sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mundo não seria o mesmo sem... O Silêncio dos Inocentes (Silence of the Lambs - 1991)


Sabe quando um ator nasce para fazer um papel? Quando isto acontece geralmente a história do cinema muda e o seu nome entra para a eternidade. Foi o que aconteceu em O Silêncio dos Inocentes e o personagem Hannibal Lecter, interpretado pelo ator inglês Anthony Hopkins. Este personagem já havia sido interpretado por Brian Cox no filme Dragão Vermelho de Michael Mann, mais foi na interpretação magistral de Hopkins que esse personagem foi imortalizado. Lecter era um assassino impiedoso, conhecido como O Canibal, mas que tinha um intelecto acima da média.


Em o Silêncio dos Inocentes, filme do diretor Jonathan Demme, e baseado no livro do escritor Thomas Harris, ele é convocado por uma jovem agente do FBI, Clarice Sterling, interpretada pela também excelente Jodie Foster, para traçar o perfil do serial killer Buffalo Bill que havia seqüestrado a filha de uma Senadora dos EUA. E é nesse ponto que O Silencio dos Inocentes se torna uma obra-prima: em troca de fornecer informações sobre Buffalo, Lecter envolve Clarice em um jogo psicológico no qual a todo o momento ela deve ter cuidado para não ser manipulada. E incrível como o Diretor consegue trabalhar esta questão psicológica sem cair nos maneirismos do gênero, é um filme sobre serial killer, mas há tanta coisa envolvida que o telespectador não consegue desgrudar os olhos, mesmo não tendo uma cena de ação explícita no filme.


Este é um dos filmes mais assustadores do cinema, pelo que não mostra e pelo que deixa na mente do expectador. O filme ganhou os 5 principais Oscar da categoria: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado, todos merecidos, principalmente o trabalho de atores. Jodie Foster nos dá a sua melhor interpretação até hoje, sua personagem ao mesmo tempo em que nos passa certa fragilidade é tão durona a ponto de encarar Lecter de frente. Este que é magistralmente interpretado por um ator que dispensa comentários, Hannibal Lecter é o maior psicopata do cinema e só podemos dizer isso porque Anthony Hopkins ultrapassou a barreira das interpretações usuais, seus gestos, olhares e falas, funcionam em uma sincronia perfeita, a ponto de conduzir a história e em alguns momentos nos fazer torcer por ele. Esqueça as continuações Hannibal e Dragão Vermelho, o melhor de Lecter está aqui em o Silencio dos Inocentes, uma obra inimitável e perfeita.
Autor: Marcelo Moraes

Matrix + Superman = ?


Depois do fracasso que foi o filme de 2006, Superman Returns, os empresários da Warner estão totalmente desacreditados com a franquia do homem com cueca por cima das calças. Eu gosto do filme do Bryan Singer, não acho que esteja à altura dos dois primeiros filmes do eterno Chris Reeves e Richard Donner (que dirigiu apenas a metade do segundo), mas mesmo assim é um bom filme por nos dar a oportunidade de ver como seria o Superman com o poder dos efeitos especiais de hoje em dia. O filme talvez tenha pecado por não ter mais ação e um vilão à altura do nosso herói (como o imperador Zod).

Eu espero todos os dias por novidades de um novo filme, porque sou fã do Super e acredito no potencial que este poderia ter, com uma boa história e um bom vilão. Hoje eu me deparei com a notícia que os irmãos Wachowski estão cotados para serem os responsáveis pelo recomeço da franquia, pois em 2011 acaba o prazo para a produção de um filme já que as famílias dos criadores do Superman irão adquirir todos os direitos em cima do personagem, ficando bem difícil negociar para que outro filme seja produzido.

Os criadores de Matrix seriam apenas os produtores e o diretor seria James McTeigue (V de Vingança e do ainda inédito Ninja Assassin, todos produzidos pelos irmãos). Agora, podemos esperar boa coisa com essa galera no comando? Podemos. Principalmente porque os irmãos Wachowski gostam de trabalhar com materiais onde uma pessoa é dotada de um super poder, um escolhido. Por outro lado, também pode ser que o filme não seja bom por conta da influência do estúdio em cima do material produzido (lembre-se da diferença da qualidade do primeiro Matrix para as suas seqüências, as quais os diretores afirmaram que só fizeram para ganhar dinheiro e por influência do estúdio).

