quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Dia em que a Terra Parou (2008)


Têm certos papeis que são perfeitos para alguns atores, mas tem atores que não nascem para protagonizar certos papeis. Ciente de todo sua inexpressividade, mas contando com um carisma que muitos atores fazem de tudo para tê-lo, Keanu Reeves é o grande nome deste remake capenga do filme de 1951 de mesmo nome no papel de Klaatu, outrora vivido pelo também inexpressivo Michale Rennie.

Não faz muito tempo que eu assisti ao original no Corujão – o único horário para assistir filmes antigos e bons na TV aberta – e fiquei impressionado com o tom tão atual deste filme depois de mais de 50 anos. Dá para perceber como nós seres humanos não evoluímos quase nada ao longo deste meio século. Ambas as histórias tem como foco uma nave extraterrestre que pousa no meio de Washington e dela saem o personagem do filme Klaatu e um robô gigante. Desta vez trocamos aqueles disquinhos caricaturais por uma esfera de energia. Mas uma coisa difere aqui, se no primeiro nós tínhamos o medo da Guerra Fria, desta vez damos lugar ao terrorismo (armas nucleares) e aos impactos ambientais, reforçando a idéia que sem o ser humano no planeta Terra tudo flui normalmente, pois segundo Klaatu “nós (ET’s telefone-minha-casa) não podemos deixar com que apenas uma espécie possa fazer com que todas as outras desapareçam”.

Podemos presenciar logo no primeiro ato do filme que o Estados Unidos é retratados da maneira mais fiel possível: atira primeiro e depois pergunta, liderança fraca que não sabe lidar com questões de segurança nacional e pessoas desequilibradas no poder. Afinal, matar um ET é mais fácil do que trocar algumas palavras com ele, a fim de aprender alguma coisa.

Contando com um bom elenco, mas mal trabalhado, O Dia em que a Terra Parou não consegue em nenhum momento fazer com que gostemos das pessoas que estão ali na telhinha. Se por um lado temos uma atriz que, se bem trabalhada, rende bons frutos (Jennifer Connely), do outro lado temos o ator mirim Jaden Smith, filho do Will Smith, que é mostrado como uma criança chata que mais dá vontade de dar um cascudo do que torcer com que ele se salve no final. Ah, ainda temos Kathy Bates (ela tava nesse filme?) como a chefe de estado e o mal aproveitado John Cleese, aceitando o papel para pagar umas contas, pois se o seu personagem for tirado do filme não iria fazer diferença nenhuma.

Ao longo do filme, “Neo” vê que nós temos algo a mais do que apenas a matança um dos outros, temos sentimento e tudo mais. No original ele ia convivendo com as pessoas e vendo aos poucos como nós podemos ser bondosos, não apenas em uma cena qualquer como nesta refilmagem. Tudo muito rápido, como se estivéssemos vendo os melhores momentos de um jogo de futebol ruim.

Resumindo: este filme é apenas uma mera desculpa para usar efeitos especiais, nada além disso. O problema todo é se levar a sério demais, já que temos tantos outros filmes de catástrofes / ET’s por aí que são melhores por justamente não estar nem um pouco preocupado em ser categorizado como “B” (vide Independancy Day). Mamar em uma fonte interessante é fácil, criar algo original é que tá difícil hoje em dia, já que o dinheiro fala mais alto, gerando desta forma uma mera desculpa para utilizar um nome conhecido e que seja rentável para os produtores de Hollywood. Faltou o cerebral. Fiquei com uma sensação de amargo na boca.

Nota: 4,0 – só por causa dos gafanhotos!

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