pouco para Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Falando em Os Goonies, não tem como não lembrar por conta do tom do início do filme que é praticamente o mesmo deste ‘clássico’ (da Sessão da Tarde).

Porém o filme fica somente nisso mesmo, homenagens e mais homenagens, esquecendo de ser um pouco mais original, inclusive ao ‘monstro’ que era uma mistura de Cloverfield com o General Grievous de Star Wars. Destaco como positivo o efeito especial do acidente de trem e o elenco principal, personagens de Joel Courtney (Joe) e Ellen Fanning (Alice).

 Talvez tenha faltado um requinte maior no roteiro por conta de alguns buracos e de dar um pouco mais de personalidade aos personagens secundários, limitados a meros estereótipos.

Confesso que me diverti mais quando os amigos estavam filmando um filme sobre zumbis em uma clara homenagem ao filme Madrugada dos Mortos do George Romero.

Por ironia um dos personagens fala em ‘valor de produção’, algo que realmente ficou faltando por aqui.

Nota - 6,0 - J.J. Abrams concentre-se em Star Trek e Spielberg no Tintim


Veja Também:

Conta Comigo
Os Goonies
Madrugada dos Mortos (1968)
E.T.


domingo, 22 de agosto de 2010

A Origem (Inception, 2010)

O novo filme de Christopher Nolan (Batman Begins, Cavaleiro das Trevas) pode ser definido como cinema na sua essência: criar um mundo imaginário onde podemos tudo. Essa definição ficou ecoando na minha cabeça ao terminar de assistir a mais um grande filme deste diretor que vem acertando a mão em seus filmes e tem tudo para ser (se já não é) um dos grandes nomes da sétima arte.

Ver o retrospecto de suas obras é basicamente passear por filmes que tem como base a mente humana, o psicológico. Ao total são sete filmes: Following, Amnésia, Insônia, Batman Begins, O Grande Truque, Cavaleiro das Trevas e o mais recente A Origem. Desses todos citados, Amnésia ainda é a sua obra de arte, filme indispensável para a coleção de qualquer cinéfilo. Porém, o que mais chama a atenção não é a temática, mas sim a qualidade dos seus trabalhos e a firmeza com a qual a trama é regida, pois não há um filme sequer desta lista que podemos definir como apenas mediano.

A sinopse deste filme foi escondida por Nolan a sete chaves desde a sua concepção até o início da divulgação e campanhas de marketing. Nesta trama seguimos os passos de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, excelente como sempre), um experiente ladrão de informações que age de maneira peculiar ao  extrair valiosos segredos do subconsciente das pessoas durante o sono, dentro dos seus sonhos. Com isso, por ser um espião, seus métodos peculiares passaram a ser conhecido no submundo do crime e do mundo corporativo, o que faz com que ele se transforme em um fugitivo internacional, resultando no abandono das pessoas que mais amava: seus filhos. Agora Cobb possui um último trabalho que pode fazer com fique isento de todos os seus crimes e possa voltar para casa: realizar a missão impossível de implantar uma idéia, não extrai-la.

A partir disso temos um filme clássico de roubo com cara de Onze Homens e um Segredo: a montagem da equipe e o plano perfeito. No elenco temos também Marion Cotillard (Piaf), Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela), Ellen Page (Juno) e Michael Caine (sem comentários).

A Origem é um filme praticamente impecável, mas o seu ponto negativo não é necessariamente o filme, mas o seu conteúdo que é bastante rico, ou seja, muitas informações são jogadas na tela fazendo com que os espectadores menos atentos se percam. Aliás, informações essas que poderiam ser exploradas de outras formas, como uma HQ ou livro, dando mais liberdade para trabalhar as idéias, enriquecendo um mundo que por si só já é bastante complexo.

O filme todo é um emaranhado de informações que se conectam à medida que a trama se desenrola. Este talvez seja o grande barato dessa produção, juntar as peças para que se encaixem como um grande quebra-cabeça, até mesmo as cenas de ação contam com um toque de arte mais refinado, destacando-se a cena de luta em gravidade zero.

Não vou entrar em detalhes, pois comentar além do que falei aqui pode gerar muitos spoilers que possam estragar a experiência que é assistir a este filme. No mais, ele é passível de interpretações por conta do final que fica em aberto, ou seja, nada de uma verdade absoluta. Saberemos quando Chis Nolar disser em público, algo que acho bem difícil.

De uma coisa eu tenho certeza é de que este filme estará concorrendo na corrida pelo Oscar de melhor roteiro original, pois como mencionei antes, este é um belo exemplo daqueles filmes que te fazem pensar por dias e até mesmo por semanas. Em tempos em que a criatividade de Hollywood está lá embaixo, só temos mesmo que agradecer por mais uma grande experiência de assistir a um filme bom sem medo de estar sonhando.

Nota: 9,0 – Que venha o Batman 3!

Assista também:
Amnésia
Onze Homens e um Segredo
O Plano Perfeito
A Cela
O Grande Truque

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)

A adolescência é uma época que marca demais a nossa vida, pois é a idade em que passamos a ver o mundo com outros olhos e deixamos de lado todas as nossas experiências enquanto criança, ou seja, mudamos completamente os nossos interesses. Mas o que faz desse ciclo algo tão especial são os amores, as paixões e os amigos que ficam ao longo do caminho.
 

