quarta-feira, 29 de julho de 2009

As Duas Faces da Lei (Righteous Kill - 2008)


A grande pergunta a se fazer no final deste As Duas Faces da Lei é uma só: POR QUÊ ? Não dá pra entender como duas lendas como DeNiro e Pacino aceitaram fazer esta bomba (talvez dívidas de jogo, muito ácido na cabeça ou esclerose). Simplesmente fica difícil pensar em algo racional, se é que é possível pensar em algo racional em um filme tão irracional como este.

Na trama, após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original, a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer. O mais incrível é que para rodar este filme foram gastos 80 Milhões de dólares, um alto padrão para um filme que não faz jus ao orçamento.

Mas pra entender como o cinema perdeu uma boa oportunidade de ver duas lendas do cinema juntos, vamos voltar a 1995, quando Michael Mann filmou o excelente Fogo Contra Fogo. O filme era estrelado por DeNiro e Pacino, mas para a tristeza geral os dois tinham poucas cenas juntos. Após estes filmes a qualidade dos filmes dos dois piorou, mas um futuro encontro, com mais tempo em cena, era aguardado pelos fãs. Para a infelicidade de todos coube a infeliz Millenium Filmes (ex-produtora de filmes B) reunir os dois. Poderia até dado certo se não fosse o fato de terem aprovado um roteiro tão ruim de Russell Gerwitz (do bom Um Plano Perfeito) e um diretor de quinta categoria, o apático Jon Avnet. Resultado: é um filme B que podia ser muito bem a reunião de Stallone e Seagal, um roteiro capenga com reviravoltas que até minha filha de 1 ano é capaz de sacar. Os dois mestres estão no auge da canastrice. O filme em nenhum momento se desenvolve e a cada minuto da película se atropela em clichês horríveis. Outra coisa que não dá para entender no filme é o excesso de palavrões, desnecessário e muitas vezes patético. Parece que o filme foi feito nas coxas e que o simples fato de ter os dois ícones no cartaz já seria capaz de atrair o publico. Vale lembrar que o filme foi um fracasso nas bilheterias.

No final fica um certa melancolia, uma sensação de desperdício e uma vontade louca de correr para locadora e alugar Touro Indomável e o Poderoso Chefão, nessa época sim valia a pena unir esses dois, hoje é uma grande piada de mau gosto. Oscar para DeNiro e Pacino, definitivamente não, uma camisa de força seria mais apropriada.
Autor: Marcelo Moraes

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