quinta-feira, 1 de março de 2012

A Mulher de Preto (The Woman in Black, 2012 – UK)


Daniel Radcliffe. Esse nome está marcado no cinema, eternizado pela sua persona em Harry Potter assim como Chris Reeve no Super-Homem, Keanu Reeves como Neo, Tobey Maguire como Homem-Aranha e por aí vai. É muito difícil um ator se desvencilhar de sua imagem de personagens tão fortes e relevantes para a sétima arte.

A nova investida do rapaz parecido com o pai com os olhos da mãe é o filme de terror a Mulher de Preto (parece alcunha de algum bandido de novela antiga) que chega ao cinema com o intuito de te pregar um sustos depois de assistir “coisas” como Atividade Paranormal e outros filmes de material encontrado. Porém é na sua concepção de filme mais clássico de terror/fantasma situado no final do século XIX que ele se destaca, pois filmes do gênero terror nem sempre tem a qualidade como dos seus pontos forte.

Harry, digo, Daniel interpreta de maneira pouco convincente, um advogado (Arthur Kipps) contratado para ir a um vilarejo cuidar da papelada de uma cliente falecida e de sua casa. Nem é preciso contar muita coisa para entender que lá ele encontra o fantasma da tal mulher. Uma coisa também que chama a atenção é o ator ser novo demais para aparentar ser um pai de família viúvo e sua falta de expressão no segundo ato quase compromete o poder dramático do filme. Os resto do elenco é genérico demais para ser comentado.

Contando sempre com uma fotografia fria e escura, A Mulher de Preto é um filme que conta com um design de produção simplesmente fascinante, algo que o diretor James Watkins faz questão de mostrar com os detalhes dos brinquedos (mas que raios de brinquedos são aqueles? Criança ou pai/mãe sádicos). Falando em direção, esta merece o destaque pelos planos sempre fechados, meio claustrofóbico e o plano aberto da casa no meio do pântano, demostrando toda a desolação da casa assombrada. Já o fator negativo são algumas obviedades de sustos e os famosos acordes mais altos para demonstrar medo, sem contar também com alguns elementos simplesmente jogados no filme que não tem uma conclusão apropriada, como o próprio final extremamente Hollywood.

Apesar de tudo, A Mulher de Preto é uma boa pedida para amantes de filmes de terror por se destacar dentre as recentes produções, mas que não irá ficar na nossa memória por muito tempo.


Nota: 7,0 – A fotografia é melhor que o filme! Spectrum patrono na misura!

Veja também:

1408
Identidade
O Iluminado
Espíritos
The Eye – A Herança

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Árvore da Vida (Tree of Life - EUA, 2011)


A Árvore da Vida é uma experiência única, é o cinema na sua mais pura essência como obra de arte. É claro que o novo filme de Terrence Malick, dos já maravilhosos  Mundo Novo e Além da Linha Vermelha, não vai agradar a muitos por conta de sua narrativa, digamos, difícil, pois requer do telespectador atenção e interpretação. Em uma época em que Transformers e Crepúsculo são filmes que garantem o sucesso por justamente fazer com que o público ‘desligue o cérebro’ e se divirta, com certeza essa obra prima do cinema atual vai ficar empoeirada e esquecida, o que realmente é uma pena.

Toda essa dificuldade de interpretação se dá pelo filme não ter uma trama bem definida, porque basicamente vemos três histórias que se unem de maneira muito mais incrível do que imaginamos: uma família convivendo no final dos anos 50 , um dos integrantes desta família no futuro e, pasmem, o nosso universo e consequentemente nosso planeta. Contudo algo de muito relevante é levado em consideração, onde talvez resida a grande maravilha: existe um Deus por de trás de tudo? Existe uma força invisível regendo nosso universo e nossas vidas?

A experiência que levantei logo no início do texto é porque o filme todo é uma experiência dos sentidos. Visualmente temos o que posso considerar uma das fotografias mais fantásticas que já vi, tanto para os enquadramentos, quanto na sutileza na hora de filmar certos momentos de ângulos que engradecem a cena em si (como as crianças brincando e somente suas sombras são filmadas) e os efeitos especiais mostrando o universo e sua grandeza, com suas galáxias e nebulosas se encaixando em um balé visual já visto de maneira semelhante em 2001: Uma Odisseia no Espaço. Auditivamente falando, a trilha sonora composta por música clássica se encaixa de maneira perfeita para os momentos, seja com todo o cuidado nas cenas da família interagindo, ou até mesmo na criação do universo com coros remetendo a algo mais sacro além de meras imagens ao acaso.

