quinta-feira, 15 de julho de 2010

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)

A adolescência é uma época que marca demais a nossa vida, pois é a idade em que passamos a ver o mundo com outros olhos e deixamos de lado todas as nossas experiências enquanto criança, ou seja, mudamos completamente os nossos interesses. Mas o que faz desse ciclo algo tão especial são os amores, as paixões e os amigos que ficam ao longo do caminho.
 

É muito difícil encontrar diretores de cinema ou de televisão que conseguem captar como os adolescentes são e como eles se comportam, principalmente porque quem está de trás da câmera é alguém que já cresceu e que pode vir a ter uma visão distorcida do que é realmente ser um adolescente e os conflitos gerados por essa idade. É diferente de assistir a um American Pie que a maioria dos adolescentes (interpretados por gente com quase o dobro de idade) só fazem besteiras e situações extremamente absurdas com um único intuito de fazer ri

Quando a temática é suficientemente verdadeira, passamos a nos identificar com as personagens que estão na tela, acreditamos no que estamos vendo. É algo muito bom quando temos a impressão que os acontecimentos dali podem ter sidos baseados (e foram) em experiências reais, vemos que o material tem coração e alma. Nesse quesito podemos ficar contentes em saber que Greg Mottola, mesmo diretor de Superbad – É Hoje, consegue assinar mais um filme que vai deixar a sua marca nos filmes do gênero.

Ao contrário de Superbad, Mottola não investe desta vez no humor, mas sim no drama. Por conta disso, algumas pessoas que assistiram a este filme achando que iriam ver outro Superbad, enganaram-se. Isso é bom pra mostrar que diferentemente de Judd Apatow, que produziu seu filme anterior, Mottola consegue dirigir algo que seja diferente de uma comédia, mostrando suas habilidades em lidar com temáticas diferentes.

A trama se passa no ano de 1987, ano em que James Brennan (interpretado por Jesse Eisenberg, irmão-gêmeo-de-Michael-Cera-separados-no-parto) se forma no colégio. Ao ficar frustrado por não poder ir à Europa com seu amigo por conta de um problema financeiro de seus pais, ele acaba conseguindo emprego num parque de diversões. Além dele, estão no elenco Kristen Stewart (a Bela de Malhação com Vampiros... ops, Crepúsculo), Ryan Reynolds (Blade Trinity), Bill Hader e Kristen Wiig (ambos do Saturday Night Live).

O que mais me chamou a atenção neste filme foi a forma verdadeira que todos as personagens foram construídas, podemos até fazer uma análise psicológica de cada um deles para entendê-los melhor. Tudo bem, a maioria deles são estereótipos (o garoto viergem e romântico, a menina abandonada pelo pai, o nerd que não consegue arranjar ninguém, o amigo idiota do virgem, a menina bonita que todos desejam, etc.), mas que em momento algum deixam de ter sua parcela de importância ao longo da produção, estão lá de maneira orgânica para fazer parte da trama e não simplesmente para parecer “real”. Outra coisa bem legal é como a trilha sonora se encaixa perfeitamente e é bem explorada com as músicas da época.

Talvez onde resida o ponto fraco deste filme é o público-alvo, ou seja, nem todos vão se identificar com as pessoas e os fatos que ocorrem, principalmente por serem datados (final dos anos 80) e todo aquele clima que o filme proporciona. Vai ser muito mais relevante para muitos daqueles que viveram essa época ou pelo menos parte dela.

Podemos resumir Férias Frustradas de Verão (não consigo parar de pensar nos filmes do Chevy Chase  com esse nome em português) como um passeio em um parque de diversões: com os seus altos e baixos, mas algo que vai ficar por muito tempo na sua mente como uma ótima experiência na sua vida.


Nota – 8,0 – Se tiver passando, assisto de novo.

Blu-ray da Antologia Alien

Papai Noel vai se dar mal se for me dar o que eu quero neste Natal. É que foi anunciado o box da Antologia Alien em Blu-ray (só Alien, nada daquela merda de Alien vs. Predador). E para quem acha que a Fox não pensou na galera do submundo, nós do Brasil, esse box embalado no formato do ovo do Alien (isso soou meio estranho) terá legendas e áudio em português. Ao total são seis discos com 60 horas de material e mais de 12 mil imagens!! UAU! 

O lançamento tá previsto para 26 de outubro.


E aí, quanto será que vai custar?



