sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Presságio (Knowing, 2009)


Assisti a esse filme com um pé meio atrás, basicamente por duas coisas: primeiro por ter lido críticas bem ásperas e segundo por ter que ver Nicolas Cage atuando, já que o mesmo vem devendo há tempo depois de ter feito tantos papeis ruins. Mas uma coisa me deixava esperançoso: Alex Proyas.

Depois de assistir filmes como O Corvo (The Crow, 1994) e A Cidade das Sombras (Dark City, 1998), tornei-me um grande admirador do diretor Alex Proyas, principalmente por conta deste último, que particularmente considero um grande filme, um cult. Volta e meia, Alex lida com assuntos relacionados à mundos de ficção / ficção-científica, o que é bom, pois eu sou grande fã desses gêneros. Proyas também é o realizador de outro filme bastante conhecido, Eu, Robô (2004), mas que infelizmente é mais um inflador de ego do Will Smith e de propagandas do que um filme bom, ficando estacionado apenas no “ok”.

Ao contrário da minha expectativa negativa, nesse seu novo filme, O Presságio, Alex acerta a mão e nos traz um filme muito interessante no ponto de vista narrativa e consegue tirar “quase” o melhor de Nicolas Cage.

A trama logo nos apresenta uma escola primária em que várias crianças vão fazer uma cápsula do tempo, ou seja, irão fazer desenhos sobre o futuro que será desenterrada 50 anos depois. Logo uma petiz, chamada Lucinda, começa a ouvir vozes e a escrever vários números, aparentemente sem lógica. Se eu fosse o professor daquela criança não teria botado aquilo em um envelope, quem sabe ela não iria traumatizar alguma outra criança 50 anos mais tarde? Neste primeiro ato, encontra-se o momento mais fraco do filme, um clima meio que forçado de fazer um terror barato e sem sentido, é só ver quando a menina se esconde e ninguém liga a luz para procurá-la. Aí era hora de botar uns raios e dizer que foi embora a luz, pegaria menos mal.

Passado 50 anos e o momento “leseira”, entra em cena John Koestler (Nicolas Cage), um astrofísico que adora uma manguaça e tem que cuidar sozinho, após a morte da esposa, do filho Caleb (Chandler Canterbury), que claramente sofre problemas de relação com o pai por conta disso. É no evento da escola que cada aluno recebe das mãos dos professores o envelope contendo o desenho das crianças que ajudaram a compor para cápsula do tempo. Por coincidência, Caleb recebe o envelope contendo os desenhos de Lucinda. Não demora muito para que Koestler analise e associe os números com eventos que passaram e que estão para acontecer, todos eles grandes tragédias.

É a partir de todo esse desenrolar que o filme engata uma quinta marcha e segue em ritmo acelerado, dando espaço para várias discussões. Podemos relacionar todos os acontecimentos com o Espiritismo e o Religioso.
No meio do filme os personagens de Cage e de Rose Byrne (Diana Wayland), que não pôde fazer muita coisa com sua personagem (visto que ela estava ótima em O Extermínio 2), acham na casa da falecida Lucinda um desenho de Ezequiel, profeta que escreveu vários capítulos da bíblia. Talvez essa seja a grande associação de Lucinda e suas revelações, tornando-a uma profetisa. Inclusive nos primeiros livros das antigas escrituras de Ezequiel ele descreve alguns elementos / eventos muito parecidos com o final do filme (Não, não vou contar). Além é claro de alusões ao Gênesis e a Arca de Noé.

O espiritismo entra na questão de que tudo nessa vida é cíclico, nós seres humanos e o planeta em si, todos passarão pelos estágios de vida: a criação (concepção), amadurecimento, decrepitude e morte. A partir daí tudo será renovado e dará origem a outros seres ou mundos. Os sussurros que as crianças ouviam podem até ser entendidos como mediunidade, pois quando somos pequenos não tememos tanto o sobrenatural do que quando crescemos e tomamos consciência das coisas, alguns conseguem levar isso a frente e outros, até por medo, deixam esse dom que todos nascemos de lado.

Nosso interesse pela trama é crescente, sempre nos revelando novos eventos, sempre prendendo nossa atenção. Uma coisa me deixou realmente de queixo caído foi uma das cenas de catástrofe: o acidente aéreo. Cena maravilhosa, muito bem conduzida em long shot e com efeitos soberbos. Além do mais, ele é certeiro ao ponto de não estarmos esperando que ele aconteça. O elemento surpresa realmente funciona aqui, afinal, estávamos esperando que outra coisa acontecesse, diferentemente do acidente do metrô, mas que não deixa de ser tão fantástico quanto o primeiro. Não dá para contar muita coisa do filme sem estragar o climax, poderia acabar soltando algum spoiler.

Se você entender um pouco da mensagem do filme, talvez você curta muito mais do que se estivesse esperando por um filme de catástrofes, explosões e muita ação (como deve ter sido vendido erroneamente pelos trailers).

Para os amantes de ficção científica, está aí uma boa pedida. Para os fãs de Alex Proyas e Nicolas Cage é um sinal de boa maré vindo pela frente, pelo menos é o que todos nós queremos. Com certeza, quando sair em DVD, gastarei uns trocadinhos para comprar.


Nota: 8,5


3 comentários:

  1. Vejo traços de um pupilo de Pablo Vilaça...de um leitor doentio de Cinema em Cena

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  2. Pelo menos nesse filme o Nicolas Cage não tá com a aquele cabelinho, "mamãe quero ser gay" das ultimas bombas como o Vidente e Operação Bangkok. Alex Proyas é bom mas tá devendo um novo Cidade das Sombras.
    Quanto ao blog tá muito bom.

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  3. Pelo menos nesse filme o Nicolas Cage não tá com a aquele cabelinho, "mamãe quero ser gay" das ultimas bombas como o Vidente e Operação Bangkok. Alex Proyas é bom mas tá devendo um novo Cidade das Sombras.
    Quanto ao blog tá muito bom.

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