É muito difícil encontrar diretores de cinema ou de televisão que conseguem captar como os adolescentes são e como eles se comportam, principalmente porque quem está de trás da câmera é alguém que já cresceu e que pode vir a ter uma visão distorcida do que é realmente ser um adolescente e os conflitos gerados por essa idade. É diferente de assistir a um American Pie que a maioria dos adolescentes (interpretados por gente com quase o dobro de idade) só fazem besteiras e situações extremamente absurdas com um único intuito de fazer ri

Quando a temática é suficientemente verdadeira, passamos a nos identificar com as personagens que estão na tela, acreditamos no que estamos vendo. É algo muito bom quando temos a impressão que os acontecimentos dali podem ter sidos baseados (e foram) em experiências reais, vemos que o material tem coração e alma. Nesse quesito podemos ficar contentes em saber que Greg Mottola, mesmo diretor de Superbad – É Hoje, consegue assinar mais um filme que vai deixar a sua marca nos filmes do gênero.

Ao contrário de Superbad, Mottola não investe desta vez no humor, mas sim no drama. Por conta disso, algumas pessoas que assistiram a este filme achando que iriam ver outro Superbad, enganaram-se. Isso é bom pra mostrar que diferentemente de Judd Apatow, que produziu seu filme anterior, Mottola consegue dirigir algo que seja diferente de uma comédia, mostrando suas habilidades em lidar com temáticas diferentes.

A trama se passa no ano de 1987, ano em que James Brennan (interpretado por Jesse Eisenberg, irmão-gêmeo-de-Michael-Cera-separados-no-parto) se forma no colégio. Ao ficar frustrado por não poder ir à Europa com seu amigo por conta de um problema financeiro de seus pais, ele acaba conseguindo emprego num parque de diversões. Além dele, estão no elenco Kristen Stewart (a Bela de Malhação com Vampiros... ops, Crepúsculo), Ryan Reynolds (Blade Trinity), Bill Hader e Kristen Wiig (ambos do Saturday Night Live).

O que mais me chamou a atenção neste filme foi a forma verdadeira que todos as personagens foram construídas, podemos até fazer uma análise psicológica de cada um deles para entendê-los melhor. Tudo bem, a maioria deles são estereótipos (o garoto viergem e romântico, a menina abandonada pelo pai, o nerd que não consegue arranjar ninguém, o amigo idiota do virgem, a menina bonita que todos desejam, etc.), mas que em momento algum deixam de ter sua parcela de importância ao longo da produção, estão lá de maneira orgânica para fazer parte da trama e não simplesmente para parecer “real”. Outra coisa bem legal é como a trilha sonora se encaixa perfeitamente e é bem explorada com as músicas da época.

Talvez onde resida o ponto fraco deste filme é o público-alvo, ou seja, nem todos vão se identificar com as pessoas e os fatos que ocorrem, principalmente por serem datados (final dos anos 80) e todo aquele clima que o filme proporciona. Vai ser muito mais relevante para muitos daqueles que viveram essa época ou pelo menos parte dela.

Podemos resumir Férias Frustradas de Verão (não consigo parar de pensar nos filmes do Chevy Chase  com esse nome em português) como um passeio em um parque de diversões: com os seus altos e baixos, mas algo que vai ficar por muito tempo na sua mente como uma ótima experiência na sua vida.


Nota – 8,0 – Se tiver passando, assisto de novo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Toy Story 3 (2010)

Olá, meus amigos. Que bom vê-los novamente!

Este post tem um duplo sentido: primeiro que marca a minha volta aos posts neste blog que há tempos não atualizo e segundo porque, ao assistir a Toy Story 3, fiquei com este sentimento ao longo das quase 2 horas de filme.

Ao ver aqueles “rostos” de novo, fiquei com o mesmo sentimento de quando revemos grandes amigos que há muito tempo não víamos. É justamente aí que reside a grande força deste novo projeto da Pixar: as escolhas do diretor Lee Ulkrich e do produtor John Lasseter se mostram extremamente adequadas desde o início, mostrando cada personagem por vez em uma grande aventura (uma brincadeira de criança), apresentando-os como grandes protagonistas e não simplesmente jogando-os na tela para que lembremos instantaneamente. E, mesmo ao longo da produção, não temos a menor idéia do que esperar do destino daqueles brinquedos, não se rendendo a nenhum momento aos típicos clichês.

Eu particularmente não esperava muito deste filme, uma vez que considero o segundo uma das minhas animações favoritas. Seria um desafio muito grande por parte da Pixar trazer algo de qualidade novamente e dar um desfecho a esta estória tão maravilhosa (e inesperada). Trauma esse que fiquei acostumado com trilogias, pois os terceiros filmes geralmente seguem a tendência de ser o mais fraco (Alien, Exterminador do Futuro, Homem Aranha, De Volta para o Futuro, etc.).