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Toy Story 3 (2010)

Olá, meus amigos. Que bom vê-los novamente!

Este post tem um duplo sentido: primeiro que marca a minha volta aos posts neste blog que há tempos não atualizo e segundo porque, ao assistir a Toy Story 3, fiquei com este sentimento ao longo das quase 2 horas de filme.

Ao ver aqueles “rostos” de novo, fiquei com o mesmo sentimento de quando revemos grandes amigos que há muito tempo não víamos. É justamente aí que reside a grande força deste novo projeto da Pixar: as escolhas do diretor Lee Ulkrich e do produtor John Lasseter se mostram extremamente adequadas desde o início, mostrando cada personagem por vez em uma grande aventura (uma brincadeira de criança), apresentando-os como grandes protagonistas e não simplesmente jogando-os na tela para que lembremos instantaneamente. E, mesmo ao longo da produção, não temos a menor idéia do que esperar do destino daqueles brinquedos, não se rendendo a nenhum momento aos típicos clichês.

Eu particularmente não esperava muito deste filme, uma vez que considero o segundo uma das minhas animações favoritas. Seria um desafio muito grande por parte da Pixar trazer algo de qualidade novamente e dar um desfecho a esta estória tão maravilhosa (e inesperada). Trauma esse que fiquei acostumado com trilogias, pois os terceiros filmes geralmente seguem a tendência de ser o mais fraco (Alien, Exterminador do Futuro, Homem Aranha, De Volta para o Futuro, etc.).

É interessante salientar também que, se formos analisar o tempo do primeiro filme até este terceiro, temos exatamente 15 anos, quase que tempo real ao crescimento de Andy, o dono dos brinquedos, e o tempo de produção dos filmes. O primeiro focou no momento em que a criança tem a mente mais fértil e os brinquedos são parte importante da vida; o segundo Andy já havia crescido um pouco e os brinquedos já não faziam tanto parte da vida dele; já no terceiro Andy já está indo para a faculdade, ou seja, os brinquedos ou vão ser jogados no lixo ou irão ser doados para a caridade (ou para a creche, que é o caso do filme).

E é aí que reside a coragem dos roteiristas Michael Arnd (o mesmo de Pequena Miss Sunshine) em dar um final a história (coisa que a Disney não queria, por ser a detentora dos direitos da franquia), não deixando amarras para um quarto filme. Se há uma coisa que os três filmes não seguem é a famosa “fórmula do sucesso” que animações como Shrek e Era do Gelo repetem ao longo de suas seqüências. É nesse quesito que podemos aplaudir de pé a trama que se cria a partir de um argumento simples, desde o primeiro filme. O que quero dizer é que se formos imaginar este terceiro filme com personagens em carne e osso, mesmo assim funcionaria muito bem, com direito a intrigas muito bem elaboradas e reviravoltas na trama. Vou até fazer uma comparação irresponsável com o filme Um Sonho de Liberdade.

Quanto à qualidade técnica do filme é algo indiscutível, pois é perceptível o cuidado com os mínimos detalhes: repare como os brinquedos sofreram algum tipo de desgaste ao longo desses anos, os brinquedos “novos” e principalmente à creche. Esta, por sinal é merece um destaque maior pela recriação fantástica e pela riqueza de detalhes, principalmente de como a luz que adentra no ambiente, assumindo um papel fundamental para que o lugar se pareça extremamente acolhedor e feliz. Quanto ao O 3D, este desempenha um papel de coadjuvante, pois ele apenas serve para embelezar o que já é belo por natureza, surgindo como um elemento a mais, agindo de maneira orgânica e que não fica se utilizando de técnicas muito comuns nos filmes convertidos em 3D que é de ficar jogando coisas na tela para que o espectador tome sustos alheios.

Para finalizar, gostaria de ressaltar que a Pixar tem sido para essa nova geração algo que a Disney deixou de lado nos últimos anos: a magia dos desenhos. Claro que a tecnologia é diferente do que aqueles feitos à mão, mas o poder de trazer à tona vários sentimentos em único longa é algo que devemos aplaudir de pé esse povo comandado por John Lesseter e companhia.

São quinze anos de Toy Story, mas que, assim como os brinquedos de Andy jamais deixarão de fazer parte da sua vida e memória, estes filmes também farão parte das nossas na vida real.

Nota: Assista no cinema e compre o DVD - 10,0