Mais uma vez uma novela em cima do maior herói de todos os tempos está se desenrolando. Está difícil acreditar novamente que um homem pode voar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Busca Implacável (Taken - 2008)


Alguém alguma vez imaginou se o Jason Bourne ou o James Bond envelhecesse e tivesse uma família? Como seria? Acho que a resposta seria mais ou menos como no filme Busca Implacável (Taken) – sim, esse nome mais parece título de filme do Steven Seagal. Mais um exemplo daqueles que nos dão a oportunidade de ver um verdadeiro herói de ação distribuindo pancadas, explodindo carros e salvando o dia, igual aos heróis acima citados e aos filmes que passam no Domingo Maior à La Charles Bronson e o tio Chuck dos anos 80 e começo dos 90.

Produzido por Luc Besson, o cara que nos trouxe filmes como Transporter (Cargar Explosiva), e dirigido por Pierre Morel (quem?), esta película nos coloca na pelo do ex-agente aposentado da CIA Bryan (Liam Neesson), que está querendo se reaproximar da sua filha Kim (Maggie Grace), pois os seus anos servindo ao governo americano o fez perder tempos preciosos com sua família.

Tudo começa quando a filha de Bryan anuncia que vai fazer uma viagem pra Europa, mais especificamente França, junto da amiga piranha estereotipada Amanda (Katie Cassidy). Lá elas são seqüestradas e começamos a realmente ver quem é o cara por trás daquele até então tranqüilo ex-agente família, que vai ao resgate da sua filha - a outra garota já tem um futuro que lhe espera.

Interpretado por um ator acostumado com filmes mais cerebrais, Liam Neeson nos convence demais como “o cara”, sendo muito seguro no que fala (preste atenção no que ele fala no primeiro contato com os bandidos sobre “ter umas habilidades especiais”) e nas cenas em que desce o braço na galera. Usei o termo “convencer” porque ao longo dos anos ele tem sido mais mentor do que realmente quem põe a mão na massa, vide o mestre do Batman em Batman Begins, como jedi em Star Wars Episodio 1 e como a voz do leão Aslam em Nárnia. Sem contar que seu papel de maior destaque foi no A Lista de Schindler – quem diria agora como herói de ação?! Aliás, vendo um pouco da história do ator, li que Neeson enquanto jovem era pugilista, então não teve nenhuma dificuldade em fazer as cenas de ação. Enquanto isso os outros integrantes do elenco, apenas ele convence, pois a filha interpretada por Maggie Grace é meio “abestada” pra sua idade no filme (17 anos), soando artificial demais e a Famke Janssen (trilogia X-Men como Jean Grey) fazendo a mãe da menina que só deu as caras pra pagar umas contas atrasadas.

Agora vamos para o quesito roteiro: quando volto no passado e lembro-me dos filmes do Domingo Maior, consigo me lembrar apenas da ação, ou seja, a história está em segundo plano, pois o que importa mesmo são as habilidades do protagonista e a forma com que ele acaba com os malvados. Enfim, nesse filme não é diferente. Não espere nada demais, nem diálogos inspiradíssimos. Lembre que você está assistindo um filme genérico um pouco acima da média e que fez um grande e inesperado sucesso nos Estados Unidos, garantindo uma seqüência que deve sair daqui a um tempo. Agora, se eu vou assistir? Pode apostar que sim.

Nota: 7,0 – Porrada, explosões e um protagonista que já vale o filme!

As Duas Faces da Lei (Righteous Kill - 2008)


A grande pergunta a se fazer no final deste As Duas Faces da Lei é uma só: POR QUÊ ? Não dá pra entender como duas lendas como DeNiro e Pacino aceitaram fazer esta bomba (talvez dívidas de jogo, muito ácido na cabeça ou esclerose). Simplesmente fica difícil pensar em algo racional, se é que é possível pensar em algo racional em um filme tão irracional como este.

Na trama, após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original, a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer. O mais incrível é que para rodar este filme foram gastos 80 Milhões de dólares, um alto padrão para um filme que não faz jus ao orçamento.

