O novo filme de Christopher Nolan (Batman Begins, Cavaleiro das Trevas) pode ser definido como cinema na sua essência: criar um mundo imaginário onde podemos tudo. Essa definição ficou ecoando na minha cabeça ao terminar de assistir a mais um grande filme deste diretor que vem acertando a mão em seus filmes e tem tudo para ser (se já não é) um dos grandes nomes da sétima arte. Ver o retrospecto de suas obras é basicamente passear por filmes que tem como base a mente humana, o psicológico. Ao total são sete filmes: Following, Amnésia, Insônia, Batman Begins, O Grande Truque, Cavaleiro das Trevas e o mais recente A Origem. Desses todos citados, Amnésia ainda é a sua obra de arte, filme indispensável para a coleção de qualquer cinéfilo. Porém, o que mais chama a atenção não é a temática, mas sim a qualidade dos seus trabalhos e a firmeza com a qual a trama é regida, pois não há um filme sequer desta lista que podemos definir como apenas mediano.
A sinopse deste filme foi escondida por Nolan a sete chaves desde a sua concepção até o início da divulgação e campanhas de marketing. Nesta trama seguimos os passos de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, excelente como sempre), um experiente ladrão de informações que age de maneira peculiar ao extrair valiosos segredos do subconsciente das pessoas durante o sono, dentro dos seus sonhos. Com isso, por ser um espião, seus métodos peculiares passaram a ser conhecido no submundo do crime e do mundo corporativo, o que faz com que ele se transforme em um fugitivo internacional, resultando no abandono das pessoas que mais amava: seus filhos. Agora Cobb possui um último trabalho que pode fazer com fique isento de todos os seus crimes e possa voltar para casa: realizar a missão impossível de implantar uma idéia, não extrai-la.
A partir disso temos um filme clássico de roubo com cara de Onze Homens e um Segredo: a montagem da equipe e o plano perfeito. No elenco temos também Marion Cotillard (Piaf), Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela), Ellen Page (Juno) e Michael Caine (sem comentários).
A Origem é um filme praticamente impecável, mas o seu ponto negativo não é necessariamente o filme, mas o seu conteúdo que é bastante rico, ou seja, muitas informações são jogadas na tela fazendo com que os espectadores menos atentos se percam. Aliás, informações essas que poderiam ser exploradas de outras formas, como uma HQ ou livro, dando mais liberdade para trabalhar as idéias, enriquecendo um mundo que por si só já é bastante complexo.
O filme todo é um emaranhado de informações que se conectam à medida que a trama se desenrola. Este talvez seja o grande barato dessa produção, juntar as peças para que se encaixem como um grande quebra-cabeça, até mesmo as cenas de ação contam com um toque de arte mais refinado, destacando-se a cena de luta em gravidade zero.
Não vou entrar em detalhes, pois comentar além do que falei aqui pode gerar muitos spoilers que possam estragar a experiência que é assistir a este filme. No mais, ele é passível de interpretações por conta do final que fica em aberto, ou seja, nada de uma verdade absoluta. Saberemos quando Chis Nolar disser em público, algo que acho bem difícil.
De uma coisa eu tenho certeza é de que este filme estará concorrendo na corrida pelo Oscar de melhor roteiro original, pois como mencionei antes, este é um belo exemplo daqueles filmes que te fazem pensar por dias e até mesmo por semanas. Em tempos em que a criatividade de Hollywood está lá embaixo, só temos mesmo que agradecer por mais uma grande experiência de assistir a um filme bom sem medo de estar sonhando.
Nota: 9,0 – Que venha o Batman 3!
Assista também:
Amnésia
Onze Homens e um Segredo
O Plano Perfeito
A Cela
O Grande Truque