É interessante salientar também que, se formos analisar o tempo do primeiro filme até este terceiro, temos exatamente 15 anos, quase que tempo real ao crescimento de Andy, o dono dos brinquedos, e o tempo de produção dos filmes. O primeiro focou no momento em que a criança tem a mente mais fértil e os brinquedos são parte importante da vida; o segundo Andy já havia crescido um pouco e os brinquedos já não faziam tanto parte da vida dele; já no terceiro Andy já está indo para a faculdade, ou seja, os brinquedos ou vão ser jogados no lixo ou irão ser doados para a caridade (ou para a creche, que é o caso do filme).

E é aí que reside a coragem dos roteiristas Michael Arnd (o mesmo de Pequena Miss Sunshine) em dar um final a história (coisa que a Disney não queria, por ser a detentora dos direitos da franquia), não deixando amarras para um quarto filme. Se há uma coisa que os três filmes não seguem é a famosa “fórmula do sucesso” que animações como Shrek e Era do Gelo repetem ao longo de suas seqüências. É nesse quesito que podemos aplaudir de pé a trama que se cria a partir de um argumento simples, desde o primeiro filme. O que quero dizer é que se formos imaginar este terceiro filme com personagens em carne e osso, mesmo assim funcionaria muito bem, com direito a intrigas muito bem elaboradas e reviravoltas na trama. Vou até fazer uma comparação irresponsável com o filme Um Sonho de Liberdade.

Quanto à qualidade técnica do filme é algo indiscutível, pois é perceptível o cuidado com os mínimos detalhes: repare como os brinquedos sofreram algum tipo de desgaste ao longo desses anos, os brinquedos “novos” e principalmente à creche. Esta, por sinal é merece um destaque maior pela recriação fantástica e pela riqueza de detalhes, principalmente de como a luz que adentra no ambiente, assumindo um papel fundamental para que o lugar se pareça extremamente acolhedor e feliz. Quanto ao O 3D, este desempenha um papel de coadjuvante, pois ele apenas serve para embelezar o que já é belo por natureza, surgindo como um elemento a mais, agindo de maneira orgânica e que não fica se utilizando de técnicas muito comuns nos filmes convertidos em 3D que é de ficar jogando coisas na tela para que o espectador tome sustos alheios.

Para finalizar, gostaria de ressaltar que a Pixar tem sido para essa nova geração algo que a Disney deixou de lado nos últimos anos: a magia dos desenhos. Claro que a tecnologia é diferente do que aqueles feitos à mão, mas o poder de trazer à tona vários sentimentos em único longa é algo que devemos aplaudir de pé esse povo comandado por John Lesseter e companhia.

São quinze anos de Toy Story, mas que, assim como os brinquedos de Andy jamais deixarão de fazer parte da sua vida e memória, estes filmes também farão parte das nossas na vida real.

Nota: Assista no cinema e compre o DVD - 10,0

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os Goonies (The Goonies, 1985)



Relembrar o passado é sempre bom, ainda mais de uma época tão boa quanto a nossa infância. Digo isso, pois encontrei em promoção alguns DVD's, em sua maioria antigos, um certo filme que marcou a infância de várias crianças do mundo todo que nasceram nos anos 80 e que logo fiquei empolgado em adquirir. Estou falando de Os Goonies, produzido por Steven Spielberg e dirigido por Richard Donner (Super-homem – O Filme).




Mais diante disso me vieram várias perguntas: o que define um clássico? Seria a sua qualidade indiscutível ou seria a sua legião de fãs? Acho que o que denota um clássico são os fãs que ela possui e a força que continua com o passar dos tempos, não apenas um marola de férias (Crepúsculo, alguém?). A riqueza de sua história e o envolvimento são fatores marcantes, mas também o que fica latente nesta questão é o sentimento que estas produções despertam nas pessoas, ou até mesmo épocas que te fazem recordar de algo ou de alguém.




Os Goonies é lembrando por muitos como um clássio da Sessão da Tarde, mas é claro que ele é muito mais do que isso. Eu definiria os Goonies como um passeio no parque de diversões, no qual você experimenta todos os brinquedos temáticos que ele tem pra te oferecer. Portanto, tem tudo o que uma criança gosta e que fica no seu imaginário. Quem nunca inventou histórias de piratas e caças ao tesouro? Quem nunca quis ser como um Indiana Jones?




Somos apresentados a várias famílias que estão preste a perder suas casas, já que o bairro vai ser demolido. É aí que os Goonies (nome dado ao clube dos amigos por conta da região em que vivem) acham um mapa do tesouro de Willy Caolho que talvez possa salvar as casas e manter todos os amigos juntos.




O grande barato dessa produção é o seu elenco: Mikey (o mocinho sonhador), Brand (o irmão mais velho), Bolão (o gordinho e desastrado da turma que só pensa em comer), Bocão (o Bart Simpson da turma), Andy (a garota romântica), Stef (a amiga racional de Andy), Dado (o inventor) e Sloth que se junta ao longo da aventura. É notório como o elenco é homogêneo e todos soam verossímeis, parecendo como qualquer um de nós enquanto crianças. O que não convence muito é a gangue dos Fratelli, seguindo o perfil de criminosos bobalhões à la Esqueceram de Mim, que passam a persegui-los.




Dirigido com competência de Richard Donner, o que chama bastante a atenção é o clima frenético que o filme toma a partir do seu segundo ato, no momento que eles entram na caverna e começam a procura do tesouro pirata. Outro fator de destaque é a belíssima trilha sonora que dá o tom certo a esta caçada.