Mas pra entender como o cinema perdeu uma boa oportunidade de ver duas lendas do cinema juntos, vamos voltar a 1995, quando Michael Mann filmou o excelente Fogo Contra Fogo. O filme era estrelado por DeNiro e Pacino, mas para a tristeza geral os dois tinham poucas cenas juntos. Após estes filmes a qualidade dos filmes dos dois piorou, mas um futuro encontro, com mais tempo em cena, era aguardado pelos fãs. Para a infelicidade de todos coube a infeliz Millenium Filmes (ex-produtora de filmes B) reunir os dois. Poderia até dado certo se não fosse o fato de terem aprovado um roteiro tão ruim de Russell Gerwitz (do bom Um Plano Perfeito) e um diretor de quinta categoria, o apático Jon Avnet. Resultado: é um filme B que podia ser muito bem a reunião de Stallone e Seagal, um roteiro capenga com reviravoltas que até minha filha de 1 ano é capaz de sacar. Os dois mestres estão no auge da canastrice. O filme em nenhum momento se desenvolve e a cada minuto da película se atropela em clichês horríveis. Outra coisa que não dá para entender no filme é o excesso de palavrões, desnecessário e muitas vezes patético. Parece que o filme foi feito nas coxas e que o simples fato de ter os dois ícones no cartaz já seria capaz de atrair o publico. Vale lembrar que o filme foi um fracasso nas bilheterias.

No final fica um certa melancolia, uma sensação de desperdício e uma vontade louca de correr para locadora e alugar Touro Indomável e o Poderoso Chefão, nessa época sim valia a pena unir esses dois, hoje é uma grande piada de mau gosto. Oscar para DeNiro e Pacino, definitivamente não, uma camisa de força seria mais apropriada.
Autor: Marcelo Moraes

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os 30 Maiores Clichês de Hollywood - Parte 2


16. Quando se é perseguido através de uma cidade pode-se normalmente escapar através da parada do dia de S. Patrick, em qualquer época do ano.


17. Qualquer pessoa decola facilmente um avião desde que na torre de controle esteja alguém que lhe dê as instruções.


18. A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício de Paris.


19. O pessoal nunca termina a sua bebida.


20. O chefe da polícia é sempre negro.


21. Policiais sempre comem rosquinhas.


22. Quando se paga o táxi nunca se olha para a carteira para tirar o dinheiro, tira-se uma ao acaso. É sempre o dinheiro certo.


23. Um simples fósforo é suficiente para iluminar uma sala, mesmo do tamanho de um estádio de futebol.


24. Se um assassino espreita uma casa é fácil encontrá-lo. Basta relaxar e tomar um banho, mesmo no meio da tarde.


25. Os camponeses medievais tinham dentes perfeitos.


26. Quando se apaga a luz para dormir, o quarto fica sempre iluminado, apenas um pouco escurecido.


27. Os cães sabem sempre quem são os malvados.


28. Em vez de gastarem balas, os megalomaníacos preferem matar os seus principais inimigos através de dispositivos complicados que envolvem rastilhos, roldanas, gases tóxicos, lasers e tubarões e que permitem que os seus prisioneiros tenham pelo menos 20 minutos para fugir.


29. É sempre possível estacionar o carro em frente de edifício que se visita.


30. Um detetive só consegue resolver um caso se tiver sido suspenso do serviço.

Os 30 Maiores Clichês de Hollywood


1. O sistema de ventilação de qualquer edifício é o local ideal para alguém se esconder. Ninguém se lembra de procurar lá e pode-se alcançar facilmente qualquer parte do edifício através dele.

2. Um homem não mostra dor quando é ferozmente espancado mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas.

3. As cozinhas não têm interruptores de luz. Quando se entra à noite numa cozinha abre-se a geladeira e usa-se a luz dela.

4. Numa casa assombrada as mulheres investigam os ruídos estranhos com roupas o mais transparente possível.

5. Os carros sempre explodem, por menor que seja a batida.

6. A tosse é normalmente o sinal de uma doença fatal.

7. Todas as bombas estão equipadas com relógios que dizem exatamente quando irão explodir.

8. No confronto com um terrorista internacional perigoso, o sarcasmo e as frases jocosas são as melhores armas.

9. Num tiroteio, um homem contra vinte tem maior probabilidade de matar os vinte do que os vinte têm de matá-lo.

10. Uma música assustadora vinda de um cemitério deve ser sempre investigada mais de perto.

11. A maior parte dos computadores portáteis têm capacidade suficiente para penetrar nos sistemas de comunicações de qualquer civilização invasora extraterrestre.

