terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Grande Mestre (Ip Man – China, 2008)


Sou suspeito de comentar sobre filmes de artes marciais, não tenho como negar que crio muita expectativa em torno dos atores presentes nos filmes e o desenrolar das histórias, dando sempre margem a uma boa e velha pancadaria com estilo.

Com este o Grande Mestre não me decepcionei nem um pouco, talvez muito por conta do seu protagonista Ip Man, interessante figura que realmente existiu e um foi dos maiores mestres das artes marciais de Wing Chun (estilo de luta vertente do kung fu). Ip Man ficou mais conhecido internacionalmente por ter sido um dos mestres de nada mais do que Bruce Lee.

Situando-se em uma China no final dos anos 30, mais precisamente em Fushan, começa então a invasão Japonesa que joga o país em uma grande miséria que afeta a todos os seus habitantes, a partir daí Ip Man se viu obrigado a ‘desistir’ do seu kung fu para tentar sobreviver junto de sua família trabalhando para tirar seu sustento. Talvez esse seja o grande ponto forte do filme, história tensa de como o povo conseguiu sobreviver a tirania japonesa (retratada de maneira bastante cruel por sinal) no período pré Segunda Guerra Mundial, tornando ainda mais crível as investida do homem outrora invencível em um ser humano como qualquer outro.

Um filme de artes marciais não se sustenta sem um grande protagonista, neste caso Donnie Yen, mesmo sendo um ator sem muita expressão, se sai muito bem ao conseguir passar o ar sério, mas ao mesmo tempo bondoso de um homem de família. Interessante a mudança que ele passa do começo do filme para a segunda metade: de um homem orgulhoso dentro dos seus princípios - como comenta um dos personagens ao oferecer ajuda: ‘Ele não gosta de dever favores’- para a uma pessoa que passa a lutar pela honra do seu país nem que para isso ele tenha que arriscar a própria vida.

Tive a oportunidade de assistir a alguns filmes de Donnie Yen e já havia percebido que o cara é bom demais, tão bom quanto um Jet Li ou Jackie Chan. Falando no primeiro, ele é um dos protagonistas junto de Jet Li no filme Herói (2002) de Zhang Yimou e demonstra que realmente é um dos maiores atores de ação da atualidade (mesmo se limitando ao mercado asiático).

Se o lutador é bom, então as lutas são boas? SIM! As lutas são um show a parte, pois podemos perceber tanto nas coreografias quanto na intensidade dos combates ao mostrar o quão poderoso é o tal do Wing Chun. Destaco a cena em que Ip Man desafia dez lutadores japoneses dentro de um dojo. Simplesmente uma das melhores lutas que já vi.




Duas coisas chamaram a minha atenção também foram as lutas usarem poucos recursos de cabos, o famoso wire-fu (Matrix?), o que acaba dando uma maior credibilidade nos movimentos e deixando a artificialidade de lado. Outro foi a maquiagem, pois ao receber qualquer dano que seja, ela é retratada logo com um rosto inchado ou um beiço sangrando, vermelhidão, etc.

Outro grande ponto a favor são os efeitos sonoros bem posicionados e contando ainda com uma trilha sonora típica dos filmes orientais que muito acrescenta à experiência, ou seja, sutil  e impecável.

Para você que é fã de filmes de artes marciais ou até mesmo está em busca de uma história suficientemente boa sobre superação e honra, O Grande Mestre realmente é uma entretimento garantido.

Agora com licença que vou bem ali treinar o meu Wing Chu...

Nota – 9,0 – Ainda tem o 2 e uma pré-sequencia, acho que vou acabar me decepcionando.



Assita também:

Herói
SPL – Sha Po Lang (Killzone)
O Mestre das Armas
Dragão – A História de Bruce Lee

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os Invencíveis (The Good, the bad and the weird - 2008)


A primeira vez que li sobre este filme coreano, ele estava em fase de pós-produção e grandes perspectivas de pintar por aqui pelo ocidente. Mas o que esse filme tinha de especial? Simplesmente o fato dele ser um remake de um dos filmes que eu considero uma obra prima do cinema e, por consequência, um dos integrantes da minha lista de melhores filmes que já vi.

Porém, ao assisti-lo, vi que não se tratava de simplesmente um remake, mas sim de uma releitura com elementos orientais, adaptando algumas situações do original Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) e dando um certo frescor ao gênero de filmes de faroeste.

