quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os Goonies (The Goonies, 1985)



Relembrar o passado é sempre bom, ainda mais de uma época tão boa quanto a nossa infância. Digo isso, pois encontrei em promoção alguns DVD's, em sua maioria antigos, um certo filme que marcou a infância de várias crianças do mundo todo que nasceram nos anos 80 e que logo fiquei empolgado em adquirir. Estou falando de Os Goonies, produzido por Steven Spielberg e dirigido por Richard Donner (Super-homem – O Filme).




Mais diante disso me vieram várias perguntas: o que define um clássico? Seria a sua qualidade indiscutível ou seria a sua legião de fãs? Acho que o que denota um clássico são os fãs que ela possui e a força que continua com o passar dos tempos, não apenas um marola de férias (Crepúsculo, alguém?). A riqueza de sua história e o envolvimento são fatores marcantes, mas também o que fica latente nesta questão é o sentimento que estas produções despertam nas pessoas, ou até mesmo épocas que te fazem recordar de algo ou de alguém.




Os Goonies é lembrando por muitos como um clássio da Sessão da Tarde, mas é claro que ele é muito mais do que isso. Eu definiria os Goonies como um passeio no parque de diversões, no qual você experimenta todos os brinquedos temáticos que ele tem pra te oferecer. Portanto, tem tudo o que uma criança gosta e que fica no seu imaginário. Quem nunca inventou histórias de piratas e caças ao tesouro? Quem nunca quis ser como um Indiana Jones?




Somos apresentados a várias famílias que estão preste a perder suas casas, já que o bairro vai ser demolido. É aí que os Goonies (nome dado ao clube dos amigos por conta da região em que vivem) acham um mapa do tesouro de Willy Caolho que talvez possa salvar as casas e manter todos os amigos juntos.




O grande barato dessa produção é o seu elenco: Mikey (o mocinho sonhador), Brand (o irmão mais velho), Bolão (o gordinho e desastrado da turma que só pensa em comer), Bocão (o Bart Simpson da turma), Andy (a garota romântica), Stef (a amiga racional de Andy), Dado (o inventor) e Sloth que se junta ao longo da aventura. É notório como o elenco é homogêneo e todos soam verossímeis, parecendo como qualquer um de nós enquanto crianças. O que não convence muito é a gangue dos Fratelli, seguindo o perfil de criminosos bobalhões à la Esqueceram de Mim, que passam a persegui-los.




Dirigido com competência de Richard Donner, o que chama bastante a atenção é o clima frenético que o filme toma a partir do seu segundo ato, no momento que eles entram na caverna e começam a procura do tesouro pirata. Outro fator de destaque é a belíssima trilha sonora que dá o tom certo a esta caçada.




Os Goonies é um filme que marcou, novamente eu cito que não por conta dos seus aspecto técnico que em alguns momentos são questionáveis, mas sim pelo sentimento e a felicidade de reencontrar a sua infância, um espelho de si mesmo em 140 minutos de boa diversão e muita aventura, seja até qual for a sua idade.




Nota: 8,0 – Sloth!



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sempre ao Seu Lado (Hachiko: A Dog's Story, 2009)


História com animais sempre me comovem, mas não aqueles filmes em que os bichos (cachorros e macacos falantes em sua maioria) aprontam muitas confusões. Seguindo a “fórmula” de amor entre o homem e seu cachorro de Marley e Eu , eis que chega aos cinemas neste natal o filme Sempre ao Seu Lado, baseado em uma lenda japonesa e um remake de 1987.



Acompanhamos a história de um professor universitário, Parker Wilson (Richard Gere), que encontra um cachorrinho, da raça Akhita, abandonado e o leva pra casa, iniciando assim uma forte relação de amor e lealdade. A diferença desta relação entre dono e cão é que todos os dias Hachiko (nome dado devido à uma letra japonesa na coleira do cachorro que significa 8), acompanha seu dono até à estação de trem e o espera até sua volta do trabalho.




Dirigido com certa obviedade por Lasse Hallström (mais conhecido por filmes como Dia de Cão, Chocolate e Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador), Sempre ao Seu Lado é um filme genérico, com diálogos genéricos e atuações no ponto morto na ladeira dos seus protagonistas, pois o que realmente importa aqui é o fim que levará a trágica história do cachorrinho. História essa que é muito conhecida no seu país de origem e quem conhece já sabe que vai chorar (e muito) ao longo de uma hora e meia de projeção.




A grande mensagem deste filme reside na mensagem em si: a lealdade. Acho que é o tipo de sentimento muito comum entre cão e dono, mas muito difícil de se conseguir entre pessoas, pois o mundo em que vivemos hoje, passar por cima dos outros é mais fácil do que se sacrificar por outro ser humano. Vivemos em uma sociedade que esqueceu o verdadeiro sentido da amizade. Este filme veio com essa finalidade, mostrar que o amor rompe a barreira do tempo, pois algo mais forte nos une nesse mundo. Não posso contar mais nada além disso, porque senão estraga o sentido do filme, porém vou logo avisando: leve um lenço pra não fazer feio na frente de tanta gente.




Nota: 7,0 – Genérico, mas que faz qualquer marmanjão chorar feito criancinha.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Entrando no clima de Avatar...


Avatar. Você ainda não ouviu falar? Bom, esse é o mais novo filme de James Cameron que promete revolucionar (será?) o cinema com uma nova técnica de animação 3d.


Mas afinal, quem é James Cameron?


Assistindo a um clássico de 1983, chamado de Exterminado do Futuro, fiquei com vontade de relembrar da carreira desse que é considerado um dos melhores diretores em atividade.


O seu sucesso começou realmente com o barulho que fez com Exterminado do Futuro, o qual rodou com apenas 6,5 milhões de dólares e faturou quase 80 milhões. Mas este era apenas o começo de uma grande carreira deste canadense.


Logo depois veio com um dos meus filmes favoritos, Aliens – O Resgate de 1986. Não contente com a grandiosidade deste título, quebrou o paradigma dos filmes de ação colocando uma mulher (Sigourney Weaver) no papel principal.


Três anos depois foi a vez de outro filme que gosto muito, O Segredo do Abismo com Ed Harris. Com efeitos especiais inovadores na época com a suas criatura aquáticas, revolucionou ao ponto de utilizar com maestria no seu outro grande sucesso em 1991, O Exterminado do Futuro 2, trazendo uma realidade incrível na composição do T-1000 e seu metal líquido.


Já em 1994, veio mais um sucesso com a companhia de Arnold Schwarzenegger no primeiro filme que quebrou a barreira do orçamento de 100 milhões de dólares em True Lies. Este eu considero até hoje o melhor filme do hoje governador da Califórnia, talvez Cameron seja o único diretor que tenha conseguido fazer com que Schwazza tenha realmente atuado.


Pegando o embalo de grandes sucessos, veio a grande tacada com Titanic em 1997, que até hoje é a maior bilheteria do cinema, tanto em expectadores quanto em arrecadação. Esse talvez seja o trabalho com que alcançou todos os públicos e mostrou a sua versatilidade em lidar com temas como amor e a sensibilidade das cenas românticas.


Depois de tantos sucessos, depois de tantas quebras de recordes, eis que quase 12 anos de espera veremos esse grande diretor em ação novamente com Avatar, que de acordo com a mídia e com a minha expectativa, talvez seja o grande filme do ano.



Obs.: Cameron já ganhou o Oscar de melhor diretor por Titanic, mas também já levou o Framboeza de Ouro por Rambo II, sendo que esse último só não manchou sua carreira porque Sylvester Stallone quem modificou o roteiro e bagunçou tudo.

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007)

O medo é um sentimento meio que masoquista, assistir a um filme de terror é pedir para sentir aquele arrepio na espinha e pular da poltrona. Para aqueles que adoram roer as unhas de tensão, chega o filme Atividade Paranormal.


Rodado com câmeras caseiras, este que a muito se assemelha à Bruxa de Blair pela sua estrutura narrativa, Atividade Paranormal assume este tom de mockumentary (falso documentário) para contar a história de um casal, Katie e Micah, que começam a presenciar atividades estranhas na sua nova casa e resolvem comprar uma câmera para registrar tais eventos.


O que mais chama a atenção nesta produção é o fato da mesma ter sido rodado com apenas $ 15.000,00 e faturado mais de $100.000.000,00. O diretor Oren Peli, a partir de uma idéia básica que ele afirma ter vivido, praticamente já garantiu seu fundo de garantia para a aposentadoria, mas parece que não vai parar por aí.


Ao longo da projeção vamos aos poucos sendo apresentados ao tal fenômeno, que por sua vez um especialista chamado por Katie afirma não se tratar de um fantasma, mas sim de um demônio que a persegue desde que ela era pequena, o que a impede de se mudar.


O grande barato desde filme reside de nunca vermos o tal demônio que assombra a casa, pois em produções japonesas e americanas somos logo abordados por fantasmas de criancinhas cabeludas e pálidas. E à medida que o filme vai se desenrolando os fenômenos vão aumentando de freqüência e de intensidade, ocorrendo até durante o dia.