12. Quando estão sós, todos os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.

13. Os heróis de ação nunca sofrem penas por homicídio ou ofensas criminais apesar de destruírem cidades inteiras no decorrer dos seus atos.

14. Qualquer fechadura pode ser aberta em segundos com um cartão de crédito ou um arame exceto a porta de um prédio em chamas com uma criança lá dentro.

15. Qualquer tipo de emprego faz um pai esquecer o aniversário do seu filho de oito anos.

Continua...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Era do Gelo 3


Fazer sucesso financeiro é garantia de seqüência / franquia, o que nos garante o pré-requisito de ter que assistir um filme com a mesma formula do primeiro para garantir o sucesso de novos filmes. É sobre esse lema que Hollywood vive hoje, por mais que o filme progenitor seja ruim, afinal sucesso é tudo. Temos vários exemplos de franquias ruins que fizeram sucesso e garantiram inúmeras seqüências: American Pie, Aliens VS Predator (os filmes individuais são infinitamente melhores), Resident Evil (pena que a adaptação só está no nome) e etc.

Porém, para toda regra existe uma exceção, neste caso estamos falando da franquia A Era do Gelo, que começou com apenas um filme mediano, melhorando no segundo e conseguindo seu ápice neste terceiro exemplar (lançado inclusive com a técnica 3d).

A Era do Gelo foi o primeiro filme em animação da 20th Century Fox, lançando em 2002 e dirigido por duas mãos por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha, esse que veio a assumir o segundo e agora este terceiro exemplar.

Tirando leite de pedra para enriquecer os produtores de Hollywood e garantir mais um sucesso para o diretor Carlos Saldanha, que está produzindo um novo filme de animação chamado de Rio, acompanhamos mais uma vez a turma da era glacial: Sid, Manny, Diego, Ellie e seus dois irmãos (gambás) e o novo personagem Buck, uma doninha pra lá de marrenta e louca.

A história dessa vez tem um tom mais Disney de ser, ou seja, tentando e conseguindo com êxito colocar os valores familiares e da amizade acima de tudo no desenrolar dos atos. Desta vez Manny e Ellie estão à espera do seu bebê, Diego sente que está ficando molenga e decide seguir seu próprio caminho sem seus amigos por se sentir na necessidade de novas aventuras, enquanto Sid vai à busca de sua própria família encontrando ovos de dinossauro e tentando criá-los como filhos. É nessa tentativa de construir essa família um tanto quanto estranha que Sid acaba se metendo em uma enrascada quando a mãe verdadeira dos ovos acaba levando a preguiça desastrada para um mundo subterrâneo e, como diria o narrador de filmes da Sessão da Tarde da TV Globo: “arrumando grandes confusões” para seus amigos que vão tentar resgatá-lo. Ah, ainda tem o esquilo Scrat que ainda está atrás de sua noz, só que dessa vez ele conseguiu uma concorrente / aliada, uma “Scratita”, por quem acaba se apaixonando.

Por falar no Scrat, talvez nele resida a melhor sacada do filme: o seu encontro com a esquilinha sexy. A cena do tango é simplesmente genial. Ah, fato curioso: quando estava assistindo ao filme em uma sessão lotadíssima, com gente de tudo quanto é tipo e crianças que ficavam gritando ao longo do filme, que ouvi uma pérola de um “folião” na cena que citei: “ahahaha, eles estão dançando valsa”. É pra se matar e pedir que o enterre de barriga pra baixo para não ter risco de voltar.

Superior aos dois primeiros filmes, este novo A Era do Gelo vai deixar qualquer um satisfeito ao sair do cinema. Não é nenhuma obra prima, mas exerce bem o seu papel. Um filme feito pra família, que pode divertir tanto a criançada quanto aos adultos. Mas por favor, já chega de sequências desnecessárias.

Nota: 8,0 – Vale o ingresso!