Baseado nas graphic novel de mesmo nome escrita por Alan Moore, eis que sai o novo filme do nada visionário diretor Zack Snyder (título de “visionário” que foi colocado nos cartazes do filme por conta de 300) e de cara digo logo: quem leu esta série de histórias em quadrinhos, que é considerada por muitos uma obra de arte, vai curtir muito mais o filme do que aqueles que nem sabem pra onde vai.
Situado em uma versão alternativa do nosso mundo em 1985, em que a Guerra Fria está preste a deixar de ser apenas uma série de ameaças entre EUA e a União Soviética, somos apresentados logo de cara a um grupos de heróis, conhecidos como os “máscaras”, que são comuns no dia a dia das pessoas. O tempo passa e as gerações de heróis mudam, daí presenciamos o assassinato de um dos integrantes do último time de heróis após uma lei que impusera que heróis mascarados não poderiam mais atuar.
Mas qual é a diferença de Watchmen para os filmes / HQ's de super-heróis habituais? Bom, com a exceção do Dr. Manhattan, nenhum dos heróis possui realmente um grande poder, ou seja, eles estão mais próximos da nossa realidade com conflitos pessoais, fraquezas e incertezas do que apenas salvar o dia e pronto com minha super-força, raio laser, ou minha armadura super cósmica.
A graphic novel lançada nos anos 80 mudou quase que completamente a idéia que se tinha sobre o tema “herói”, pois uma narrativa mais madura foi imposta, juntando-se com outras obras como A Queda de Murdock (Demolidor) e Cavaleiro das Trevas (Batman), ambos de Frank Miller e Maus (de Art Spiegelman) respectivamente, mostrando que histórias em quadrinhos eram coisas de adulto também e não apenas de adolescentes.
Passamos a acompanhar a história dos heróis Rorschac (Jackie Earle Haley), Coruja (Patrick Wilson), Ozymandia (Mathew Goode), Malin Akerman (Espectral II), Comediante (Edward Blake) e Dr. Manhattan (Billy Cudrup) que precisam se reunir novamente para investigar a morte de um companheiro, pois Rorschac acredita que uma grande conspiração está por trás disso tudo para tirar todos os heróis do caminho. O problema de se ter um elenco tão numeroso é que nem sempre é possível trabalhar da forma correta as personalidades e histórias de cada um, por conta disso vários flashbacks são inseridos ao longo da narrativa para que possamos entender o que leva a ação de cada herói que estamos vendo naquele instante.
Infelizmente eu não li as revista, mas analisando esse material como um filme, fica claro que alguns personagens não despertaram o meu interesse e suas historinhas com cara de novela mexicana que passa no SBT. Com exceção dos monólogos do Dr. Manhattan e de Horschac (meu personagem mais intrigante e interessante), os outros parecem meros figurantes em prol de uma trama maior.
Quanto à direção de Zack Snyder, continuo afirmando que o cara não tem nada de visionário, pois algumas cenas de ação soam extremamente artificiais e não causam o mesmo impacto que algumas vistas no seu trabalho anterior (300) e até mesmo na cena de luta inicial. Ele precisa tomar cuidado para não ter os mesmos vícios que certos diretores (Michael Bay, alguém?) e ter como marca registrada certas manias (vide alguns excessos de câmera lenta). No mais, ainda gosto muito mais do Madrugada dos Mortos dirigido por ele.
Muito longo e cansativo, sempre uma adaptação não vai agradar a todos, mas certamente aqueles que querem algo mais cerebral além apenas de pancadaria gratuita e pouco papo, vão gostar. Já aqueles que não tem paciência, é melhor esperar por alguma outra coisa que não seja Watchmen.
Nota 7,0 – Vou comprar as graphic novel para ver se mudo de idéia.
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