Os Goonies é um filme que marcou, novamente eu cito que não por conta dos seus aspecto técnico que em alguns momentos são questionáveis, mas sim pelo sentimento e a felicidade de reencontrar a sua infância, um espelho de si mesmo em 140 minutos de boa diversão e muita aventura, seja até qual for a sua idade.




Nota: 8,0 – Sloth!



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sempre ao Seu Lado (Hachiko: A Dog's Story, 2009)


História com animais sempre me comovem, mas não aqueles filmes em que os bichos (cachorros e macacos falantes em sua maioria) aprontam muitas confusões. Seguindo a “fórmula” de amor entre o homem e seu cachorro de Marley e Eu , eis que chega aos cinemas neste natal o filme Sempre ao Seu Lado, baseado em uma lenda japonesa e um remake de 1987.



Acompanhamos a história de um professor universitário, Parker Wilson (Richard Gere), que encontra um cachorrinho, da raça Akhita, abandonado e o leva pra casa, iniciando assim uma forte relação de amor e lealdade. A diferença desta relação entre dono e cão é que todos os dias Hachiko (nome dado devido à uma letra japonesa na coleira do cachorro que significa 8), acompanha seu dono até à estação de trem e o espera até sua volta do trabalho.




Dirigido com certa obviedade por Lasse Hallström (mais conhecido por filmes como Dia de Cão, Chocolate e Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador), Sempre ao Seu Lado é um filme genérico, com diálogos genéricos e atuações no ponto morto na ladeira dos seus protagonistas, pois o que realmente importa aqui é o fim que levará a trágica história do cachorrinho. História essa que é muito conhecida no seu país de origem e quem conhece já sabe que vai chorar (e muito) ao longo de uma hora e meia de projeção.




A grande mensagem deste filme reside na mensagem em si: a lealdade. Acho que é o tipo de sentimento muito comum entre cão e dono, mas muito difícil de se conseguir entre pessoas, pois o mundo em que vivemos hoje, passar por cima dos outros é mais fácil do que se sacrificar por outro ser humano. Vivemos em uma sociedade que esqueceu o verdadeiro sentido da amizade. Este filme veio com essa finalidade, mostrar que o amor rompe a barreira do tempo, pois algo mais forte nos une nesse mundo. Não posso contar mais nada além disso, porque senão estraga o sentido do filme, porém vou logo avisando: leve um lenço pra não fazer feio na frente de tanta gente.




Nota: 7,0 – Genérico, mas que faz qualquer marmanjão chorar feito criancinha.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007)

O medo é um sentimento meio que masoquista, assistir a um filme de terror é pedir para sentir aquele arrepio na espinha e pular da poltrona. Para aqueles que adoram roer as unhas de tensão, chega o filme Atividade Paranormal.


Rodado com câmeras caseiras, este que a muito se assemelha à Bruxa de Blair pela sua estrutura narrativa, Atividade Paranormal assume este tom de mockumentary (falso documentário) para contar a história de um casal, Katie e Micah, que começam a presenciar atividades estranhas na sua nova casa e resolvem comprar uma câmera para registrar tais eventos.


O que mais chama a atenção nesta produção é o fato da mesma ter sido rodado com apenas $ 15.000,00 e faturado mais de $100.000.000,00. O diretor Oren Peli, a partir de uma idéia básica que ele afirma ter vivido, praticamente já garantiu seu fundo de garantia para a aposentadoria, mas parece que não vai parar por aí.


Ao longo da projeção vamos aos poucos sendo apresentados ao tal fenômeno, que por sua vez um especialista chamado por Katie afirma não se tratar de um fantasma, mas sim de um demônio que a persegue desde que ela era pequena, o que a impede de se mudar.


O grande barato desde filme reside de nunca vermos o tal demônio que assombra a casa, pois em produções japonesas e americanas somos logo abordados por fantasmas de criancinhas cabeludas e pálidas. E à medida que o filme vai se desenrolando os fenômenos vão aumentando de freqüência e de intensidade, ocorrendo até durante o dia.


Talvez seja aí que o reside o pecado do filme e que quase o compromete: a tensão vai aumentando ao decorrer dos dias e quando estamos naquele clima de total desespero pelos personagens, o filme simplesmente acaba e se entrega a um final que certamente foi modificado pela produtora do filme, ou seja, se tivesse terminado 5 segundos antes teria sido melhor.


Quem assistiu a Bruxa de Blair sabe que esse filme não tem nada de diferente ou revolucionário, é apenas mais um filme feito com uma boa idéia e muita criatividade. Este sim é uma ótima recomendação para os masoquistas de plantão que eu citei. Ah, quanto ao que o cartaz do filme diz que não é para assistir sozinho, leve a sério.


Obs.: Este filme já está pronto desde 2007 e fez tanto barulho que a Paramount e Steven Spielberg apadrinharam para lançá-lo mundialmente. Desta forma tornou-se o filme “independente” mais lucrativo da história do cinema, superando Mudança de Hábito (sim aquele das freiras cantoras que já cansou de passar na Sessão da Tarde).


