A Árvore da Vida é uma experiência única, é o cinema na sua
mais pura essência como obra de arte. É claro que o novo filme de Terrence
Malick, dos já maravilhosos Mundo Novo e
Além da Linha Vermelha, não vai agradar a muitos por conta de sua narrativa,
digamos, difícil, pois requer do telespectador atenção e interpretação. Em uma época
em que Transformers e Crepúsculo são filmes que garantem o sucesso por
justamente fazer com que o público ‘desligue o cérebro’ e se divirta, com
certeza essa obra prima do cinema atual vai ficar empoeirada e esquecida, o que
realmente é uma pena.
Toda essa dificuldade de interpretação se dá pelo filme não ter
uma trama bem definida, porque basicamente vemos três histórias que se unem de
maneira muito mais incrível do que imaginamos: uma família convivendo no final
dos anos 50 , um dos integrantes desta família no futuro e, pasmem, o nosso
universo e consequentemente nosso planeta. Contudo algo de muito relevante é
levado em consideração, onde talvez resida a grande maravilha: existe um Deus
por de trás de tudo? Existe uma força invisível regendo nosso universo e nossas
vidas?
A experiência que levantei logo no início do texto é porque o
filme todo é uma experiência dos sentidos. Visualmente temos o que posso
considerar uma das fotografias mais fantásticas que já vi, tanto para os enquadramentos,
quanto na sutileza na hora de filmar certos momentos de ângulos que engradecem
a cena em si (como as crianças brincando e somente suas sombras são filmadas) e
os efeitos especiais mostrando o universo e sua grandeza, com suas galáxias e nebulosas
se encaixando em um balé visual já visto de maneira semelhante em 2001: Uma Odisseia
no Espaço. Auditivamente falando, a trilha sonora composta por música clássica
se encaixa de maneira perfeita para os momentos, seja com todo o cuidado nas
cenas da família interagindo, ou até mesmo na criação do universo com coros
remetendo a algo mais sacro além de meras imagens ao acaso.
A Árvore da Vida também serve como exercício para vermos
como somos pequenos em relação universo, pois nosso ego não nos deixa perceber
o quanto somos pequenos e que, dessa vida, nada levamos senão o que construímos
com as pessoas que convivemos e, principalmente, com aquelas que amamos. O
filme nos mostra tudo isso com a relação da família apresentada, interpretados
de maneira brilhante pro todos os atores, sem exceção.
Falando ainda sobre os atores, como Brad Pitt está cada vez
mais mostrando ser um grande ator (claro que não é de hoje)! Sua construção do
personagem é simplesmente magnífica com trejeitos que dão dimensão àquela
pessoa: um pai durão e disciplinador que, de certa forma, exige amor dos seus
filhos com raros momentos de carinho (porém intensos). Destaque também para dois
atores que talvez sejam a grande força do elenco juntamente com Pitt: Jessica
Chastain (a mãe) e Hunter McCracken (o filho mais velho).
Jessica Chastain é uma bela revelação por se mostrar
confiante para fazer o papel da mãe sempre amorosa e presente, sendo a única ali
que aparentemente consegue se manter equilibrada diante de todas as situações.
Já Hunter McCracken retrata o primeiro filho do casal, com um olhar forte, porém
doce de uma criança, sempre inconformado com tudo que acontece dentro da
família, retratada e resumida de como ele lida com pai, sempre se opondo, mas
querendo se aproximar a todo instante.
Ah, tem o Sean Penn, mas seu personagem (um dos irmãos)
serve mais como um contraponto para fechar um círculo e dar uma conclusão ao
filme em si.
Malick consegue ser muito sensível ao retratar cada momento
daquela família como sendo momentos únicos, mesmo que aparentem ser uma rotina,
mas que de certa forma tem valores tão grandes na vida de uma criança, como um
simples boa-noite da mãe, como brincadeiras com os irmãos e amigos, a chegada
da adolescência, e muito mais. Eu não pude deixar de lembrar de tudo que
passei...
Enfim, A Ávore da Vida merece ser revisitada para sempre nos
lembrarmos que somos como árvores conectadas em um grande ecossistema, onde
iremos nascer como pequenas sementes que irão crescer, florescer e dar frutos,
porém muitas vão sucumbir ao longo do caminho e aí que aprenderemos a lidar com
todas as nossas dificuldade enquanto seres, acima de tudo, com o amor e com
perdão. E é justamente aí que mora a grande beleza da vida.
Nota: 10 – Obrigado, Terrence Malick.
Assista também:
2001: Uma Odisseia no Espaço
Além da Linha Vermelha
O Novo Mundo