Já podemos notar certas diferenças e semelhanças do original a partir da própria sinopse, onde temos aqui como plano de fundo a Coréia do Sul no final dos anos 30 dominada pelos Japoneses ao invés da luta pela independência Americana entre os Confederados com os Sulista. Vemos o desenrolar da história de três fora-da-lei em busca de um mapa que leva a um tesouro perdido. Esse mapa é roubado por Tae-goo (o ‘bizarro’ do título) sem querer, o que acaba por atrair Chang-yi (o ‘mal’) que tinha como intuito recuperar este mapa que estava destinado aos japoneses, devolvendo-o aos coreanos. Por Chang-yi ser um fora-da-lei procurado e com sua cabeça à prêmio, o caçador de recompensas Do-won (o ‘bom’) vai atrás dele para conseguir o tal dinheiro prometido, acarretando no envolvimento dos três com determinações diferentes.


O que impressiona com este filme é o seu valor de produção, pois é um dos filmes mais caros da história do cinema coreano com míseros R$17 milhões, valor pífio para uma produção americana. É praticamente um Leonardo DiCaprio pelo filme.

Podemos ver que todo o dinheiro foi muito bem gasto justamente na melhor cena do filme: a perseguição no deserto é simplesmente genial e dura quase 20 minutos ao som de ‘Don’t Let me Misunderstood’ do Santa Esmeralda. Impressionante como essa música combina com filmes do gênero, afinal até o Tarantino a usou no Kill Bill.


O filme se sustenta de maneira consistente no seu trio principal, cada um com suas características marcantes, com perfis psicológicos e motivações bem claras. Os personagens secundários também não deixam o nível cair, cada um claro dentro das suas limitações de tempo e importância dentro da trama principal.

Porém este filme peca justamente nos quesitos que são primorosos no original: a direção segura de Sergio Leoni e a trilha sonora épica Ennio Morricone. O diretor Jee-woon Kim sofre do mesmo mal dos diretores da atualidade em tremer demais a câmera nos momentos de ação, fazendo com que não entendamos alguns movimento dos personagens que estão ali em cena. Já a trilha, tirando a música já citada, não tem grande impacto ao longo da projeção.



Outra coisa que me incomodou um pouco foi o fato de terem feito um código (cheat) de vídeo game para que a munição das armas nunca acabassem, soando meio artificial como nos filmes de ação dos anos 80 e 90 (Charles Bronson, alguém?). Talvez tenha sido de certa forma proposital, pois o filme acaba se intitulando também como uma ‘paródia’ dos westerns.

Mas estes fatores não são suficiente para tirar o brilho deste filme impressionante por ser uma grata surpresa e não fazer feio ao legado criado pelos westerns spaghettis que tanto admiro.

Contando com um final impressionante, Os Invencíveis (que nome mais genérico dos distribuidores brasileiros) é uma diversão do mais alto nível feito por alguém que realmente gosta de filmes do gênero, dando assim uma alma própria apesar de se basear em um grande clássico do cinema.

Nota – 9,0 – Que saudade dos filmes do Clint...

Assista também:

Três Homens em Conflito
Western Sukiyaki Django
Kill Bill
O Dólar Furado
Os Indomáveis

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Super 8


O que podíamos esperar quando a mente brilhante de Spielberg se junta com uma das mentes mais criativas da atualidade? Bem, eu achava que iria ser um encontro épico, pois teríamos a invencionice e criatividade do pai de Lost, J. J. Abrams, com os toques de genialidade do pai do E.T., mas o que eu acabei vendo foi uma grande homenagem aos filmes que cresci assistindo durante a minha infância e nada mais.

O filme tem todos os elementos que fizeram os filmes famílias dos anos 80 um sucesso, como E.T. e os Goonies, sendo que ainda sobrou um pouco para Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Falando em Os Goonies, não tem como não lembrar por conta do tom do início do filme que é praticamente o mesmo deste ‘clássico’ (da Sessão da Tarde).

Porém o filme fica somente nisso mesmo, homenagens e mais homenagens, esquecendo de ser um pouco mais original, inclusive ao ‘monstro’ que era uma mistura de Cloverfield com o General Grievous de Star Wars. Destaco como positivo o efeito especial do acidente de trem e o elenco principal, personagens de Joel Courtney (Joe) e Ellen Fanning (Alice).

 Talvez tenha faltado um requinte maior no roteiro por conta de alguns buracos e de dar um pouco mais de personalidade aos personagens secundários, limitados a meros estereótipos.

Confesso que me diverti mais quando os amigos estavam filmando um filme sobre zumbis em uma clara homenagem ao filme Madrugada dos Mortos do George Romero.

Por ironia um dos personagens fala em ‘valor de produção’, algo que realmente ficou faltando por aqui.

Nota - 6,0 - J.J. Abrams concentre-se em Star Trek e Spielberg no Tintim


Veja Também:

Conta Comigo
Os Goonies
Madrugada dos Mortos (1968)
E.T.