Nota: 8,0 – nunca mais vou dormir de porta aberta na minha vida.




terça-feira, 24 de novembro de 2009

Watchmen (2009)

Baseado nas graphic novel de mesmo nome escrita por Alan Moore, eis que sai o novo filme do nada visionário diretor Zack Snyder (título de “visionário” que foi colocado nos cartazes do filme por conta de 300) e de cara digo logo: quem leu esta série de histórias em quadrinhos, que é considerada por muitos uma obra de arte, vai curtir muito mais o filme do que aqueles que nem sabem pra onde vai.

Situado em uma versão alternativa do nosso mundo em 1985, em que a Guerra Fria está preste a deixar de ser apenas uma série de ameaças entre EUA e a União Soviética, somos apresentados logo de cara a um grupos de heróis, conhecidos como os “máscaras”, que são comuns no dia a dia das pessoas. O tempo passa e as gerações de heróis mudam, daí presenciamos o assassinato de um dos integrantes do último time de heróis após uma lei que impusera que heróis mascarados não poderiam mais atuar.


Mas qual é a diferença de Watchmen para os filmes / HQ's de super-heróis habituais? Bom, com a exceção do Dr. Manhattan, nenhum dos heróis possui realmente um grande poder, ou seja, eles estão mais próximos da nossa realidade com conflitos pessoais, fraquezas e incertezas do que apenas salvar o dia e pronto com minha super-força, raio laser, ou minha armadura super cósmica.


A graphic novel lançada nos anos 80 mudou quase que completamente a idéia que se tinha sobre o tema “herói”, pois uma narrativa mais madura foi imposta, juntando-se com outras obras como A Queda de Murdock (Demolidor) e Cavaleiro das Trevas (Batman), ambos de Frank Miller e Maus (de Art Spiegelman) respectivamente, mostrando que histórias em quadrinhos eram coisas de adulto também e não apenas de adolescentes.


Passamos a acompanhar a história dos heróis Rorschac (Jackie Earle Haley), Coruja (Patrick Wilson), Ozymandia (Mathew Goode), Malin Akerman (Espectral II), Comediante (Edward Blake) e Dr. Manhattan (Billy Cudrup) que precisam se reunir novamente para investigar a morte de um companheiro, pois Rorschac acredita que uma grande conspiração está por trás disso tudo para tirar todos os heróis do caminho. O problema de se ter um elenco tão numeroso é que nem sempre é possível trabalhar da forma correta as personalidades e histórias de cada um, por conta disso vários flashbacks são inseridos ao longo da narrativa para que possamos entender o que leva a ação de cada herói que estamos vendo naquele instante.


Infelizmente eu não li as revista, mas analisando esse material como um filme, fica claro que alguns personagens não despertaram o meu interesse e suas historinhas com cara de novela mexicana que passa no SBT. Com exceção dos monólogos do Dr. Manhattan e de Horschac (meu personagem mais intrigante e interessante), os outros parecem meros figurantes em prol de uma trama maior.


Quanto à direção de Zack Snyder, continuo afirmando que o cara não tem nada de visionário, pois algumas cenas de ação soam extremamente artificiais e não causam o mesmo impacto que algumas vistas no seu trabalho anterior (300) e até mesmo na cena de luta inicial. Ele precisa tomar cuidado para não ter os mesmos vícios que certos diretores (Michael Bay, alguém?) e ter como marca registrada certas manias (vide alguns excessos de câmera lenta). No mais, ainda gosto muito mais do Madrugada dos Mortos dirigido por ele.


Muito longo e cansativo, sempre uma adaptação não vai agradar a todos, mas certamente aqueles que querem algo mais cerebral além apenas de pancadaria gratuita e pouco papo, vão gostar. Já aqueles que não tem paciência, é melhor esperar por alguma outra coisa que não seja Watchmen.


Nota 7,0 – Vou comprar as graphic novel para ver se mudo de idéia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Besouro (2009)


Antes de mais nada, sou contra qualquer pessoa que fale mal das produções brasileiras. O cinema globalizado (entenda cinema americano) nos imprimiu certo “padrão” de qualidade que afastou a grande massa das películas da nossa terra. No entanto, ao longo dos últimos anos, principalmente após o sucesso de Cidade de Deus, as pessoas tem olhado com mais carinho para nossos produtos nacionais. Mas é uma pena que ultimamente o que tem dominado são filmes com certas temáticas, algo meio que padrão.

Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.


Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.


Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.




Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Busca Implacável (Taken - 2008)


Alguém alguma vez imaginou se o Jason Bourne ou o James Bond envelhecesse e tivesse uma família? Como seria? Acho que a resposta seria mais ou menos como no filme Busca Implacável (Taken) – sim, esse nome mais parece título de filme do Steven Seagal. Mais um exemplo daqueles que nos dão a oportunidade de ver um verdadeiro herói de ação distribuindo pancadas, explodindo carros e salvando o dia, igual aos heróis acima citados e aos filmes que passam no Domingo Maior à La Charles Bronson e o tio Chuck dos anos 80 e começo dos 90.

Produzido por Luc Besson, o cara que nos trouxe filmes como Transporter (Cargar Explosiva), e dirigido por Pierre Morel (quem?), esta película nos coloca na pelo do ex-agente aposentado da CIA Bryan (Liam Neesson), que está querendo se reaproximar da sua filha Kim (Maggie Grace), pois os seus anos servindo ao governo americano o fez perder tempos preciosos com sua família.