Talvez seja aí que o reside o pecado do filme e que quase o compromete: a tensão vai aumentando ao decorrer dos dias e quando estamos naquele clima de total desespero pelos personagens, o filme simplesmente acaba e se entrega a um final que certamente foi modificado pela produtora do filme, ou seja, se tivesse terminado 5 segundos antes teria sido melhor.


Quem assistiu a Bruxa de Blair sabe que esse filme não tem nada de diferente ou revolucionário, é apenas mais um filme feito com uma boa idéia e muita criatividade. Este sim é uma ótima recomendação para os masoquistas de plantão que eu citei. Ah, quanto ao que o cartaz do filme diz que não é para assistir sozinho, leve a sério.


Obs.: Este filme já está pronto desde 2007 e fez tanto barulho que a Paramount e Steven Spielberg apadrinharam para lançá-lo mundialmente. Desta forma tornou-se o filme “independente” mais lucrativo da história do cinema, superando Mudança de Hábito (sim aquele das freiras cantoras que já cansou de passar na Sessão da Tarde).


Nota: 8,0 – nunca mais vou dormir de porta aberta na minha vida.




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

10 Razões para não assistir a “Saga Crepúsculo”:

Eu, sinceramente, não tenho a menor vontade de assistir a nenhum dos filmes, nem o já lançado (Crepúsculo, 2008), nem a essa nova fita (Lua Nova, 2009). Mas não porque não gosto de filmes de vampiros, mas por conta da qualidade questionável e da super estimação de uma produção mequetrefe. Só pelo trailer já pude conferir a “qualidade” dos atores e do roteiro em sim.

A questão toda é que filme para adolescentes hoje em dia é algo bem questionável, principalmente porque a mídia tende a subestimar a mentalidade destes, não edificam em nada. É só comparar o que os adolescente assistiam, com a mesma temática, em 1987, com o bom filme Garotos Perdidos. Quem assistiu a este sabe que a história é praticamente idêntica, mas como o filme se desenvolve que as semelhanças ficam mesmo por conta da premissa.


Fuçando pela internet, achei essa lista muito legal do site http://www.popmatters.com/ de 10 razões para você não assistir a essa nova franquia de sucesso que está batendo recordes de bilheteria (infelizmente, pois isso é significado de mais filmes por aí e tendências).



Confira a lista abaixo das 10 razões para não assistir:


1. Se você não é uma garotinha de 14 anos que adora gritar de euforia. Claro, que isso quer dizer que você tem coragem de acampar por cinco dias na fila do cinema só para ter uma visão privilegiada para ver Robert Pattinson, Kristen Stewart and Taylor Lautner. Você ao menos sabe quem são eles?


2. O livro não está na sua “must read” lista. Você não apenas leu os livros dos quais o filmes são baseados, como também nem se importa de ver o filme primeiro.

3. Aversão a vampiros. Você não dá a mínima para vampiros, e mesmo que você o fizesse, você também não daria a mínima para lobisomens.

4. Você é um purista. Se tem uma coisa que eu não gosto sobre filmes de terror da atualidade é que eles mudam as regras como bem entendem. Os zumbis correm mais rápido, mas todo mundo sabe que zumbis se mexem devagar. Os vampiros se forçam a serem vegetarianos, quando todos sabem que isso é impossível. E os lobisomens nem precisam de uma lua cheia para se transformar na tal criatura. Qual é a dos produtores, hein?


5. O nome da protagonista: Bella. Se alguém diz o nome “Bella” para você, a primeira coisa que viria a cabeça na hora de soletrar seria “Bela”, como no nome do eterno interprete do Conde Drácula de 1931 – Bela Lugosi.


6. Ela não é Anne Rice. Nós não estamos fazendo um julgamento do talento como escritora da autora, Stephenie Meyer, dos livros “Crepúsculo”. É que nós fomos apresentados ao mundo dos vampiros por Anne Rice, com o seu ótimo Entrevista com Vampiro – que também virou filme com o Tom Cruise e Brad Pit. Edward Cullen, o vampiro mocinho do filme, é uma imitação barata do Lestat.


7. Vilões. Hans Gruber foi o grande vilão em Duro de Matar, Auric Goldfinger foi o grande vilão do filme do James Bond, Darth Vader foi um grande vilão nos filmes de Star Wars. Esses vilões tinham ambições. Eles queriam conquistar o mundo (ou o universo no caso de Vader). Não estavam motivados pela sede de sangue. Se alguém morresse, era apenas mais um no caminho do grande plano do vilão. Não era porque estava na hora do jantar.


8. Você é um líder, não um seguidor. A Saga Crepúsculo: Lua Nova vai arrastar milhões de dólares pelo mundo, sem mencionar o mercado caseiro de DVD's. Somente um adolescente ou um lobisomem, sentem prazer de fazer parte do bando. Eles gostam de se gabar de fazerem parte de milhões que marcharam em direção ao cinema para assistir aos filmes. Você é diferente, você prefere fazer parte de um grupo menor que sabe como gastar seu dinheiro suado.


9. “Avatar” está chegando, com a previsão de lançamento em Dezembro. Dinheiro não tá fácil nesse momento, e você quer economizar o dinheiro gasto com ingresso em um negócio mais adulto e com qualidade.


10. As filas estão muito longas, tá um saco comprar ingresso nessa época do ano.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Watchmen (2009)

Baseado nas graphic novel de mesmo nome escrita por Alan Moore, eis que sai o novo filme do nada visionário diretor Zack Snyder (título de “visionário” que foi colocado nos cartazes do filme por conta de 300) e de cara digo logo: quem leu esta série de histórias em quadrinhos, que é considerada por muitos uma obra de arte, vai curtir muito mais o filme do que aqueles que nem sabem pra onde vai.

Situado em uma versão alternativa do nosso mundo em 1985, em que a Guerra Fria está preste a deixar de ser apenas uma série de ameaças entre EUA e a União Soviética, somos apresentados logo de cara a um grupos de heróis, conhecidos como os “máscaras”, que são comuns no dia a dia das pessoas. O tempo passa e as gerações de heróis mudam, daí presenciamos o assassinato de um dos integrantes do último time de heróis após uma lei que impusera que heróis mascarados não poderiam mais atuar.


Mas qual é a diferença de Watchmen para os filmes / HQ's de super-heróis habituais? Bom, com a exceção do Dr. Manhattan, nenhum dos heróis possui realmente um grande poder, ou seja, eles estão mais próximos da nossa realidade com conflitos pessoais, fraquezas e incertezas do que apenas salvar o dia e pronto com minha super-força, raio laser, ou minha armadura super cósmica.


A graphic novel lançada nos anos 80 mudou quase que completamente a idéia que se tinha sobre o tema “herói”, pois uma narrativa mais madura foi imposta, juntando-se com outras obras como A Queda de Murdock (Demolidor) e Cavaleiro das Trevas (Batman), ambos de Frank Miller e Maus (de Art Spiegelman) respectivamente, mostrando que histórias em quadrinhos eram coisas de adulto também e não apenas de adolescentes.


Passamos a acompanhar a história dos heróis Rorschac (Jackie Earle Haley), Coruja (Patrick Wilson), Ozymandia (Mathew Goode), Malin Akerman (Espectral II), Comediante (Edward Blake) e Dr. Manhattan (Billy Cudrup) que precisam se reunir novamente para investigar a morte de um companheiro, pois Rorschac acredita que uma grande conspiração está por trás disso tudo para tirar todos os heróis do caminho. O problema de se ter um elenco tão numeroso é que nem sempre é possível trabalhar da forma correta as personalidades e histórias de cada um, por conta disso vários flashbacks são inseridos ao longo da narrativa para que possamos entender o que leva a ação de cada herói que estamos vendo naquele instante.


Infelizmente eu não li as revista, mas analisando esse material como um filme, fica claro que alguns personagens não despertaram o meu interesse e suas historinhas com cara de novela mexicana que passa no SBT. Com exceção dos monólogos do Dr. Manhattan e de Horschac (meu personagem mais intrigante e interessante), os outros parecem meros figurantes em prol de uma trama maior.


Quanto à direção de Zack Snyder, continuo afirmando que o cara não tem nada de visionário, pois algumas cenas de ação soam extremamente artificiais e não causam o mesmo impacto que algumas vistas no seu trabalho anterior (300) e até mesmo na cena de luta inicial. Ele precisa tomar cuidado para não ter os mesmos vícios que certos diretores (Michael Bay, alguém?) e ter como marca registrada certas manias (vide alguns excessos de câmera lenta). No mais, ainda gosto muito mais do Madrugada dos Mortos dirigido por ele.


Muito longo e cansativo, sempre uma adaptação não vai agradar a todos, mas certamente aqueles que querem algo mais cerebral além apenas de pancadaria gratuita e pouco papo, vão gostar. Já aqueles que não tem paciência, é melhor esperar por alguma outra coisa que não seja Watchmen.


Nota 7,0 – Vou comprar as graphic novel para ver se mudo de idéia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Besouro (2009)


Antes de mais nada, sou contra qualquer pessoa que fale mal das produções brasileiras. O cinema globalizado (entenda cinema americano) nos imprimiu certo “padrão” de qualidade que afastou a grande massa das películas da nossa terra. No entanto, ao longo dos últimos anos, principalmente após o sucesso de Cidade de Deus, as pessoas tem olhado com mais carinho para nossos produtos nacionais. Mas é uma pena que ultimamente o que tem dominado são filmes com certas temáticas, algo meio que padrão.