A Árvore da Vida também serve como exercício para vermos como somos pequenos em relação universo, pois nosso ego não nos deixa perceber o quanto somos pequenos e que, dessa vida, nada levamos senão o que construímos com as pessoas que convivemos e, principalmente, com aquelas que amamos. O filme nos mostra tudo isso com a relação da família apresentada, interpretados de maneira brilhante pro todos os atores, sem exceção.

Falando ainda sobre os atores, como Brad Pitt está cada vez mais mostrando ser um grande ator (claro que não é de hoje)! Sua construção do personagem é simplesmente magnífica com trejeitos que dão dimensão àquela pessoa: um pai durão e disciplinador que, de certa forma, exige amor dos seus filhos com raros momentos de carinho (porém intensos). Destaque também para dois atores que talvez sejam a grande força do elenco juntamente com Pitt: Jessica Chastain (a mãe) e Hunter McCracken (o filho mais velho).

Jessica Chastain é uma bela revelação por se mostrar confiante para fazer o papel da mãe sempre amorosa e presente, sendo a única ali que aparentemente consegue se manter equilibrada diante de todas as situações. Já Hunter McCracken retrata o primeiro filho do casal, com um olhar forte, porém doce de uma criança, sempre inconformado com tudo que acontece dentro da família, retratada e resumida de como ele lida com pai, sempre se opondo, mas querendo se aproximar a todo instante.

Ah, tem o Sean Penn, mas seu personagem (um dos irmãos) serve mais como um contraponto para fechar um círculo e dar uma conclusão ao filme em si.

Malick consegue ser muito sensível ao retratar cada momento daquela família como sendo momentos únicos, mesmo que aparentem ser uma rotina, mas que de certa forma tem valores tão grandes na vida de uma criança, como um simples boa-noite da mãe, como brincadeiras com os irmãos e amigos, a chegada da adolescência, e muito mais. Eu não pude deixar de lembrar de tudo que passei...

Enfim, A Ávore da Vida merece ser revisitada para sempre nos lembrarmos que somos como árvores conectadas em um grande ecossistema, onde iremos nascer como pequenas sementes que irão crescer, florescer e dar frutos, porém muitas vão sucumbir ao longo do caminho e aí que aprenderemos a lidar com todas as nossas dificuldade enquanto seres, acima de tudo, com o amor e com perdão. E é justamente aí que mora a grande beleza da vida.


Nota: 10 – Obrigado, Terrence Malick.


Assista também:

2001: Uma Odisseia no Espaço
Além da Linha Vermelha
O Novo Mundo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of Planet of Apes, 2011)


Ao saber de rumores que iriam fazer uma pré-sequencia de Planeta dos Macacos eu pesei: “Mais um filme de origem?”.
 
Sim, criançada. Já não bastasse estragar certos filmes como Hannibal, Wolverine, Freddy, agora chegou a vez do Planeta dos Macacos, baseado no filme de 1968 com nosso saudoso Charlton Heston (Bem-Hur e Os Dez Mandamentos), o qual também era baseado em um conto do escritor francês Pierre Boulle.

Will Rodman (Franco – mais a frente comento sobre este) desenvolve um medicamento capaz de conter a doença de Alzheimer. Porém, a cobaia que ele testava apresentou um alto índice de agressividade e destrói todo o laboratório para uma apresentação dos financiadores do projeto. Dessa cobaia nasce César, carregando o DNA de sua mãe, com uma inteligência acima do que qualquer cantor de Axé e apresentadores de programas aos Domingos.

Fiquei bastante decepcionado com James Franco, não lembrando em o ator nomeado ao Oscar por 127 horas. Sem contar ainda que seu personagem só faz besteiras ao longo do filme, como visitas esporádicas a César quando ele está na prisão, alimentando mais ainda o ódio do personagem principal.