Tudo começa quando a filha de Bryan anuncia que vai fazer uma viagem pra Europa, mais especificamente França, junto da amiga piranha estereotipada Amanda (Katie Cassidy). Lá elas são seqüestradas e começamos a realmente ver quem é o cara por trás daquele até então tranqüilo ex-agente família, que vai ao resgate da sua filha - a outra garota já tem um futuro que lhe espera.

Interpretado por um ator acostumado com filmes mais cerebrais, Liam Neeson nos convence demais como “o cara”, sendo muito seguro no que fala (preste atenção no que ele fala no primeiro contato com os bandidos sobre “ter umas habilidades especiais”) e nas cenas em que desce o braço na galera. Usei o termo “convencer” porque ao longo dos anos ele tem sido mais mentor do que realmente quem põe a mão na massa, vide o mestre do Batman em Batman Begins, como jedi em Star Wars Episodio 1 e como a voz do leão Aslam em Nárnia. Sem contar que seu papel de maior destaque foi no A Lista de Schindler – quem diria agora como herói de ação?! Aliás, vendo um pouco da história do ator, li que Neeson enquanto jovem era pugilista, então não teve nenhuma dificuldade em fazer as cenas de ação. Enquanto isso os outros integrantes do elenco, apenas ele convence, pois a filha interpretada por Maggie Grace é meio “abestada” pra sua idade no filme (17 anos), soando artificial demais e a Famke Janssen (trilogia X-Men como Jean Grey) fazendo a mãe da menina que só deu as caras pra pagar umas contas atrasadas.

Agora vamos para o quesito roteiro: quando volto no passado e lembro-me dos filmes do Domingo Maior, consigo me lembrar apenas da ação, ou seja, a história está em segundo plano, pois o que importa mesmo são as habilidades do protagonista e a forma com que ele acaba com os malvados. Enfim, nesse filme não é diferente. Não espere nada demais, nem diálogos inspiradíssimos. Lembre que você está assistindo um filme genérico um pouco acima da média e que fez um grande e inesperado sucesso nos Estados Unidos, garantindo uma seqüência que deve sair daqui a um tempo. Agora, se eu vou assistir? Pode apostar que sim.

Nota: 7,0 – Porrada, explosões e um protagonista que já vale o filme!

As Duas Faces da Lei (Righteous Kill - 2008)


A grande pergunta a se fazer no final deste As Duas Faces da Lei é uma só: POR QUÊ ? Não dá pra entender como duas lendas como DeNiro e Pacino aceitaram fazer esta bomba (talvez dívidas de jogo, muito ácido na cabeça ou esclerose). Simplesmente fica difícil pensar em algo racional, se é que é possível pensar em algo racional em um filme tão irracional como este.

Na trama, após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original, a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer. O mais incrível é que para rodar este filme foram gastos 80 Milhões de dólares, um alto padrão para um filme que não faz jus ao orçamento.

Mas pra entender como o cinema perdeu uma boa oportunidade de ver duas lendas do cinema juntos, vamos voltar a 1995, quando Michael Mann filmou o excelente Fogo Contra Fogo. O filme era estrelado por DeNiro e Pacino, mas para a tristeza geral os dois tinham poucas cenas juntos. Após estes filmes a qualidade dos filmes dos dois piorou, mas um futuro encontro, com mais tempo em cena, era aguardado pelos fãs. Para a infelicidade de todos coube a infeliz Millenium Filmes (ex-produtora de filmes B) reunir os dois. Poderia até dado certo se não fosse o fato de terem aprovado um roteiro tão ruim de Russell Gerwitz (do bom Um Plano Perfeito) e um diretor de quinta categoria, o apático Jon Avnet. Resultado: é um filme B que podia ser muito bem a reunião de Stallone e Seagal, um roteiro capenga com reviravoltas que até minha filha de 1 ano é capaz de sacar. Os dois mestres estão no auge da canastrice. O filme em nenhum momento se desenvolve e a cada minuto da película se atropela em clichês horríveis. Outra coisa que não dá para entender no filme é o excesso de palavrões, desnecessário e muitas vezes patético. Parece que o filme foi feito nas coxas e que o simples fato de ter os dois ícones no cartaz já seria capaz de atrair o publico. Vale lembrar que o filme foi um fracasso nas bilheterias.

No final fica um certa melancolia, uma sensação de desperdício e uma vontade louca de correr para locadora e alugar Touro Indomável e o Poderoso Chefão, nessa época sim valia a pena unir esses dois, hoje é uma grande piada de mau gosto. Oscar para DeNiro e Pacino, definitivamente não, uma camisa de força seria mais apropriada.
Autor: Marcelo Moraes

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Era do Gelo 3


Fazer sucesso financeiro é garantia de seqüência / franquia, o que nos garante o pré-requisito de ter que assistir um filme com a mesma formula do primeiro para garantir o sucesso de novos filmes. É sobre esse lema que Hollywood vive hoje, por mais que o filme progenitor seja ruim, afinal sucesso é tudo. Temos vários exemplos de franquias ruins que fizeram sucesso e garantiram inúmeras seqüências: American Pie, Aliens VS Predator (os filmes individuais são infinitamente melhores), Resident Evil (pena que a adaptação só está no nome) e etc.