Situado no Recôncavo bahiano nos anos 20, em uma época que os negros ainda eram escravizados, Besouro nos apresenta todos os elementos do candomblé e da capoeira como pano de fundo para a história que iremos acompanhar. Seguimos os passos de Besouro (Aílton Carmo), que dá o nome ao título, como um dos pupilos do mestre Alípio, que representava a grande força e luta contra os tiranos que ainda insistiam em tratar os negros como escravos. Eis então que Alípio é assassinado e seu legado passa para Besouro, que irá contar com as forças dos deuses para lhe garantir poderes sobrenaturais para continuar a luta para a libertação do seu povo.


Para fazer um filme de qualidade é preciso que a mão-de-obra seja realmente competente no que faz, e isso é uma coisa que este filme tem. Desde o seu diretor, João Daniel Tikhomiroff - vindo da área de publicidade, até ao coreógrafo chinês de lutas renomado internacionalmente Dee Dee (Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão). Visualmente o filme é impecável: a cena do lago, em que Besouro se vê aos olhos de um sapo, e o momento que ele inicia seu ritual de aprendizado e crescimento são dirigidos com segurança e com bastante apelo estético. As cenas de lutas, que são poucas infelizmente, são muito bem feitas e competentes. Infelizmente o que peca um pouco é a questão da relutância do nosso “super-herói”, que não vai mesmo para a briga, mas isso tem explicação: Besouro nada mais quer que seu povo saiba lutar por si mesmo, não que chegue alguém e simplesmente acabe com a festa dos bandidos, ou seja, ele quer servir de inspiração.


Afinal Besouro é ou não é um bom filme? Sim, é. Mas ele vai além disso, mostra que os brasileiros sabem fazer filmes que não seguem sempre a mesma linha. Talvez com essa “coragem” de fazer algo diferente, desperte o interesse de outros diretores em querer contribuir com outros tipos de filmes também, como a ficção científica, terror e ação.




Nota: 8,0 – Queria mais ação. Quem sabe em uma continuação?


sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mundo não seria o mesmo sem... O Silêncio dos Inocentes (Silence of the Lambs - 1991)


Sabe quando um ator nasce para fazer um papel? Quando isto acontece geralmente a história do cinema muda e o seu nome entra para a eternidade. Foi o que aconteceu em O Silêncio dos Inocentes e o personagem Hannibal Lecter, interpretado pelo ator inglês Anthony Hopkins. Este personagem já havia sido interpretado por Brian Cox no filme Dragão Vermelho de Michael Mann, mais foi na interpretação magistral de Hopkins que esse personagem foi imortalizado. Lecter era um assassino impiedoso, conhecido como O Canibal, mas que tinha um intelecto acima da média.


Em o Silêncio dos Inocentes, filme do diretor Jonathan Demme, e baseado no livro do escritor Thomas Harris, ele é convocado por uma jovem agente do FBI, Clarice Sterling, interpretada pela também excelente Jodie Foster, para traçar o perfil do serial killer Buffalo Bill que havia seqüestrado a filha de uma Senadora dos EUA. E é nesse ponto que O Silencio dos Inocentes se torna uma obra-prima: em troca de fornecer informações sobre Buffalo, Lecter envolve Clarice em um jogo psicológico no qual a todo o momento ela deve ter cuidado para não ser manipulada. E incrível como o Diretor consegue trabalhar esta questão psicológica sem cair nos maneirismos do gênero, é um filme sobre serial killer, mas há tanta coisa envolvida que o telespectador não consegue desgrudar os olhos, mesmo não tendo uma cena de ação explícita no filme.


Este é um dos filmes mais assustadores do cinema, pelo que não mostra e pelo que deixa na mente do expectador. O filme ganhou os 5 principais Oscar da categoria: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado, todos merecidos, principalmente o trabalho de atores. Jodie Foster nos dá a sua melhor interpretação até hoje, sua personagem ao mesmo tempo em que nos passa certa fragilidade é tão durona a ponto de encarar Lecter de frente. Este que é magistralmente interpretado por um ator que dispensa comentários, Hannibal Lecter é o maior psicopata do cinema e só podemos dizer isso porque Anthony Hopkins ultrapassou a barreira das interpretações usuais, seus gestos, olhares e falas, funcionam em uma sincronia perfeita, a ponto de conduzir a história e em alguns momentos nos fazer torcer por ele. Esqueça as continuações Hannibal e Dragão Vermelho, o melhor de Lecter está aqui em o Silencio dos Inocentes, uma obra inimitável e perfeita.
Autor: Marcelo Moraes

Matrix + Superman = ?


Depois do fracasso que foi o filme de 2006, Superman Returns, os empresários da Warner estão totalmente desacreditados com a franquia do homem com cueca por cima das calças. Eu gosto do filme do Bryan Singer, não acho que esteja à altura dos dois primeiros filmes do eterno Chris Reeves e Richard Donner (que dirigiu apenas a metade do segundo), mas mesmo assim é um bom filme por nos dar a oportunidade de ver como seria o Superman com o poder dos efeitos especiais de hoje em dia. O filme talvez tenha pecado por não ter mais ação e um vilão à altura do nosso herói (como o imperador Zod).

Eu espero todos os dias por novidades de um novo filme, porque sou fã do Super e acredito no potencial que este poderia ter, com uma boa história e um bom vilão. Hoje eu me deparei com a notícia que os irmãos Wachowski estão cotados para serem os responsáveis pelo recomeço da franquia, pois em 2011 acaba o prazo para a produção de um filme já que as famílias dos criadores do Superman irão adquirir todos os direitos em cima do personagem, ficando bem difícil negociar para que outro filme seja produzido.

Os criadores de Matrix seriam apenas os produtores e o diretor seria James McTeigue (V de Vingança e do ainda inédito Ninja Assassin, todos produzidos pelos irmãos). Agora, podemos esperar boa coisa com essa galera no comando? Podemos. Principalmente porque os irmãos Wachowski gostam de trabalhar com materiais onde uma pessoa é dotada de um super poder, um escolhido. Por outro lado, também pode ser que o filme não seja bom por conta da influência do estúdio em cima do material produzido (lembre-se da diferença da qualidade do primeiro Matrix para as suas seqüências, as quais os diretores afirmaram que só fizeram para ganhar dinheiro e por influência do estúdio).

Mais uma vez uma novela em cima do maior herói de todos os tempos está se desenrolando. Está difícil acreditar novamente que um homem pode voar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Busca Implacável (Taken - 2008)


Alguém alguma vez imaginou se o Jason Bourne ou o James Bond envelhecesse e tivesse uma família? Como seria? Acho que a resposta seria mais ou menos como no filme Busca Implacável (Taken) – sim, esse nome mais parece título de filme do Steven Seagal. Mais um exemplo daqueles que nos dão a oportunidade de ver um verdadeiro herói de ação distribuindo pancadas, explodindo carros e salvando o dia, igual aos heróis acima citados e aos filmes que passam no Domingo Maior à La Charles Bronson e o tio Chuck dos anos 80 e começo dos 90.

Produzido por Luc Besson, o cara que nos trouxe filmes como Transporter (Cargar Explosiva), e dirigido por Pierre Morel (quem?), esta película nos coloca na pelo do ex-agente aposentado da CIA Bryan (Liam Neesson), que está querendo se reaproximar da sua filha Kim (Maggie Grace), pois os seus anos servindo ao governo americano o fez perder tempos preciosos com sua família.

Tudo começa quando a filha de Bryan anuncia que vai fazer uma viagem pra Europa, mais especificamente França, junto da amiga piranha estereotipada Amanda (Katie Cassidy). Lá elas são seqüestradas e começamos a realmente ver quem é o cara por trás daquele até então tranqüilo ex-agente família, que vai ao resgate da sua filha - a outra garota já tem um futuro que lhe espera.

Interpretado por um ator acostumado com filmes mais cerebrais, Liam Neeson nos convence demais como “o cara”, sendo muito seguro no que fala (preste atenção no que ele fala no primeiro contato com os bandidos sobre “ter umas habilidades especiais”) e nas cenas em que desce o braço na galera. Usei o termo “convencer” porque ao longo dos anos ele tem sido mais mentor do que realmente quem põe a mão na massa, vide o mestre do Batman em Batman Begins, como jedi em Star Wars Episodio 1 e como a voz do leão Aslam em Nárnia. Sem contar que seu papel de maior destaque foi no A Lista de Schindler – quem diria agora como herói de ação?! Aliás, vendo um pouco da história do ator, li que Neeson enquanto jovem era pugilista, então não teve nenhuma dificuldade em fazer as cenas de ação. Enquanto isso os outros integrantes do elenco, apenas ele convence, pois a filha interpretada por Maggie Grace é meio “abestada” pra sua idade no filme (17 anos), soando artificial demais e a Famke Janssen (trilogia X-Men como Jean Grey) fazendo a mãe da menina que só deu as caras pra pagar umas contas atrasadas.