O filme se resume na história de César e só, pois os personagens humanos são totalmente dispensáveis, unidimensionais. O grande barato do filme é sem dúvida alguma César, feito pro computação gráfica pela WETA do Peter Jackson. Seria redundante falar que mais uma vez o trabalho deles e de Andy Serkis (quem interpretou o César através de captura de movimentos) foi brilhante.

Falando ainda no roteiro, como pode que anos se passam e todo mundo continua com a mesma cara, as mesmas roupas e a “arrumação” da casa de Will também? Quantos macacos tinham na prisão e no zoológico e depois na cena da ponte, mais ou menos 300? São apenas algumas indagações que me deixaram decepcionado.

Apelando por certos clichês que praticamente empalidecem o filme e a artificialidade da cena final, Planeta dos Macacos: A Origem é um filme totalmente descartável, sendo interessante de verdade para quem não conhece os filmes originais.

Nota: 6,0 - Por incrível que pareça, ainda prefiro o filme do Tim Burton.

Veja também:

Planeta dos Macacos (1968)
De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)
Planeta dos Macacos (2001)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Grande Mestre (Ip Man – China, 2008)


Sou suspeito de comentar sobre filmes de artes marciais, não tenho como negar que crio muita expectativa em torno dos atores presentes nos filmes e o desenrolar das histórias, dando sempre margem a uma boa e velha pancadaria com estilo.

Com este o Grande Mestre não me decepcionei nem um pouco, talvez muito por conta do seu protagonista Ip Man, interessante figura que realmente existiu e um foi dos maiores mestres das artes marciais de Wing Chun (estilo de luta vertente do kung fu). Ip Man ficou mais conhecido internacionalmente por ter sido um dos mestres de nada mais do que Bruce Lee.

Situando-se em uma China no final dos anos 30, mais precisamente em Fushan, começa então a invasão Japonesa que joga o país em uma grande miséria que afeta a todos os seus habitantes, a partir daí Ip Man se viu obrigado a ‘desistir’ do seu kung fu para tentar sobreviver junto de sua família trabalhando para tirar seu sustento. Talvez esse seja o grande ponto forte do filme, história tensa de como o povo conseguiu sobreviver a tirania japonesa (retratada de maneira bastante cruel por sinal) no período pré Segunda Guerra Mundial, tornando ainda mais crível as investida do homem outrora invencível em um ser humano como qualquer outro.

Um filme de artes marciais não se sustenta sem um grande protagonista, neste caso Donnie Yen, mesmo sendo um ator sem muita expressão, se sai muito bem ao conseguir passar o ar sério, mas ao mesmo tempo bondoso de um homem de família. Interessante a mudança que ele passa do começo do filme para a segunda metade: de um homem orgulhoso dentro dos seus princípios - como comenta um dos personagens ao oferecer ajuda: ‘Ele não gosta de dever favores’- para a uma pessoa que passa a lutar pela honra do seu país nem que para isso ele tenha que arriscar a própria vida.

Tive a oportunidade de assistir a alguns filmes de Donnie Yen e já havia percebido que o cara é bom demais, tão bom quanto um Jet Li ou Jackie Chan. Falando no primeiro, ele é um dos protagonistas junto de Jet Li no filme Herói (2002) de Zhang Yimou e demonstra que realmente é um dos maiores atores de ação da atualidade (mesmo se limitando ao mercado asiático).

Se o lutador é bom, então as lutas são boas? SIM! As lutas são um show a parte, pois podemos perceber tanto nas coreografias quanto na intensidade dos combates ao mostrar o quão poderoso é o tal do Wing Chun. Destaco a cena em que Ip Man desafia dez lutadores japoneses dentro de um dojo. Simplesmente uma das melhores lutas que já vi.




Duas coisas chamaram a minha atenção também foram as lutas usarem poucos recursos de cabos, o famoso wire-fu (Matrix?), o que acaba dando uma maior credibilidade nos movimentos e deixando a artificialidade de lado. Outro foi a maquiagem, pois ao receber qualquer dano que seja, ela é retratada logo com um rosto inchado ou um beiço sangrando, vermelhidão, etc.

Outro grande ponto a favor são os efeitos sonoros bem posicionados e contando ainda com uma trilha sonora típica dos filmes orientais que muito acrescenta à experiência, ou seja, sutil  e impecável.

