A primeira vez que li sobre este filme coreano, ele estava em fase de pós-produção e grandes perspectivas de pintar por aqui pelo ocidente. Mas o que esse filme tinha de especial? Simplesmente o fato dele ser um remake de um dos filmes que eu considero uma obra prima do cinema e, por consequência, um dos integrantes da minha lista de melhores filmes que já vi.Porém, ao assisti-lo, vi que não se tratava de simplesmente um remake, mas sim de uma releitura com elementos orientais, adaptando algumas situações do original Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) e dando um certo frescor ao gênero de filmes de faroeste.
Já podemos notar certas diferenças e semelhanças do original a partir da própria sinopse, onde temos aqui como plano de fundo a Coréia do Sul no final dos anos 30 dominada pelos Japoneses ao invés da luta pela independência Americana entre os Confederados com os Sulista. Vemos o desenrolar da história de três fora-da-lei em busca de um mapa que leva a um tesouro perdido. Esse mapa é roubado por Tae-goo (o ‘bizarro’ do título) sem querer, o que acaba por atrair Chang-yi (o ‘mal’) que tinha como intuito recuperar este mapa que estava destinado aos japoneses, devolvendo-o aos coreanos. Por Chang-yi ser um fora-da-lei procurado e com sua cabeça à prêmio, o caçador de recompensas Do-won (o ‘bom’) vai atrás dele para conseguir o tal dinheiro prometido, acarretando no envolvimento dos três com determinações diferentes.
O que impressiona com este filme é o seu valor de produção, pois é um dos filmes mais caros da história do cinema coreano com míseros R$17 milhões, valor pífio para uma produção americana. É praticamente um Leonardo DiCaprio pelo filme.
Podemos ver que todo o dinheiro foi muito bem gasto justamente na melhor cena do filme: a perseguição no deserto é simplesmente genial e dura quase 20 minutos ao som de ‘Don’t Let me Misunderstood’ do Santa Esmeralda. Impressionante como essa música combina com filmes do gênero, afinal até o Tarantino a usou no Kill Bill.
O filme se sustenta de maneira consistente no seu trio principal, cada um com suas características marcantes, com perfis psicológicos e motivações bem claras. Os personagens secundários também não deixam o nível cair, cada um claro dentro das suas limitações de tempo e importância dentro da trama principal.
Porém este filme peca justamente nos quesitos que são primorosos no original: a direção segura de Sergio Leoni e a trilha sonora épica Ennio Morricone. O diretor Jee-woon Kim sofre do mesmo mal dos diretores da atualidade em tremer demais a câmera nos momentos de ação, fazendo com que não entendamos alguns movimento dos personagens que estão ali em cena. Já a trilha, tirando a música já citada, não tem grande impacto ao longo da projeção.
Outra coisa que me incomodou um pouco foi o fato de terem feito um código (cheat) de vídeo game para que a munição das armas nunca acabassem, soando meio artificial como nos filmes de ação dos anos 80 e 90 (Charles Bronson, alguém?). Talvez tenha sido de certa forma proposital, pois o filme acaba se intitulando também como uma ‘paródia’ dos westerns.
Mas estes fatores não são suficiente para tirar o brilho deste filme impressionante por ser uma grata surpresa e não fazer feio ao legado criado pelos westerns spaghettis que tanto admiro.
Contando com um final impressionante, Os Invencíveis (que nome mais genérico dos distribuidores brasileiros) é uma diversão do mais alto nível feito por alguém que realmente gosta de filmes do gênero, dando assim uma alma própria apesar de se basear em um grande clássico do cinema.
Nota – 9,0 – Que saudade dos filmes do Clint...
Assista também:
Três Homens em Conflito
Western Sukiyaki Django
Kill Bill
O Dólar Furado
Os Indomáveis



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