Agora vamos para o quesito roteiro: quando volto no passado e lembro-me dos filmes do Domingo Maior, consigo me lembrar apenas da ação, ou seja, a história está em segundo plano, pois o que importa mesmo são as habilidades do protagonista e a forma com que ele acaba com os malvados. Enfim, nesse filme não é diferente. Não espere nada demais, nem diálogos inspiradíssimos. Lembre que você está assistindo um filme genérico um pouco acima da média e que fez um grande e inesperado sucesso nos Estados Unidos, garantindo uma seqüência que deve sair daqui a um tempo. Agora, se eu vou assistir? Pode apostar que sim.

Nota: 7,0 – Porrada, explosões e um protagonista que já vale o filme!

As Duas Faces da Lei (Righteous Kill - 2008)


A grande pergunta a se fazer no final deste As Duas Faces da Lei é uma só: POR QUÊ ? Não dá pra entender como duas lendas como DeNiro e Pacino aceitaram fazer esta bomba (talvez dívidas de jogo, muito ácido na cabeça ou esclerose). Simplesmente fica difícil pensar em algo racional, se é que é possível pensar em algo racional em um filme tão irracional como este.

Na trama, após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original, a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer. O mais incrível é que para rodar este filme foram gastos 80 Milhões de dólares, um alto padrão para um filme que não faz jus ao orçamento.

Mas pra entender como o cinema perdeu uma boa oportunidade de ver duas lendas do cinema juntos, vamos voltar a 1995, quando Michael Mann filmou o excelente Fogo Contra Fogo. O filme era estrelado por DeNiro e Pacino, mas para a tristeza geral os dois tinham poucas cenas juntos. Após estes filmes a qualidade dos filmes dos dois piorou, mas um futuro encontro, com mais tempo em cena, era aguardado pelos fãs. Para a infelicidade de todos coube a infeliz Millenium Filmes (ex-produtora de filmes B) reunir os dois. Poderia até dado certo se não fosse o fato de terem aprovado um roteiro tão ruim de Russell Gerwitz (do bom Um Plano Perfeito) e um diretor de quinta categoria, o apático Jon Avnet. Resultado: é um filme B que podia ser muito bem a reunião de Stallone e Seagal, um roteiro capenga com reviravoltas que até minha filha de 1 ano é capaz de sacar. Os dois mestres estão no auge da canastrice. O filme em nenhum momento se desenvolve e a cada minuto da película se atropela em clichês horríveis. Outra coisa que não dá para entender no filme é o excesso de palavrões, desnecessário e muitas vezes patético. Parece que o filme foi feito nas coxas e que o simples fato de ter os dois ícones no cartaz já seria capaz de atrair o publico. Vale lembrar que o filme foi um fracasso nas bilheterias.

No final fica um certa melancolia, uma sensação de desperdício e uma vontade louca de correr para locadora e alugar Touro Indomável e o Poderoso Chefão, nessa época sim valia a pena unir esses dois, hoje é uma grande piada de mau gosto. Oscar para DeNiro e Pacino, definitivamente não, uma camisa de força seria mais apropriada.
Autor: Marcelo Moraes

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os 30 Maiores Clichês de Hollywood - Parte 2


16. Quando se é perseguido através de uma cidade pode-se normalmente escapar através da parada do dia de S. Patrick, em qualquer época do ano.


17. Qualquer pessoa decola facilmente um avião desde que na torre de controle esteja alguém que lhe dê as instruções.


18. A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício de Paris.


19. O pessoal nunca termina a sua bebida.


20. O chefe da polícia é sempre negro.


21. Policiais sempre comem rosquinhas.


22. Quando se paga o táxi nunca se olha para a carteira para tirar o dinheiro, tira-se uma ao acaso. É sempre o dinheiro certo.


23. Um simples fósforo é suficiente para iluminar uma sala, mesmo do tamanho de um estádio de futebol.


24. Se um assassino espreita uma casa é fácil encontrá-lo. Basta relaxar e tomar um banho, mesmo no meio da tarde.


25. Os camponeses medievais tinham dentes perfeitos.


26. Quando se apaga a luz para dormir, o quarto fica sempre iluminado, apenas um pouco escurecido.


27. Os cães sabem sempre quem são os malvados.


28. Em vez de gastarem balas, os megalomaníacos preferem matar os seus principais inimigos através de dispositivos complicados que envolvem rastilhos, roldanas, gases tóxicos, lasers e tubarões e que permitem que os seus prisioneiros tenham pelo menos 20 minutos para fugir.


29. É sempre possível estacionar o carro em frente de edifício que se visita.


30. Um detetive só consegue resolver um caso se tiver sido suspenso do serviço.

Os 30 Maiores Clichês de Hollywood


1. O sistema de ventilação de qualquer edifício é o local ideal para alguém se esconder. Ninguém se lembra de procurar lá e pode-se alcançar facilmente qualquer parte do edifício através dele.

2. Um homem não mostra dor quando é ferozmente espancado mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas.

3. As cozinhas não têm interruptores de luz. Quando se entra à noite numa cozinha abre-se a geladeira e usa-se a luz dela.

4. Numa casa assombrada as mulheres investigam os ruídos estranhos com roupas o mais transparente possível.

5. Os carros sempre explodem, por menor que seja a batida.

6. A tosse é normalmente o sinal de uma doença fatal.

7. Todas as bombas estão equipadas com relógios que dizem exatamente quando irão explodir.

8. No confronto com um terrorista internacional perigoso, o sarcasmo e as frases jocosas são as melhores armas.

9. Num tiroteio, um homem contra vinte tem maior probabilidade de matar os vinte do que os vinte têm de matá-lo.

10. Uma música assustadora vinda de um cemitério deve ser sempre investigada mais de perto.

11. A maior parte dos computadores portáteis têm capacidade suficiente para penetrar nos sistemas de comunicações de qualquer civilização invasora extraterrestre.

12. Quando estão sós, todos os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.

13. Os heróis de ação nunca sofrem penas por homicídio ou ofensas criminais apesar de destruírem cidades inteiras no decorrer dos seus atos.

14. Qualquer fechadura pode ser aberta em segundos com um cartão de crédito ou um arame exceto a porta de um prédio em chamas com uma criança lá dentro.

15. Qualquer tipo de emprego faz um pai esquecer o aniversário do seu filho de oito anos.

Continua...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Era do Gelo 3


Fazer sucesso financeiro é garantia de seqüência / franquia, o que nos garante o pré-requisito de ter que assistir um filme com a mesma formula do primeiro para garantir o sucesso de novos filmes. É sobre esse lema que Hollywood vive hoje, por mais que o filme progenitor seja ruim, afinal sucesso é tudo. Temos vários exemplos de franquias ruins que fizeram sucesso e garantiram inúmeras seqüências: American Pie, Aliens VS Predator (os filmes individuais são infinitamente melhores), Resident Evil (pena que a adaptação só está no nome) e etc.

Porém, para toda regra existe uma exceção, neste caso estamos falando da franquia A Era do Gelo, que começou com apenas um filme mediano, melhorando no segundo e conseguindo seu ápice neste terceiro exemplar (lançado inclusive com a técnica 3d).

A Era do Gelo foi o primeiro filme em animação da 20th Century Fox, lançando em 2002 e dirigido por duas mãos por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha, esse que veio a assumir o segundo e agora este terceiro exemplar.

Tirando leite de pedra para enriquecer os produtores de Hollywood e garantir mais um sucesso para o diretor Carlos Saldanha, que está produzindo um novo filme de animação chamado de Rio, acompanhamos mais uma vez a turma da era glacial: Sid, Manny, Diego, Ellie e seus dois irmãos (gambás) e o novo personagem Buck, uma doninha pra lá de marrenta e louca.

A história dessa vez tem um tom mais Disney de ser, ou seja, tentando e conseguindo com êxito colocar os valores familiares e da amizade acima de tudo no desenrolar dos atos. Desta vez Manny e Ellie estão à espera do seu bebê, Diego sente que está ficando molenga e decide seguir seu próprio caminho sem seus amigos por se sentir na necessidade de novas aventuras, enquanto Sid vai à busca de sua própria família encontrando ovos de dinossauro e tentando criá-los como filhos. É nessa tentativa de construir essa família um tanto quanto estranha que Sid acaba se metendo em uma enrascada quando a mãe verdadeira dos ovos acaba levando a preguiça desastrada para um mundo subterrâneo e, como diria o narrador de filmes da Sessão da Tarde da TV Globo: “arrumando grandes confusões” para seus amigos que vão tentar resgatá-lo. Ah, ainda tem o esquilo Scrat que ainda está atrás de sua noz, só que dessa vez ele conseguiu uma concorrente / aliada, uma “Scratita”, por quem acaba se apaixonando.

Por falar no Scrat, talvez nele resida a melhor sacada do filme: o seu encontro com a esquilinha sexy. A cena do tango é simplesmente genial. Ah, fato curioso: quando estava assistindo ao filme em uma sessão lotadíssima, com gente de tudo quanto é tipo e crianças que ficavam gritando ao longo do filme, que ouvi uma pérola de um “folião” na cena que citei: “ahahaha, eles estão dançando valsa”. É pra se matar e pedir que o enterre de barriga pra baixo para não ter risco de voltar.