Porém, para toda regra existe uma exceção, neste caso estamos falando da franquia A Era do Gelo, que começou com apenas um filme mediano, melhorando no segundo e conseguindo seu ápice neste terceiro exemplar (lançado inclusive com a técnica 3d).

A Era do Gelo foi o primeiro filme em animação da 20th Century Fox, lançando em 2002 e dirigido por duas mãos por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha, esse que veio a assumir o segundo e agora este terceiro exemplar.

Tirando leite de pedra para enriquecer os produtores de Hollywood e garantir mais um sucesso para o diretor Carlos Saldanha, que está produzindo um novo filme de animação chamado de Rio, acompanhamos mais uma vez a turma da era glacial: Sid, Manny, Diego, Ellie e seus dois irmãos (gambás) e o novo personagem Buck, uma doninha pra lá de marrenta e louca.

A história dessa vez tem um tom mais Disney de ser, ou seja, tentando e conseguindo com êxito colocar os valores familiares e da amizade acima de tudo no desenrolar dos atos. Desta vez Manny e Ellie estão à espera do seu bebê, Diego sente que está ficando molenga e decide seguir seu próprio caminho sem seus amigos por se sentir na necessidade de novas aventuras, enquanto Sid vai à busca de sua própria família encontrando ovos de dinossauro e tentando criá-los como filhos. É nessa tentativa de construir essa família um tanto quanto estranha que Sid acaba se metendo em uma enrascada quando a mãe verdadeira dos ovos acaba levando a preguiça desastrada para um mundo subterrâneo e, como diria o narrador de filmes da Sessão da Tarde da TV Globo: “arrumando grandes confusões” para seus amigos que vão tentar resgatá-lo. Ah, ainda tem o esquilo Scrat que ainda está atrás de sua noz, só que dessa vez ele conseguiu uma concorrente / aliada, uma “Scratita”, por quem acaba se apaixonando.

Por falar no Scrat, talvez nele resida a melhor sacada do filme: o seu encontro com a esquilinha sexy. A cena do tango é simplesmente genial. Ah, fato curioso: quando estava assistindo ao filme em uma sessão lotadíssima, com gente de tudo quanto é tipo e crianças que ficavam gritando ao longo do filme, que ouvi uma pérola de um “folião” na cena que citei: “ahahaha, eles estão dançando valsa”. É pra se matar e pedir que o enterre de barriga pra baixo para não ter risco de voltar.

Superior aos dois primeiros filmes, este novo A Era do Gelo vai deixar qualquer um satisfeito ao sair do cinema. Não é nenhuma obra prima, mas exerce bem o seu papel. Um filme feito pra família, que pode divertir tanto a criançada quanto aos adultos. Mas por favor, já chega de sequências desnecessárias.

Nota: 8,0 – Vale o ingresso!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Dia em que a Terra Parou (2008)


Têm certos papeis que são perfeitos para alguns atores, mas tem atores que não nascem para protagonizar certos papeis. Ciente de todo sua inexpressividade, mas contando com um carisma que muitos atores fazem de tudo para tê-lo, Keanu Reeves é o grande nome deste remake capenga do filme de 1951 de mesmo nome no papel de Klaatu, outrora vivido pelo também inexpressivo Michale Rennie.

Não faz muito tempo que eu assisti ao original no Corujão – o único horário para assistir filmes antigos e bons na TV aberta – e fiquei impressionado com o tom tão atual deste filme depois de mais de 50 anos. Dá para perceber como nós seres humanos não evoluímos quase nada ao longo deste meio século. Ambas as histórias tem como foco uma nave extraterrestre que pousa no meio de Washington e dela saem o personagem do filme Klaatu e um robô gigante. Desta vez trocamos aqueles disquinhos caricaturais por uma esfera de energia. Mas uma coisa difere aqui, se no primeiro nós tínhamos o medo da Guerra Fria, desta vez damos lugar ao terrorismo (armas nucleares) e aos impactos ambientais, reforçando a idéia que sem o ser humano no planeta Terra tudo flui normalmente, pois segundo Klaatu “nós (ET’s telefone-minha-casa) não podemos deixar com que apenas uma espécie possa fazer com que todas as outras desapareçam”.

Podemos presenciar logo no primeiro ato do filme que o Estados Unidos é retratados da maneira mais fiel possível: atira primeiro e depois pergunta, liderança fraca que não sabe lidar com questões de segurança nacional e pessoas desequilibradas no poder. Afinal, matar um ET é mais fácil do que trocar algumas palavras com ele, a fim de aprender alguma coisa.

Contando com um bom elenco, mas mal trabalhado, O Dia em que a Terra Parou não consegue em nenhum momento fazer com que gostemos das pessoas que estão ali na telhinha. Se por um lado temos uma atriz que, se bem trabalhada, rende bons frutos (Jennifer Connely), do outro lado temos o ator mirim Jaden Smith, filho do Will Smith, que é mostrado como uma criança chata que mais dá vontade de dar um cascudo do que torcer com que ele se salve no final. Ah, ainda temos Kathy Bates (ela tava nesse filme?) como a chefe de estado e o mal aproveitado John Cleese, aceitando o papel para pagar umas contas, pois se o seu personagem for tirado do filme não iria fazer diferença nenhuma.