Para você que é fã de filmes de artes marciais ou até mesmo está em busca de uma história suficientemente boa sobre superação e honra, O Grande Mestre realmente é uma entretimento garantido.

Agora com licença que vou bem ali treinar o meu Wing Chu...

Nota – 9,0 – Ainda tem o 2 e uma pré-sequencia, acho que vou acabar me decepcionando.



Assita também:

Herói
SPL – Sha Po Lang (Killzone)
O Mestre das Armas
Dragão – A História de Bruce Lee

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os Invencíveis (The Good, the bad and the weird - 2008)


A primeira vez que li sobre este filme coreano, ele estava em fase de pós-produção e grandes perspectivas de pintar por aqui pelo ocidente. Mas o que esse filme tinha de especial? Simplesmente o fato dele ser um remake de um dos filmes que eu considero uma obra prima do cinema e, por consequência, um dos integrantes da minha lista de melhores filmes que já vi.

Porém, ao assisti-lo, vi que não se tratava de simplesmente um remake, mas sim de uma releitura com elementos orientais, adaptando algumas situações do original Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly) e dando um certo frescor ao gênero de filmes de faroeste.

Já podemos notar certas diferenças e semelhanças do original a partir da própria sinopse, onde temos aqui como plano de fundo a Coréia do Sul no final dos anos 30 dominada pelos Japoneses ao invés da luta pela independência Americana entre os Confederados com os Sulista. Vemos o desenrolar da história de três fora-da-lei em busca de um mapa que leva a um tesouro perdido. Esse mapa é roubado por Tae-goo (o ‘bizarro’ do título) sem querer, o que acaba por atrair Chang-yi (o ‘mal’) que tinha como intuito recuperar este mapa que estava destinado aos japoneses, devolvendo-o aos coreanos. Por Chang-yi ser um fora-da-lei procurado e com sua cabeça à prêmio, o caçador de recompensas Do-won (o ‘bom’) vai atrás dele para conseguir o tal dinheiro prometido, acarretando no envolvimento dos três com determinações diferentes.


O que impressiona com este filme é o seu valor de produção, pois é um dos filmes mais caros da história do cinema coreano com míseros R$17 milhões, valor pífio para uma produção americana. É praticamente um Leonardo DiCaprio pelo filme.

Podemos ver que todo o dinheiro foi muito bem gasto justamente na melhor cena do filme: a perseguição no deserto é simplesmente genial e dura quase 20 minutos ao som de ‘Don’t Let me Misunderstood’ do Santa Esmeralda. Impressionante como essa música combina com filmes do gênero, afinal até o Tarantino a usou no Kill Bill.


O filme se sustenta de maneira consistente no seu trio principal, cada um com suas características marcantes, com perfis psicológicos e motivações bem claras. Os personagens secundários também não deixam o nível cair, cada um claro dentro das suas limitações de tempo e importância dentro da trama principal.

Porém este filme peca justamente nos quesitos que são primorosos no original: a direção segura de Sergio Leoni e a trilha sonora épica Ennio Morricone. O diretor Jee-woon Kim sofre do mesmo mal dos diretores da atualidade em tremer demais a câmera nos momentos de ação, fazendo com que não entendamos alguns movimento dos personagens que estão ali em cena. Já a trilha, tirando a música já citada, não tem grande impacto ao longo da projeção.



Outra coisa que me incomodou um pouco foi o fato de terem feito um código (cheat) de vídeo game para que a munição das armas nunca acabassem, soando meio artificial como nos filmes de ação dos anos 80 e 90 (Charles Bronson, alguém?). Talvez tenha sido de certa forma proposital, pois o filme acaba se intitulando também como uma ‘paródia’ dos westerns.

Mas estes fatores não são suficiente para tirar o brilho deste filme impressionante por ser uma grata surpresa e não fazer feio ao legado criado pelos westerns spaghettis que tanto admiro.

Contando com um final impressionante, Os Invencíveis (que nome mais genérico dos distribuidores brasileiros) é uma diversão do mais alto nível feito por alguém que realmente gosta de filmes do gênero, dando assim uma alma própria apesar de se basear em um grande clássico do cinema.

Nota – 9,0 – Que saudade dos filmes do Clint...

Assista também:

Três Homens em Conflito
Western Sukiyaki Django
Kill Bill
O Dólar Furado
Os Indomáveis