Superior aos dois primeiros filmes, este novo A Era do Gelo vai deixar qualquer um satisfeito ao sair do cinema. Não é nenhuma obra prima, mas exerce bem o seu papel. Um filme feito pra família, que pode divertir tanto a criançada quanto aos adultos. Mas por favor, já chega de sequências desnecessárias.

Nota: 8,0 – Vale o ingresso!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Que Diabos Aconteceu com...Robin Williams

Já ouviram falar da maldição do Oscar? É mais ou menos assim: o ator ou atriz tem até uma carreira regular, não é um mega-astro ou é um astro do primeiro time de Hollywood, mas volta e meia emplaca um sucesso. Até que um certo dia, no seu colo cai o papel da sua vida, aquele que cai nas graças do público e da crítica, fazendo com ele(a) ganhe a tão sonhada estatueta careca dourada. É ai que entra a tal da “maldição”.
Após ser premiado (a), o ator ou atriz começa a descer ladeira abaixo, não consegue emplacar mais nenhum sucesso e vira ator de filme direto para locadora. E isso nos leva ao primeiro astro dessa nova coluna... Robin Williams, que tempos atrás era considerado o cara mais engraçado do cinema, seu carisma era notório e filmes como Uma Babá Quase Perfeita e Jumanji lhe colocaram no topo, mas o cara tinha que ganhar um Oscar e foi injustamente pelo fraco Gênio Indomável (naquele ano o vencedor deveria ter sido Burt Reynolds por Boggie Nigths).

De lá pra cá o cara só fez bomba como Flubber e Um Sinal de Esperança, dentre outras baboseiras que nem vale a pena falar, só vale dizer que ele já virou ator de filmes home-video. O último filme bom que ele fez foi Insônia com Al Pacino e só. Talvez por achar que era um ator de respeito, Robin se meteu a fazer filmes sérios e só se deu mal e quando quis voltar a fazer filmes de comédia o público já não achava mais graça. É triste, mas tem gente que gosta do cara, talvez um Uma Babá quase Perfeita 2 possa fazer com que ele seja lembrado novamente, mas ta difícil.

O mundo não seria o mesmo sem... O Poderoso Chefão


A trilogia O Poderoso Chefão é um marco do cinema, revolucionou os filmes de gangsteres e foi o primeiro filme a ganhar dois Oscars no primeiro e no segundo longa. O primeiro filme lançado em 1971 era o inicio da saga da família Corleone no cinema, escrito e dirigido pelo então novato (apesar de já premiado com um Oscar pelo roteiro de Patton) Francis Ford Coppola, o filme era baseado no livro de Mario Puzo, The Godfather. O primeiro filme é arrebatador, Marlon Brando que interpreta o chefão Vito Corleone dá um show de interpretação, apoiado por um elenco que ainda incluía James Caan, Robert Duvall, Tália Shire, John Cazale e Diane Keaton. Nesta primeira parte da trilogia vemos como o até então deslocado filho de Vito, Michael (Al Pacino), entra no submundo da máfia para vingar o seu pai que havia sofrido um atentado. A Cena de James Caan sendo cravado de balas é uma imagem para ficar na história do cinema, bem como as cenas finais no qual Michael Corleone se torna o novo Chefão através de uma série de mortes, que tem como pano de fundo a trilha sonora inesquecível de Nino Rota. Este primeiro filme fala sobre conspirações, vingança e em nenhum momento as cenas são gratuitas, tudo faz parte uma grande história que estava apenas começando.




No segundo filme Copolla decide inovar, faz um prequel e ao mesmo tempo narra a ascensão de Michael no mundo do crime. Início do século XX, após a máfia local matar sua família, o jovem Vito (Robert De Niro) foge da sua cidade na Sicília e vai para a América. Já adulto, em Little Italy, Vito luta para ganhar a vida (legal ou ilegalmente) para manter sua esposa e filhos e com isso vai crescendo no mundo da máfia. Um legado de família que vai até os enormes negócios que nos anos 50' são controlados pelo caçula, Michael Corleone (Al Pacino). Agora baseado em Lago Tahoe, Michael planeja fazer por qualquer meio necessário incursões em Las Vegas e Havana, porém, também descobre que sua ambição acabou com seu casamento com Kay (Diane Keaton) e até mesmo seu irmão Fredo (John Cazale) o traiu. Escapando de uma acusação federal, Michael concentra sua atenção para lidar com os seus inimigos. Esta segunda parte consegue ser melhor que o primeiro filme, sendo a cena em que Michael manda matar seu irmão é de arrepiar, até hoje não sei como Al Pacino não ganhou um Oscar por esse filme, o seu personagem é sombrio e nada lembra o personagem do inicio do primeiro filme. É perceptível como o poder mudou a sua personalidade, interpretação de Pacino é superior a de Brando, infelizmente só DeNiro foi premiado.



O Terceiro filme é o mais fraco de todos, mas ainda é superior a muitos filmes do gênero, mais uma vez a academia ignorou Al Pacino que neste filme nos entrega outra grande interpretação, prova disso é a cena em que ele se confessa com um padre por ter matado seu irmão. O terceiro filme é desfecho da saga da família Corleone e mostra Michael dando sua última cartada para tentar transformar em legais os negócios da família. Andy Garcia faz um filho bastardo de Sonny Corleone (James Caan) e que pode ser o sucessor de Michael. Porém estes filmes têm algumas coisas que incomodam: o primeiro é o fato de que o papel da filha de Michael, primeiramente foi oferecido a Wynona Ryder que iria interpretar Mary Corleone, porém, com a desistência de Ryder, Sofia Coppola (filha do diretor) assumiu o papel, sua interpretação é sofrível e deixa a trama um pouco arrastada. Outro ponto negativo são as repetições de algumas situações já abordadas no 1º e 2º filme como as mortes em seqüências, morte na família Corleone e as conspirações no mundo da máfia. Mesmo assim o filme é fantástico e encerra de forma digna esta trilogia.A trilogia O Poderoso Chefão são filmes que dão gosto de ver, que marcam a sua vida e é uma aula de cinema, uma obra-prima que deve ser guardada como uma relíquia sagrada, sem exageros, porque nunca Hollywood vai conseguir repetir essa façanha que o jovem Francis Ford Copila conseguiu. É um trabalho magistral, um épico moderno que cinema e público consagraram, o mundo do cinema não seria o mesmo sem o Poderoso Chefão, uma trilogia perfeita que mostra como o poder é capaz de transformar as vidas das pessoas, seja em uma família de mafiosos ou na nossa humilde família, os laços que unem pais, irmãos por mais fortes que sejam. Talvez não resistam ao poder no qual o homem pode ter nas mãos. Se você não tem este filme em DVD, corra para uma loja e compre, aproveite que está sendo lançada uma nova versão chamada O Poderoso Chefão-Restoration, item obrigatório para qualquer fã da sétima arte.
Autor: Marcelo Moraes

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nova Geração de Bons Diretores de Cinema

Na década de 70 surgiu uma geração de diretores que mudaram a história do cinema, com filmes que mostravam uma visão sombria do mundo e que rompia valores tradicionais de uma sociedade americana traumatizada pela guerra do Vietnã. Neste cenário, nomes como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, William Friedkin, Michael Cimino, Steven Spielberg, George Lucas e Woody Allen nos mostraram uma nova forma de ver filmes. Hoje, uma nova geração de diretores surge com a mesma genialidade desses diretores citados. Segue abaixo a lista dos diretores que mostram que ainda há salvação para o cinema americano.

P.T. Anderson

Em seu segundo filme, Boogie Nights, Paul Thomas Anderson (não confundir com o diretor canastrão de Aliens x Predador, Paul Anderson) mostrou que era um diretor diferenciado, o tema ousado (o mundo pornô) mostrou toda a coragem deste grande diretor em visão psicodélica de um mundo de luxuria e glamour, por que não?
Logo em seguida ele foi ao fundo da alma humana para filmar a obra-prima Magnólia, um filme visceral, com direito a chuva de sapos e o elenco cantando a mesma musica em uma seqüência melancólica e genial. Anderson ainda faria Embriagados no Amor, que mostrou ao público e a Adam Sandler que se ele quisesse podia ser um grande ator, o filme é o menos genial do diretor, mas é bem acima da média. A consagração veio no ano passado com Sangue Negro, um grande épico que contou com a saga de um empresário do petróleo, um filme digno de clássicos como Assim Caminha a Humanidade, pena que a excepcional interpretação de Daniel Day Lewis ofuscou o filme, que deveria ter ganhado o Oscar na categorial principal. Porém P.T. Anderson não precisa de Oscar, pois já provou que é o melhor diretor da nova geração, um cineasta ousado capaz de desenvolver temas complexos e dar uma aula de cinema.