Ao longo do filme, “Neo” vê que nós temos algo a mais do que apenas a matança um dos outros, temos sentimento e tudo mais. No original ele ia convivendo com as pessoas e vendo aos poucos como nós podemos ser bondosos, não apenas em uma cena qualquer como nesta refilmagem. Tudo muito rápido, como se estivéssemos vendo os melhores momentos de um jogo de futebol ruim.

Resumindo: este filme é apenas uma mera desculpa para usar efeitos especiais, nada além disso. O problema todo é se levar a sério demais, já que temos tantos outros filmes de catástrofes / ET’s por aí que são melhores por justamente não estar nem um pouco preocupado em ser categorizado como “B” (vide Independancy Day). Mamar em uma fonte interessante é fácil, criar algo original é que tá difícil hoje em dia, já que o dinheiro fala mais alto, gerando desta forma uma mera desculpa para utilizar um nome conhecido e que seja rentável para os produtores de Hollywood. Faltou o cerebral. Fiquei com uma sensação de amargo na boca.

Nota: 4,0 – só por causa dos gafanhotos!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ensaios Sobre a Cegueira (Blindness, 2008)


Fernando Meirelles ganhou grande notoriedade internacional com o filme Cidade de Deus, seu estilo e habilidade ao adaptar uma obra literária complicada o deram o gabarito para adaptar o comentado livro do escritor português José Saramago, obra o qual o exigente escritor não queria vender para qualquer um (algo que falta e muito aos criadores de obras originais ao “darem” de mão beijada suas crias aos produtores canastrões de Hollywood). É também o responsável, durante essa sua fase internacional, pelo ótimo Jardineiro Fiel que, assim como esse seu novo filme e os anteriores, adotam um clima de crítica social.

A trama gira em torno de uma epidemia que de forma inexplicável é transmitida às pessoas, causando uma “cegueira branca”. Conforme o depoimento de um dos personagens, é como se estivesse “mergulhando em um mar de leite de olhos abertos”. Logo, as pessoas infectadas são colocadas em quarentenas e, como na maioria das vezes, o Estado começa a falhar, pondo assim em cheque a necessidade de sobrevivência das pessoas que ali estão exiladas.

Ao longo do filme somos apresentados a vários personagens de várias etnias, sendo que nenhum deles possui um nome (o nome importa para designar quem somos?), a partir dái identificados apenas por números ou sua profissão. É de forma propositada que percebemos que estamos diante uma sociedade globalizada, com várias pessoas de diferentes etnias: brancos, negros, orientais, árabes, latinos, etc. Com isso, reforçamos mais ainda a idéia que pode ser qualquer cidade no mundo, ou até mesmo país, apesar de todos falarem inglês. Se eu não estou enganado, foi uma das exigências de Saramago.

A mensagem do filme é única e direta: ao longo dos anos somos vítimas do nosso dia a dia, ficamos ligados nos nossos bens materiais e esquecemos a nossa natureza essencial, nosso humanismo está no relacionamento com o próximo sem discriminação de cor ou credo e o sentimento que nos une. Tornamo-nos cegos ao mundo ao nosso redor, pois nos esquecemos de dar o real valor às coisas que realmente importam, onde o essencial não é visto com os olhos. Talvez o nosso mundo só funcionasse realmente se algo desse tipo acontecesse para que pré-conceitos de qualquer natureza viessem abaixo. Se pensarmos direito, aquelas pessoas que se relacionaram (o grupo principal) só virou uma família por conta da necessidade de apoio, pois se não fosse a necessidade, em um mundo como o nosso, nunca teriam sequer um contato visual.

Dois aspectos se destacam nessa produção: primeiro, a fotografia maravilhosa, adotando sempre um estilo saturado, para que possamos mais ou menos entender como os protagonistas vêem e tomadas inusitadas, seja ela de forma abstrata (vide a cena mais chocante do filme envolvendo as mulheres) ou através de reflexos ou através de vidros. Segundo, o elenco forte encabeçado pela sempre competente Julianne Moore, sendo a única que pode enxergar - ela se deixou ser presa para ficar ao lado de seu marido (Mark Ruffalo).
A única razão deste filme não atingir o ápice seja a narração em off, protagonizada por Danny Glover, simplesmente aparecendo no meio do filme, sendo totalmente descartável. Para tornar a coisa mais poética, seria bom se ela não existisse e que pudéssemos tirar nossas próprias conclusões do que tá rolando. É como assistir a um jogo de futebol com o Galvão Bueno narrando, sempre falando mais do que o necessário.

O estilo empregado em Ensaio Sobre a Cegueira não é para aqueles que estão acostumados com as obras corriqueiras de Hollywood, talvez seja por isso que não tenha feito tanto sucesso lá fora. Entretanto, para quem está habituado com cinemas como o nosso (cinema-favela) e tem a mente aberta para formas diferentes de contar uma história, sem medo de chocar, se agrade desta obra. Fica a impressão de que se tivesse caído em mãos hollywoodianas talvez não tivesse o mesmo impacto do que o produto final deste grande salto para os nossos realizadores brasileiros.


Nota: 8,5