
Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.
Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.
Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.
Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?
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