Darren Aronofsky

Com PI e Réquiem para um Sonho, o diretor Darren Aronofsky conquistou a critica e foi chamado de o novo gênio do cinema. Aronofsky é um diretor capaz de desenvolver idéias de forma bastante original e faz o chamado cinema autoral. Entregou a Ellen Bursty uma das melhores atuações da sua carreira em Réquiem para o Sonho, em um filme que falava sobre o consumo de drogas. Porém, todo gênio tem fama de louco, com Darren isso foi comprovado quando a critica vaiou seu, até então maior projeto, A Fonte da Vida. O filme é bom, só que é de difícil assimilação e ninguém está muito a fim de pensar ultimamente, tanto que Brad Pitt pulou fora, o orçamento estourou e o diretor teve que brigar para o filme ser lançado.
Uma das maiores provas da comptência de Darren foi demonstrada no ano passado com o excelente The Wrestler (O Lutador), que conta a historia de um lutador de luta - livre interpretado por Mickey Rourke, vencendo assim o mesmo festival de Veneza ao qual seu filme anterior foi vaiado. Acima de tudo ele conseguiu algo que nem macumba dava jeito: Ressuscitar a combalida carreira do freak Mickey Rourke . E para alegria de todos, ele foi contratado pela MGM para dirigir o novo filme do Robocop, a ser lançado em 2010.

David Fincher

Seven e Clube da Luta. Não precisa dizer mais nada. Fincher nos deu estas duas obras-primas do cinema, já deixou seu nome gravado na história da sétima arte. Fincher é aquele diretor que briga com estúdios para manter suas idéias, é corajoso e sabe como ninguém trabalhar com temas densos e complexos. Sua direção é claustrofóbica, refletindo em filmes como o pouco visto O Jogo (com Michael Douglas), Zodíaco e Quarto do Pânico (com Jodie Foster). David Fincher é um diretor com “D” maiúsculo, em seu último filme, Benjamim Button, ele resgatou sua parceria com Brad Pitt e conseguiu sua primeira indicação para o Oscar, não que para ele isso faça a diferença, pois seu talento é muito superior para ser mensurado neste tipo de premiação.

Spike Jonze
Quando foi anunciada a produção de Quero ser John Malkovich a critica já dizia que o filme seria uma bomba, devido ao tema bizarro: um homem encontra uma porta para a cabeça do ator John Malkovich, interpretando ele mesmo. Já se esperava um dos piores filmes dos últimos tempos. Para surpresa de todos, o talentoso diretor, juntamente com o roteirista Charlie Kaufman, fizeram um filme estranho, mas muito bem resolvido, com uma historia original como há muito tempo o cinema não via. O ex-diretor de clipes mostrou no seu filme seguinte, Adaptação, que seu filme anterior não era sorte de principiante. Novamente em parceria com Charlie Kaufman, demonstrou ser um dos diretores mais talentosos da nova geração. Para completar, seu próximo filme Where the Wild Things Are é uma animação adaptada do popular livro infantil escrito por Maurice Sendak, o filme mistura atores reais com animação computadorizada.
Peter Jackson
Peter Jackson seria o Spielberg do novo milênio, porém mais sombrio, sua visão cinematográfica o fez ser o escolhido para levar as telas a até então infilmável trilogia do Senhor dos Anéis. Porém, Jackson se mostrou competente e fez dos 3 filmes verdadeiras obras-primas, com a mesma importância que Star Wars teve na década de 70. King Kong, seu filme após o sucesso de Senhor dos Anéis, é um bom filme que mostrou a habilidade de Jackson em contar boas historias com efeitos especiais de cair o queixo. Em breve teremos Jackson dirigindo a versão live action de Tin Tin, um clássico assim como Senhor dos Anéis, alguém tem duvida que será um sucesso? Eu não. Antes disso ele dirige a versão cinematográfica do best-seller de Alice Sebold intitulado "Uma vida interrompida: Memórias de um Anjo Assassinado" (The Lovely Bones). O filme será escrito e dirigido por Jackson.

Guillermo Del Toro
Com filmes como a Espinha do Diabo, o diretor mexicano Guillermo Del Toro mostrou seu talento para o mundo, em Hollywood dirigiu duas grandes adaptações de historia em quadrinhos: Blade 2 e Hellboy. Mas seu grande filme mesmo é o excepcionai Labirinto do Fauno: um filme marcante e impactante, muito bem dirigido e que merecia muito mais badalação do que lhe foi dado na época, o filme se disfarça de fábula para contar uma triste e trágica história sobre a Guerra Civil espanhola.
Talvez a consagração só venha mesmo com o Hobbit (prequel de Senhor dos Anéis). Del Toro é um dos diretores com mais projetos em Hollywood no momento, tanto como diretor como produtor. Guarde esse nome, pois você ainda vai ouvir falar muito deste mexicano.

Christopher Nolan

Original, essa é uma característica do diretor Christopher Nolan com o sensacional Amnésia, mostrando que ainda era possível fazer filmes originais em uma Hollywood cada vez menos inspirada. O filme era narrado de trás para frente de forma não linear, um filme cujo expectador não podia desgrudar nenhum minuto da tela, pois podia perder alguma dica que o diretor colocava em cada cena.
Sua obra posterior, Insônia, abordava uma temática sombria da alma humana, uma viajem à mente de um criminoso e de um policial cuja consciência era seu pior inimigo. Além disso, o diretor foi o único além de Gus Van Sant a conseguir uma boa atuação de Robin Williams, só isso já lhe valeria um Oscar. Com Batman Begins e Batman - O Cavaleiro das Trevas, Hollywood teve que reconhecer que Nolan era um dos melhores que surgiram nos últimos tempos, ele foi o responsável por ressuscitar uma franquia que estava morta e enterrada, o novo Batman é a versão definitiva do herói para o cinema. Batman 2 foi maior bilheteria do ano passado, e já é uma das maiores do cinema.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Dia em que a Terra Parou (2008)


Têm certos papeis que são perfeitos para alguns atores, mas tem atores que não nascem para protagonizar certos papeis. Ciente de todo sua inexpressividade, mas contando com um carisma que muitos atores fazem de tudo para tê-lo, Keanu Reeves é o grande nome deste remake capenga do filme de 1951 de mesmo nome no papel de Klaatu, outrora vivido pelo também inexpressivo Michale Rennie.

Não faz muito tempo que eu assisti ao original no Corujão – o único horário para assistir filmes antigos e bons na TV aberta – e fiquei impressionado com o tom tão atual deste filme depois de mais de 50 anos. Dá para perceber como nós seres humanos não evoluímos quase nada ao longo deste meio século. Ambas as histórias tem como foco uma nave extraterrestre que pousa no meio de Washington e dela saem o personagem do filme Klaatu e um robô gigante. Desta vez trocamos aqueles disquinhos caricaturais por uma esfera de energia. Mas uma coisa difere aqui, se no primeiro nós tínhamos o medo da Guerra Fria, desta vez damos lugar ao terrorismo (armas nucleares) e aos impactos ambientais, reforçando a idéia que sem o ser humano no planeta Terra tudo flui normalmente, pois segundo Klaatu “nós (ET’s telefone-minha-casa) não podemos deixar com que apenas uma espécie possa fazer com que todas as outras desapareçam”.

Podemos presenciar logo no primeiro ato do filme que o Estados Unidos é retratados da maneira mais fiel possível: atira primeiro e depois pergunta, liderança fraca que não sabe lidar com questões de segurança nacional e pessoas desequilibradas no poder. Afinal, matar um ET é mais fácil do que trocar algumas palavras com ele, a fim de aprender alguma coisa.

Contando com um bom elenco, mas mal trabalhado, O Dia em que a Terra Parou não consegue em nenhum momento fazer com que gostemos das pessoas que estão ali na telhinha. Se por um lado temos uma atriz que, se bem trabalhada, rende bons frutos (Jennifer Connely), do outro lado temos o ator mirim Jaden Smith, filho do Will Smith, que é mostrado como uma criança chata que mais dá vontade de dar um cascudo do que torcer com que ele se salve no final. Ah, ainda temos Kathy Bates (ela tava nesse filme?) como a chefe de estado e o mal aproveitado John Cleese, aceitando o papel para pagar umas contas, pois se o seu personagem for tirado do filme não iria fazer diferença nenhuma.

Ao longo do filme, “Neo” vê que nós temos algo a mais do que apenas a matança um dos outros, temos sentimento e tudo mais. No original ele ia convivendo com as pessoas e vendo aos poucos como nós podemos ser bondosos, não apenas em uma cena qualquer como nesta refilmagem. Tudo muito rápido, como se estivéssemos vendo os melhores momentos de um jogo de futebol ruim.

Resumindo: este filme é apenas uma mera desculpa para usar efeitos especiais, nada além disso. O problema todo é se levar a sério demais, já que temos tantos outros filmes de catástrofes / ET’s por aí que são melhores por justamente não estar nem um pouco preocupado em ser categorizado como “B” (vide Independancy Day). Mamar em uma fonte interessante é fácil, criar algo original é que tá difícil hoje em dia, já que o dinheiro fala mais alto, gerando desta forma uma mera desculpa para utilizar um nome conhecido e que seja rentável para os produtores de Hollywood. Faltou o cerebral. Fiquei com uma sensação de amargo na boca.

Nota: 4,0 – só por causa dos gafanhotos!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As Tartarugas Ninjas Voltarão, em Live Action!

