terça-feira, 24 de novembro de 2009

Watchmen (2009)

Baseado nas graphic novel de mesmo nome escrita por Alan Moore, eis que sai o novo filme do nada visionário diretor Zack Snyder (título de “visionário” que foi colocado nos cartazes do filme por conta de 300) e de cara digo logo: quem leu esta série de histórias em quadrinhos, que é considerada por muitos uma obra de arte, vai curtir muito mais o filme do que aqueles que nem sabem pra onde vai.

Situado em uma versão alternativa do nosso mundo em 1985, em que a Guerra Fria está preste a deixar de ser apenas uma série de ameaças entre EUA e a União Soviética, somos apresentados logo de cara a um grupos de heróis, conhecidos como os “máscaras”, que são comuns no dia a dia das pessoas. O tempo passa e as gerações de heróis mudam, daí presenciamos o assassinato de um dos integrantes do último time de heróis após uma lei que impusera que heróis mascarados não poderiam mais atuar.


Mas qual é a diferença de Watchmen para os filmes / HQ's de super-heróis habituais? Bom, com a exceção do Dr. Manhattan, nenhum dos heróis possui realmente um grande poder, ou seja, eles estão mais próximos da nossa realidade com conflitos pessoais, fraquezas e incertezas do que apenas salvar o dia e pronto com minha super-força, raio laser, ou minha armadura super cósmica.


A graphic novel lançada nos anos 80 mudou quase que completamente a idéia que se tinha sobre o tema “herói”, pois uma narrativa mais madura foi imposta, juntando-se com outras obras como A Queda de Murdock (Demolidor) e Cavaleiro das Trevas (Batman), ambos de Frank Miller e Maus (de Art Spiegelman) respectivamente, mostrando que histórias em quadrinhos eram coisas de adulto também e não apenas de adolescentes.


Passamos a acompanhar a história dos heróis Rorschac (Jackie Earle Haley), Coruja (Patrick Wilson), Ozymandia (Mathew Goode), Malin Akerman (Espectral II), Comediante (Edward Blake) e Dr. Manhattan (Billy Cudrup) que precisam se reunir novamente para investigar a morte de um companheiro, pois Rorschac acredita que uma grande conspiração está por trás disso tudo para tirar todos os heróis do caminho. O problema de se ter um elenco tão numeroso é que nem sempre é possível trabalhar da forma correta as personalidades e histórias de cada um, por conta disso vários flashbacks são inseridos ao longo da narrativa para que possamos entender o que leva a ação de cada herói que estamos vendo naquele instante.


Infelizmente eu não li as revista, mas analisando esse material como um filme, fica claro que alguns personagens não despertaram o meu interesse e suas historinhas com cara de novela mexicana que passa no SBT. Com exceção dos monólogos do Dr. Manhattan e de Horschac (meu personagem mais intrigante e interessante), os outros parecem meros figurantes em prol de uma trama maior.


Quanto à direção de Zack Snyder, continuo afirmando que o cara não tem nada de visionário, pois algumas cenas de ação soam extremamente artificiais e não causam o mesmo impacto que algumas vistas no seu trabalho anterior (300) e até mesmo na cena de luta inicial. Ele precisa tomar cuidado para não ter os mesmos vícios que certos diretores (Michael Bay, alguém?) e ter como marca registrada certas manias (vide alguns excessos de câmera lenta). No mais, ainda gosto muito mais do Madrugada dos Mortos dirigido por ele.


Muito longo e cansativo, sempre uma adaptação não vai agradar a todos, mas certamente aqueles que querem algo mais cerebral além apenas de pancadaria gratuita e pouco papo, vão gostar. Já aqueles que não tem paciência, é melhor esperar por alguma outra coisa que não seja Watchmen.


Nota 7,0 – Vou comprar as graphic novel para ver se mudo de idéia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Besouro (2009)


Antes de mais nada, sou contra qualquer pessoa que fale mal das produções brasileiras. O cinema globalizado (entenda cinema americano) nos imprimiu certo “padrão” de qualidade que afastou a grande massa das películas da nossa terra. No entanto, ao longo dos últimos anos, principalmente após o sucesso de Cidade de Deus, as pessoas tem olhado com mais carinho para nossos produtos nacionais. Mas é uma pena que ultimamente o que tem dominado são filmes com certas temáticas, algo meio que padrão.

Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.


Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.


Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.




Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?