quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Besouro (2009)


Antes de mais nada, sou contra qualquer pessoa que fale mal das produções brasileiras. O cinema globalizado (entenda cinema americano) nos imprimiu certo “padrão” de qualidade que afastou a grande massa das películas da nossa terra. No entanto, ao longo dos últimos anos, principalmente após o sucesso de Cidade de Deus, as pessoas tem olhado com mais carinho para nossos produtos nacionais. Mas é uma pena que ultimamente o que tem dominado são filmes com certas temáticas, algo meio que padrão.

Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.


Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.


Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.




Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou ou não? Deixe um recado!

Obrigado!