Quem nasceu nos anos 80 conhece muito bem quando alguém fala “Cowabanga!”. Esta célebre palavra ficou muito conhecida como grito de guerra das Tartarugas Ninja, aquelas tartarugas que saiam distribuindo pancada em todo mundo nos vídeo games, HQ’s e nos desenhos e que adoravam uma pizza. As Tartarugas apareceram pela primeira vez em histórias em quadrinhos da Mirage Comics em 1984, na parceria de Kevin Eastman e Peter Laird. A popularidade cresceu após um desenho animado que começou em 1987 e durou nove anos. Ao todo, as TMNT (Teenage Mutant Ninja Turtles) foram temas de três filmes em live action e um em animação, sendo que o primeiro filme é um dos filmes independentes mais lucrativos da história do cinema (custou $13 milhões, faturou mais de $100).

O grupo detentor dos direitos está correndo atrás de um filme em live action, focando nas origens dos moradores do esgoto de Nova York (Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael, assim como o mestre Splinter), com a perspectiva de lançamento em 2011.

Essa notícia tem fundamento, pois os quelônios mais conhecidos do mundo (as tartarugas do Mario World correm por baixo) comemoram esse ano o seu 25º aniversário.

O chefe de marketing da Legendary Pictures, que produziu a animação de 2007 e produzirá esse também, disse que focará no espírito do material original e que irá empregar uma nova tecnologia, fazendo com que as tartarugas sejam mais expressivas.

Espero que esta notícia não seja apenas mais uma forma de vender mais bonequinhos (opa... figuras de ação) e mais uma tentativa de ganhar dinheiro em cima de uma franquia tão boa e rica como as tartarugas pintoras renascentistas ninja.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ensaios Sobre a Cegueira (Blindness, 2008)


Fernando Meirelles ganhou grande notoriedade internacional com o filme Cidade de Deus, seu estilo e habilidade ao adaptar uma obra literária complicada o deram o gabarito para adaptar o comentado livro do escritor português José Saramago, obra o qual o exigente escritor não queria vender para qualquer um (algo que falta e muito aos criadores de obras originais ao “darem” de mão beijada suas crias aos produtores canastrões de Hollywood). É também o responsável, durante essa sua fase internacional, pelo ótimo Jardineiro Fiel que, assim como esse seu novo filme e os anteriores, adotam um clima de crítica social.

A trama gira em torno de uma epidemia que de forma inexplicável é transmitida às pessoas, causando uma “cegueira branca”. Conforme o depoimento de um dos personagens, é como se estivesse “mergulhando em um mar de leite de olhos abertos”. Logo, as pessoas infectadas são colocadas em quarentenas e, como na maioria das vezes, o Estado começa a falhar, pondo assim em cheque a necessidade de sobrevivência das pessoas que ali estão exiladas.

Ao longo do filme somos apresentados a vários personagens de várias etnias, sendo que nenhum deles possui um nome (o nome importa para designar quem somos?), a partir dái identificados apenas por números ou sua profissão. É de forma propositada que percebemos que estamos diante uma sociedade globalizada, com várias pessoas de diferentes etnias: brancos, negros, orientais, árabes, latinos, etc. Com isso, reforçamos mais ainda a idéia que pode ser qualquer cidade no mundo, ou até mesmo país, apesar de todos falarem inglês. Se eu não estou enganado, foi uma das exigências de Saramago.

A mensagem do filme é única e direta: ao longo dos anos somos vítimas do nosso dia a dia, ficamos ligados nos nossos bens materiais e esquecemos a nossa natureza essencial, nosso humanismo está no relacionamento com o próximo sem discriminação de cor ou credo e o sentimento que nos une. Tornamo-nos cegos ao mundo ao nosso redor, pois nos esquecemos de dar o real valor às coisas que realmente importam, onde o essencial não é visto com os olhos. Talvez o nosso mundo só funcionasse realmente se algo desse tipo acontecesse para que pré-conceitos de qualquer natureza viessem abaixo. Se pensarmos direito, aquelas pessoas que se relacionaram (o grupo principal) só virou uma família por conta da necessidade de apoio, pois se não fosse a necessidade, em um mundo como o nosso, nunca teriam sequer um contato visual.

Dois aspectos se destacam nessa produção: primeiro, a fotografia maravilhosa, adotando sempre um estilo saturado, para que possamos mais ou menos entender como os protagonistas vêem e tomadas inusitadas, seja ela de forma abstrata (vide a cena mais chocante do filme envolvendo as mulheres) ou através de reflexos ou através de vidros. Segundo, o elenco forte encabeçado pela sempre competente Julianne Moore, sendo a única que pode enxergar - ela se deixou ser presa para ficar ao lado de seu marido (Mark Ruffalo).
A única razão deste filme não atingir o ápice seja a narração em off, protagonizada por Danny Glover, simplesmente aparecendo no meio do filme, sendo totalmente descartável. Para tornar a coisa mais poética, seria bom se ela não existisse e que pudéssemos tirar nossas próprias conclusões do que tá rolando. É como assistir a um jogo de futebol com o Galvão Bueno narrando, sempre falando mais do que o necessário.

O estilo empregado em Ensaio Sobre a Cegueira não é para aqueles que estão acostumados com as obras corriqueiras de Hollywood, talvez seja por isso que não tenha feito tanto sucesso lá fora. Entretanto, para quem está habituado com cinemas como o nosso (cinema-favela) e tem a mente aberta para formas diferentes de contar uma história, sem medo de chocar, se agrade desta obra. Fica a impressão de que se tivesse caído em mãos hollywoodianas talvez não tivesse o mesmo impacto do que o produto final deste grande salto para os nossos realizadores brasileiros.


Nota: 8,5

terça-feira, 21 de abril de 2009

Presente de Natal Antecipado

Se você odeia alguém, não se preocupe, chegou o presente ideal para você dar para aquele conhecido mala e insuportável: é que A Sony Pictures já disponibilizou para venda o “filme” Escuridão Mortal (Against the Dark), o primeiro filme de vampiro com Steven Seagal (credo em cruz!!), no Brasil esta bomba saiu direto em DVD e chegou às locadoras em março.

A trama (se é que ela existe), filmada na Romênia, é a seguinte: o mestre da katana Tao (Seagal) lidera um esquadrão especial de ex-militares que caça vampiros. Os poucos sobreviventes dos sanguessugas neste cenário pós-apocalíptico se escondem em um hospital infectado. Eles sabem que o esquadrão é a única esperança. E Tao sabe que a única cura é a execução. Nos EUA, o filme saiu em 10 de fevereiro. O elenco tem a ilustre participação do primo de Dwayne "The Rock" Johnson, Tanoai Reed. A direção é do estreante Richard Crudo, diretor de fotografia de American Pie.

Já perceberam que todo filme de Seagal tem um “mortal”, até quando o cara faz filme de terror tem que ter o diabo do “mortal”. Com certeza esse filme é uma bomba. Se Dracúla estivesse “morto-vivo”, com certeza ele mesmo enfiaria uma estaca no peito dele como auto-piedade, pelo menos não veria essa bosta.
Autor: Marcelo Moraes

O Novo Astro do Século: Will Smith

Hoje um dos atores mais badalados de Hollywood é George Clooney, mas se você for verificar a bilheteria dos seus últimos filmes só foi fiasco, agora se você for ver o de Will Smith, só tem campeão de bilheteria, no mínimo seus filmes geram mais de 100 milhões de dólares. Se pensarmos bem, ele é o astro do século, sem dúvida nenhuma.


O que impressiona na carreira de Smith é que ele começou na TV, o que geralmente é sinal de má sorte para qualquer ator que queira fazer carreira no cinema, ele era astro de uma série bem ruinzinha chamada The Fresh Prince of Bel-Air, no qual ele tinha sorte de interpretar ele mesmo, mesmo sendo um desconhecido. Este programa teve a façanha de chegar a seis temporadas, mesmo merecendo não ter passado do piloto, mas se a série chegou a ser sucesso foi por causa do carisma de Will Smith.


Ao migrar para o cinema Smith participou do filme Six Degress of Separation, onde sua interpretação impressionou os críticos, provando que ele podia ser um bom ator. Porém a sua carreira começou a decolar com filmes como Bad Boys e Independence Day, estes últimos um dos filmes mais lucrativos da história do cinema, coisa que um Tom Cruise da vida dificilmente alcançará. O certificado para a fama veio com o legal Men in Black, uma produção modesta de Steven Spielberg que conquistou o público e deu muita grana, aí sua carreira deslanchou.

Will é um dos poucos pessoas astros que tem sucesso nas três maiores mídias de entretenimento nos Estados Unidos: cinema, televisão e a indústria discográfica.Will Smith é ganhador de quatro prêmios Grammy e já lançou onze álbuns, sendo os seis primeiros ainda como The Fresh Prince, com o DJ Jazzy Jeff, e os cinco últimos, solos.


O que faz Will ser o astro do século é seu desempenho nas bilheterias, só nos EUA, seus filmes já renderam 2,2 milhões de dólares, e quando falamos de bilheterias mundial esse valor quase triplica, esse retrospecto é muito difícil outro ator conseguir, e o melhor, Will está mantendo a média. Quanto a sua qualidade como ator, Will já provou com filmes como Ali e A Procura da Felicidade. Recebeu duas indicações na categoria de Melhor Ator - Drama, por Ali (2001) e À Procura da Felicidade (2006), um dia ele consegue e não vai demorar.

O que torna este ator especial é o fato de que além de ser um astro ele é um dos atores mais humildes do cinema, coisa difícil em Hollywood. Ele está sempre de bom humor, fazendo brincadeiras, parece gente normal, e isso já causou uma empatia com o público, que corre para ver seus filmes na telona. Até hoje ninguém viu uma noticia ruim de Will na mídia, seu casamento com a gatíssima Jada Pinket, é um dos mais sólidos do show bussiness.


Autor: Marcelo Moraes

Reunião dos Horrores!


Tenha muito medo, essa é pior do que Freddy x Jason, segundo o site Omelete, estão pensando em fazer um filme com esse grupo de comediantes canastras (foto), pois é, se você acha que só um filme com eles já é mau gosto, imagina todos eles juntos. Podemos esperar muita piada grosseira, sem graça e com flatulências. A Columbia Pictures será a responsável por colocar essa bomba nas telas, para quem tem a sorte de não conhecer esses comediantes eles são: Kevin James, Chris Rock, Adam Sandler, Rob Schneider e David Spade; o diretor será diretor Dennis Dugan, do péssimo Zohan. Por enquanto o filme ainda está sem título.
Sandler produz o filme e assina o “roteiro”, em parceria com Fred Wolf. A história acompanha cinco melhores amigos do colegial que se reúnem 30 anos depois em um feriado de 4 de julho. Nossa, que idéia revolucionária!!!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Presságio (Knowing, 2009)


Assisti a esse filme com um pé meio atrás, basicamente por duas coisas: primeiro por ter lido críticas bem ásperas e segundo por ter que ver Nicolas Cage atuando, já que o mesmo vem devendo há tempo depois de ter feito tantos papeis ruins. Mas uma coisa me deixava esperançoso: Alex Proyas.

Depois de assistir filmes como O Corvo (The Crow, 1994) e A Cidade das Sombras (Dark City, 1998), tornei-me um grande admirador do diretor Alex Proyas, principalmente por conta deste último, que particularmente considero um grande filme, um cult. Volta e meia, Alex lida com assuntos relacionados à mundos de ficção / ficção-científica, o que é bom, pois eu sou grande fã desses gêneros. Proyas também é o realizador de outro filme bastante conhecido, Eu, Robô (2004), mas que infelizmente é mais um inflador de ego do Will Smith e de propagandas do que um filme bom, ficando estacionado apenas no “ok”.

Ao contrário da minha expectativa negativa, nesse seu novo filme, O Presságio, Alex acerta a mão e nos traz um filme muito interessante no ponto de vista narrativa e consegue tirar “quase” o melhor de Nicolas Cage.

A trama logo nos apresenta uma escola primária em que várias crianças vão fazer uma cápsula do tempo, ou seja, irão fazer desenhos sobre o futuro que será desenterrada 50 anos depois. Logo uma petiz, chamada Lucinda, começa a ouvir vozes e a escrever vários números, aparentemente sem lógica. Se eu fosse o professor daquela criança não teria botado aquilo em um envelope, quem sabe ela não iria traumatizar alguma outra criança 50 anos mais tarde? Neste primeiro ato, encontra-se o momento mais fraco do filme, um clima meio que forçado de fazer um terror barato e sem sentido, é só ver quando a menina se esconde e ninguém liga a luz para procurá-la. Aí era hora de botar uns raios e dizer que foi embora a luz, pegaria menos mal.

Passado 50 anos e o momento “leseira”, entra em cena John Koestler (Nicolas Cage), um astrofísico que adora uma manguaça e tem que cuidar sozinho, após a morte da esposa, do filho Caleb (Chandler Canterbury), que claramente sofre problemas de relação com o pai por conta disso. É no evento da escola que cada aluno recebe das mãos dos professores o envelope contendo o desenho das crianças que ajudaram a compor para cápsula do tempo. Por coincidência, Caleb recebe o envelope contendo os desenhos de Lucinda. Não demora muito para que Koestler analise e associe os números com eventos que passaram e que estão para acontecer, todos eles grandes tragédias.

É a partir de todo esse desenrolar que o filme engata uma quinta marcha e segue em ritmo acelerado, dando espaço para várias discussões. Podemos relacionar todos os acontecimentos com o Espiritismo e o Religioso.
No meio do filme os personagens de Cage e de Rose Byrne (Diana Wayland), que não pôde fazer muita coisa com sua personagem (visto que ela estava ótima em O Extermínio 2), acham na casa da falecida Lucinda um desenho de Ezequiel, profeta que escreveu vários capítulos da bíblia. Talvez essa seja a grande associação de Lucinda e suas revelações, tornando-a uma profetisa. Inclusive nos primeiros livros das antigas escrituras de Ezequiel ele descreve alguns elementos / eventos muito parecidos com o final do filme (Não, não vou contar). Além é claro de alusões ao Gênesis e a Arca de Noé.

O espiritismo entra na questão de que tudo nessa vida é cíclico, nós seres humanos e o planeta em si, todos passarão pelos estágios de vida: a criação (concepção), amadurecimento, decrepitude e morte. A partir daí tudo será renovado e dará origem a outros seres ou mundos. Os sussurros que as crianças ouviam podem até ser entendidos como mediunidade, pois quando somos pequenos não tememos tanto o sobrenatural do que quando crescemos e tomamos consciência das coisas, alguns conseguem levar isso a frente e outros, até por medo, deixam esse dom que todos nascemos de lado.

Nosso interesse pela trama é crescente, sempre nos revelando novos eventos, sempre prendendo nossa atenção. Uma coisa me deixou realmente de queixo caído foi uma das cenas de catástrofe: o acidente aéreo. Cena maravilhosa, muito bem conduzida em long shot e com efeitos soberbos. Além do mais, ele é certeiro ao ponto de não estarmos esperando que ele aconteça. O elemento surpresa realmente funciona aqui, afinal, estávamos esperando que outra coisa acontecesse, diferentemente do acidente do metrô, mas que não deixa de ser tão fantástico quanto o primeiro. Não dá para contar muita coisa do filme sem estragar o climax, poderia acabar soltando algum spoiler.

Se você entender um pouco da mensagem do filme, talvez você curta muito mais do que se estivesse esperando por um filme de catástrofes, explosões e muita ação (como deve ter sido vendido erroneamente pelos trailers).

Para os amantes de ficção científica, está aí uma boa pedida. Para os fãs de Alex Proyas e Nicolas Cage é um sinal de boa maré vindo pela frente, pelo menos é o que todos nós queremos. Com certeza, quando sair em DVD, gastarei uns trocadinhos para comprar.


Nota: 8,5


Dupla Infernal

Como de costume, antes de começar a trabalhar eu gosto de ler as notícias do mundo do entretenimento e coisas que rolaram no dia anterior, então eis que me deparo com uma nota que parece até ser piada, não de mau gosto, mas que pode até animar alguns.

Um dos campeão dos filmes de domingo à noite na “grôbu” Jean Claude Van Damme, Charles Bronson ainda continua em primeiro lugar, vai fazer uma parceria um tanto inusitada com o campeão das locadoras do morro Steven Seagal (sim, aquele cara que parece o Elymar Santos, mas com jeito de macho).

O Van Damme deu um último suspiro (não cheirada) na carreira ao fazer um filme que chamou a atenção da crítica, um filme chamado J.C.V.D, no qual ele conta a própria história da vida dele. Ainda se deu o luxo de não querer participar do novo filme do Stallone, Mercenários, que está sendo rodado no Brasil. Stallone reuniu uma galera que dá porrada depois pergunta para saber se o cara tá vivo ou não, como Jason Stathan, Jet Li, Mickey Rourke, Dolph Lundgren, e por aí vai.

Já o tio Steven anda fazendo sucesso nas locadoras lançando todo mês um filme que só muda a capa, na verdade o fundo, porque a cara que ele faz é a mesma em todas as capas.

Nunca fui muito fã do Steven, já do Van Damme é diferente. Ele fez filmes bem legais nos anos 80 e 90, fazendo com que todo menino na época quisesse dá umas porradas nos coleguinhas da rua que nem ele, à La Dragão Branco.

O filme teria o nome de Weapon e teria como sinopse os dois melhores assassinos do mundo Jack Conway e Derek Chase, Van Damme e Seagal respectivamente, juntos para derrubar um chefão do tráfico de drogas. Nada muito original, afinal tudo isso é pano de fundo para muita pancada, tiro e chutes em câmera lenta.

Já que o Stallone reuniu uma galera do “mal” para fazer um filme, bem que o Van Damme e o Seagal poderiam pensar em algo do tipo. Poderiam fazer uns contatos aí para chamar o Lorenzo Lamas, Wesley Snipes (assim que ele sair da cadeia) e o David Hasselhoff. Podia chamar também ele... (pausa)... Chuck Norris para fazer uma ponta. Aí não ia ter para ninguém.